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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Especialistas minimizam rumor sobre operação de limpeza em Fukushima

Está previsto para o próximo mês o início da retirada dos elementos combustíveis armazenados no interior do reator 4 da usina nuclear de Fukushima, no Japão, afetada criticamente em 2011 após um terremoto e tsunami, que devastaram parte da costa do país asiático.

O procedimento faz parte de um processo de limpeza que pode levar até 40 anos, mas um texto do americano Harvey Wasserman que circula na internet, e que já tem versão adaptada para o português, tem causado preocupação, pois afirma que a operação representa um risco mundial.

Segundo o autor, a operação poderia causar a contaminação do mar e do ar caso a manipulação dos materiais contaminados em Fukushima não seja feita da maneira correta, provocando, inclusive, uma reação descontrolada de fissão nuclear, com risco de explosão.

Especialistas ouvidos pelo G1, no entanto, minimizam os riscos da operação e afirmam que, apesar de difícil, é necessária para que os níveis de radiação baixem naquela região. O acidente forçou o deslocamento de milhares de pessoas que viviam em torno da usina e afetou a pesca, a agricultura e a pecuária locais.

A Tepco, empresa que gerencia a usina nuclear de Fukushima, anunciou em setembro que pode começar em novembro a remoção do combustível radioativo presente no reator 4, o único que não estava em funcionamento quando o complexo foi atingido pelo terremoto e tsunami, que danificou a estrutura do local e causou o pior desastre nuclear desde Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.

Operação arriscada – Segundo Ennio Peres da Silva, coordenador do laboratório de hidrogênio, ligado ao Instituto de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), existe um risco de acidente durante a operação, mas ele é reduzido. Ele poderá ser provocado apenas se ocorrer uma falha humana de operação. “Se tivesse que explodir, já teria acontecido há muito tempo”, avalia.

O colapso da usina de Fukushima não foi causado pelo terremoto, mas sim porque o tremor cortou as linhas de energia que mantinham ligado o sistema de refrigeração dos reatores. Um segundo sistema, acionado por geradores a diesel, passariam a funcionar, mas eles foram afetados pela água do mar trazida no tsunami, com ondas de até 7 metros, que se chocou com o complexo.

Foram registradas explosões nos reatores e especialistas estimam que, após o incidente, 55% do núcleo do reator 1 tenha derretido, 35% do reator 2 teve o mesmo destino, assim como 30% do reator 3.

O reator 4 do complexo de Fukushima não estava em funcionamento quando ocorreram o terremoto e tsunami.Porém, dentro dele estavam armazenados 1.331 elementos combustíveis que já haviam sofrido irradiação (passaram pelo núcleo do reator e participaram do processo de geração de energia) e outros 204 novos que não foram usados.

Esses elementos são, na verdade, tubos revestidos de zircônio contendo em seu interior pastilhas de urânio. 

Essas barras precisam ficar armazenadas, separadamente, em piscinas cheias de água para que diminuam os níveis radioativos desses elementos e, consequentemente, reduzam sua temperatura.

Reação em cadeia – Segundo Silva, no interior dessas ligas ocorrem reações nucleares, ainda que poucas. Mas o fato de estarem num mesmo local não significa um risco de explosão. Ele explica que um acidente só ocorreria se, durante o processo de limpeza do reator 4, essas barras, por acidente, fossem colocadas muito próximas umas das outras.

Neste caso, ocorreria a formação de uma massa crítica (acúmulo de urânio em determinado espaço) dando início a uma reação em cadeia de fissão nuclear (quebra do núcleo de um átomo em dois outros menores).

A professora Emico Okuno, professora do departamento de Física Nuclear da Universidade de São Paulo (USP), reforça que a operação é “dificílima”, mas que a probabilidade de ocorrer uma reação em cadeia “é muito pequena”. Emico diz ainda que o combustível colocado na piscina, após ser retirado do reator, ficou fraco e “economicamente não viável”.

Luís Antônio Albiac Terremoto, pesquisador do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) explica que a remoção desses combustíveis deverá ocorrer sob a água, para que o material permaneça resfriado. Ele também considera baixo o risco de acidente da operação de limpeza.

Água contaminada – Apesar de minimizarem a chance ocorrer uma cadeia de fissão nuclear, os especialistas entrevistados pelo G1 ressaltaram a urgência de conter um problema também considerado grave e que já ocorre: o vazamento de água radioativa para o mar.

Em agosto, a Tepco divulgou que 300 toneladas de água contaminada proveniente de tanques de armazenamento vazaram para o mar.

Essa água, usada para resfriar os reatores da central e lançada no Pacífico, contendo substâncias como estrôncio, pode interagir com a biodiversidade e atingir seres humanos, caso estes consumam produtos marinhos que tenham sido contaminados.

Segundo Terremoto, existe em Fukushima um processo de filtragem, purificação e dessalinização (da água do mar), que consegue reduzir entre cem e mil vezes os níveis de radioatividade. Essa água não fica potável, não pode ser lançada de volta ao meio ambiente, mas sim reutilizada no próprio complexo.

No entanto, para o pesquisador do Ipen, o ritmo de descontaminação e a condição de estocagem não são ideais. “Ainda que não se consiga quantificar os efeitos [do impacto da água radioativa no ecossistema e nos homens], não pode deixar vazar a água. Essa sim é uma questão importante, acelerar a questão do tratamento”, explica.

Cronograma – De acordo com um cronograma divulgado em conjunto pela companhia e o governo japonês, a retirada dos 1.331 elementos combustíveis que já sofreram irradiação e dos 204 novos que também estão na piscina de desativação já estava prevista para acontecer em 2013, dois anos após o acidente.

Ainda segundo o calendário, dez anos após o acidente, vão começar os trabalhos de remoção de entulhos contaminados e combustíveis de piscinas dos reatores 1, 2 e 3. O calendário proposto pela Tepco e governo do Japão prevê que a desmontagem total do complexo de Fukushima (além de descontaminação do solo e dos materiais) só deve ocorrer mesmo até 40 anos após a explosão de 2011, ou seja, só em meados de 2051.

Terremoto, do Ipen, afirma que os prazos estipulados visam a queda do risco de contaminação, mas também são necessários para que se desenvolvam tecnologias que permitem trabalhos em ambientes radioativos, com materiais que aguentem os altos níveis de elementos liberados após o acidente. 

Fonte: G1

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