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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) é aposta para agropecuária sustentável na Amazônia paraense, por Arystides Resende Silva

Um dos grandes desafios da agropecuária é manter a produção de alimentos, fibras, biocombustíveis e madeira em níveis que sustentem uma população em contínuo crescimento, sem com isso, contribuir com o aumento da degradação do meio ambiente.
Neste contexto, temos os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), como importante estratégia para diversificação de empreendimentos agropecuários, por permitir maior eficiência de uso dos recursos disponíveis e maior flexibilidade frente aos riscos do mercado e das condições climáticas, contribuindo para reduzir a degradação dos solos agricultáveis e o desmatamento.O ILPF é definido como um conjunto de tecnologias de diversificação da produção, em que a agricultura, a pecuária e a silvicultura ou florestas plantadas, passam a fazer parte de um mesmo sistema e em uma mesma área, visando aumentar a eficiência de utilização dos recursos naturais e a preservação do ambiente, resultando no incremento da produção e na estabilidade do produtor rural.

O sistema é classificado em quatro modalidades: 1) Integração Lavoura-Pecuária (ILP) ou Agropastoril: sistema de produção que integra o componente agrícola e pecuário em rotação, consórcio ou sucessão, na mesma área e em um mesmo ano agrícola ou por vários anos, em sequência ou intercalados; 2) Integração Pecuária-Floresta (IPF) ou Silvipastoril: sistema de produção que integra o componente pecuário (pastagem ou animal) e florestal, em consórcio; 3) Integração Lavoura-Floresta (ILF) ou Silviagrícola: sistema de produção que integra o componente florestal e agrícola pela consorciação de espécies arbóreas com cultivos agrícolas anuais ou perenes; 4) Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) ou Agrossilvipastoril: sistema de produção que integra os componentes agrícolas e pecuário em rotação, consórcio ou sucessão, incluindo também o componente florestal, na mesma área.

Atualmente, o sistema ILPF, ao associar o componente arbóreo às pastagens e às lavouras, congrega grande importância, pois é uma alternativa que pode contribuir significativamente para o crescimento econômico da região, por permitir a produção sustentável de grãos, ampliar a capacidade de obtenção de produtos pecuários, madeireiros e não madeireiros na mesma área, principalmente, em regiões com pecuária de baixo nível tecnológico e com pressão para abertura de novas áreas, ou seja, desmatamento, como a região Norte do país.

O sistema ILPF contribui para ampliar as entradas de recursos financeiros junto aos produtores a partir de produtos agrícolas e pecuários, mantendo um fluxo de caixa mais constante durante os diferentes ciclos produtivos. A introdução da lavoura, geralmente, ocorre em fases iniciais do sistema juntamente com o componente florestal, enquanto o mesmo não prejudica a produtividade das culturas com o sombreamento. Após a fase agrícola, e quando as árvores atingirem porte capaz de suportar animais em pastejo, a fase da pecuária é introduzida, com uso de forrageiras tolerantes ao sombreamento. Para a adequada condução desses sistemas, o espaçamento entre fileiras ou renques de árvores deve ser função das dimensões do maquinário para semeadura, tratos culturais e colheita da cultura agrícola.

A introdução do componente florestal é uma importante estratégia para o aumento da renda futura decorrente da venda dos produtos florestais e dos benefícios que traz ao meio ambiente, devendo se dar preferência na escolha espécies de crescimento rápido, com fuste retilíneo e estrutura de copa não muito densa e que produzam madeira para usos múltiplos.

A realidade paraense

O estado do Pará tem aproximadamente cinco milhões hectares de áreas alteradas, com potencial de uso agrícola, dos quais podem ser cultivados com tecnologias sustentáveis permitindo assim a redução de abertura de novas áreas.

A região Norte é a segunda do país com maior efetivo bovino, contabilizando 47,1 milhões de cabeças em 2015, o que corresponde a 21,91 % do total nacional, destacando-se os estados do Pará e de Rondônia, com 20,27 e 13,39 milhões de cabeças, respectivamente, podendo ser considerada atualmente, a mais importante fronteira agrícola para a produção animal do Brasil.

A agricultura vem se expandido anualmente, em termos de área plantada com grãos (milho, soja e arroz) tendo a região Norte apresentado em 2015 uma área plantada aproximadamente de 2.305.564 hectare com uma produção de 7.567.357 toneladas. O estado do Pará se destaca com 27,41% da área plantada e com 25,77% da produção de grãos da região.

Em relação à silvicultura, o Pará apresenta uma área de 159.657 hectares plantados com eucaliptos, o que representa 3,13% da área de produção nacional e 19.351 hectare plantados com outras espécies florestais de valor comercial no ano de 2012, o que corresponde a 3,71% da produção nacional.

A modalidade de ILPF que mais se destaca no Estado, está representada pelo Sistema Integração Lavoura-Pecuária (ILP), os quais são implantados em área de pastagem degradada, onde as culturas de grãos, principalmente soja e milho, são introduzidas para recuperar a produtividade dos pastos. Nestas áreas, após a construção da fertilidade do solo, principalmente com a calagem (correção da acidez do solo), a cultura do milho é plantada e na adubação de cobertura nitrogenada é feita a semeadura da forragem, normalmente a brachiaria, que após a colheita do milho, se estabelece.

Com essa pratica podemos obter  a “safrinha do boi”, “boi safrinha” ou “pasto safrinha”,  o qual refere-se ao uso da forragem produzida em consórcio, com a finalidade de cobertura de solo para o Sistema Plantio Direto (SPD), também para a alimentação de bovinos na estação da seca. É uma pastagem de curta duração num período em que, normalmente, ocorre déficit de forragem. A pastagem pode ser utilizada para cria, recria ou terminação de bovinos, bem como para produção de feno para uso na própria fazenda e/ou comercialização.

A Embrapa vem desenvolvendo várias alternativas para utilização de sistemas de integração LP, PF e LPF, com diversos arranjos e combinações de culturas de lavoura, forrageiras e essências florestais, contudo, muitas variáveis demandam estudos, precisando ainda ser monitoradas e mensuradas. Atualmente existem mais de 20 Unidades de Referência Tecnológica (URTs) com ILPF em toda região Norte, a qual permite a geração e divulgação de resultados técnicos e científicos junto a produtores e à rede de assistência técnica e extensão rural, visando oferecer tecnologias e conhecimentos necessários à implantação dos sistemas integrados na região Amazônica.

No Pará, exemplos de uso do sistema ILPF para a recuperação de áreas degradadas, são encontrados em diversos municípios nos polos agrícolas das regiões do entorno de Paragominas, Santarém e Santana do Araguaia, onde o sistema ILP predomina. Já o sistema IPF destacam-se os trabalhos desenvolvidos com eucalipto em Paragominas e com mogno africano em Brasil Novo.

A Embrapa preconiza o uso do sistema ILPF como uma alternativa para a recuperação de áreas degradadas, otimização de recursos naturais e financeiros e forma de impulsionar a agropecuária sustentável na Amazônia paraense.

Arystides Resende Silva é Doutor em agronomia e pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental

Para saber mais: 

Embrapa/ILPF: https://www.embrapa.br/tema-integracao-lavoura-pecuaria-floresta-ilpf

Integração lavoura-pecuaria-floresta: o produtor pergunta, a Embrapa responde/Luis Adriano maia Cordeiro…[et al.,], editores técnicos. Brasília, DF: Embrapa, 2015. 393 p. http://mais500p500r.sct.embrapa.br/view/arquivoPDF.php?publicacaoid=90000033

TerraClass –  Levantamento de informações de uso e cobertura da terra na Amazônia. Inpe e Embrapa. http://www.inpe.br/cra/projetos_pesquisas/dados_terraclass.php

Sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta: a produção sustentável/ editor técnico, Davi José Bumgenstab – 2. Ed. – Brasília, DF: Embrapa, 2012. 256p. http://livraria.sct.embrapa.br/liv_resumos/pdf/00060960.pdf

Dinâmica de sistemas integrados de manejo de um solo no desenvolvimento da cultura do milho. Revista em Agronegócio e MeioAmbiente, Maringá, v. 9, n. 4, p. 859-873, out./dez. 2016. SILVA, A. R.; SALES, A.; CARVALHO, E. J. M.; VELOSO, C. A. C.
https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1056043/dinamica-de-sistemas-integrados-de-manejo-de-um-solo-no-desenvolvimento-da-cultura-do-milho

Fonte: EcoDebate

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