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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Os mortos do Cemitério dos Escravos de Maribondos, no centro oeste de Minas Gerais, respiram vida.

A história do Cemitério dos Escravos, na cidade Carmo do Cajuru,do centro oeste de Minas Gerais, caracteriza-se pela oralidade das fontes de informações, O conhecimento sobre sua história foi transmitido por uma descendente de escravos chamada Custódia. Falecida no final da década de 1990.


Custódia foi funcionária da antiga Fazenda Maribondo, onde prestou serviços domésticos durante toda sua vida. Ao longo dos últimos anos, passou seus conhecimentos sobre o cemitério dos escravos e a vida de seus antepassados na fazenda para Maria Eunice Moreira de Souza, que se tornou guardiã da história oral do local.

O Cemitério dos Escravos de Maribondos, na cidade do centro oeste de Minas Gerais, Carmo do Cajuru é como uma fronteira político geográfica, que amplia o alcance dos navios tumbeiros, atravessa séculos de massacres e a exploração escravocrata, até  aportar em nossos gritos  de lutas pela liberdade, nos quilombos.

 Seja do Quilombo de Aqualtune e Zumbi Palmares, seja do Quilombo do Rei Ambrósio.

Os mortos que repousam no Cemitério dos Escravos de Maribondos, desnudam os aspectos estruturais e viscerais do racismo e os quase quatro séculos de colonização.

São arquivos vivos, raízes profundas da secular intolerância humana e da ancestral resiliência do povo preto.

Os mortos do Cemitério dos Escravos de Maribondos, no centro oeste de Minas Gerais respiram vida, como um museu a céu aberto despejando  inquietudes ancestrais,sacralidade e caminhos de possibilidades.

Foi em um domingo, 21/05 raiado de friagem, depois coroado de sol que aconteceu a Missa Conga em Honra  aos Mortos da Raça Negra, como disse o padre italiano Alison.

Era uma missa em honra aos mortos, mas, a vida estava ali em experimentações, cantos, palavras, emoções diferentes e múltiplas, dentro e a flor das peles,

Vidas sendo passado, no presente no futuro das muitas crianças que ali estavam.

A vida estava no movimento da música do reinado fazendo o dia cântico, despertando os que vieram antes de nós, tradição, ancestralidade..    

E ao receber o convite de  uma das lideranças do município de Carmo do Cajuru- Edson Epifanio, para fazer uso da palavra falamos dos pontos de fusão entre a morte e a vida.  Das nossas lutas. Dos nossos corpos desumanizados e da certeza de que continuaremos a marchar.

Terminada a fala, o padre italiano  Alison exclamou, despertando risos na platéia: Eita, alagoana arretada!

A missa fez parte da agenda de lutas que aconteceu de 19 a 22 de maio da  I Jornada dos Desafios  Abolicionistas do Século XXI.

Iniciativa da ativista mineira, Maria Catarina Laborê, em parceria com o Instituto Raízes de Áfricas,  a série de ações da I Jornada mobilizou, aproximadamente, em torno de 700 pessoas, que participaram de rodas de conversas, palestras , encontro com o Movimento Unificado Negro de Divinópolis- Mundi, diálogo no parlamento municipal.

A ação teve apoio do SindUTE,Fóruns Regionais,Irmandade Nossa Senhora, MUNDI, em parceria com o Instituto Raízes de Áfricas, Federação das Indústrias do Estado de Alagoas, Governo do Estado de Alagoas.

 A I Jornada dos Desafios  Abolicionistas do Século XXI terá prosseguimento, possivelmente no mês de julho/agosto,  em outras cidades mineiras, como forma de colaborar para o fortalecimento da cidadania e o respeito à diversidade cultural dos territórios de pret@s.

Fonte: Com informações http://www.blogcajuru.com/2010/01/cemiterio-de-sao-jose-dos-salgados.html

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