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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Chile lidera geração de lixo na América Latina, mas recicla pouco

Os chilenos lideram a geração de lixo na América Latina, com 16,9 milhões de toneladas ao ano, das quais reciclam apenas cerca del 10% por falta de compromisso da população, que só agora parece se conscientizar a necessidade de uma mudança.
Cada chileno gera 384 quilos de lixo ao ano, muito acima da média de outros países da América Latina, de 230 quilos, aos quais devem ser somados os resíduos industriais (10,4 milhões de toneladas), segundo dados do Ministério de Meio Ambiente chileno.

O aumento marcante na produção de lixo está influenciado pelo crescimento populacional, a produção industrial e as baixas taxas de valorização de resíduos.

“As pessoas gostam de dizer que reciclam, mas na hora de levá-lo à prática o fazem por um momento e depois se aborrecem. É uma falta de compromisso individual de separar nossos resíduos e levá-los aos pontos limpos”, disse à AFP a ministra de Meio Ambiente, Maria Ignacia Benítez.

Mas além da falta de compromisso da população, hoje existe muito pouco fomento à atividade dos ‘recicladores de base’, os antigos catadores que tiravam das latas de lixo os despejos e em seguida os vendiam a empresas recicladoras.

Uma Lei de Política de Resíduos do Chile, que data de 2005, regulamentou a coleta de resíduos e dispôs sua deposição posterior em aterros sanitários e não mais em lixões, aos quais os catadores não têm acesso.

À medida que os vazadouros foram desaparecendo também caiu a atividade de reciclagem de base, vital em toda a cadeia.

“Nós não somos considerados na lei atual. Fomos prejudicados porque se permitiu que os municípios contratem empresas grandes que estão nos tirando das ruas”, contou à AFP Juan Aravena, presidente da associação de Recicladores de Base da Comuna de La Reina, leste de Santiago.

Os recicladores não podem entrar nos aterros porque estes funcionam “sob uma operação controlada que cumpre certos padrões sanitários”, explicou a ministra Benítez.

No Chile, os recicladores de base somam 60.000 pessoas, muito abaixo dos 250.000 que existem em países como a Colômbia.

Como forma de formalizar sua atividade e ser reconhecidos, decidiram se organizar. Em Santiago já existem 23 organizações.

O governo, por sua vez, trabalha em uma nova Lei de Resíduos – que seria enviada ao Congresso em agosto – e busca formalizar sua atividade, permitindo-lhes entrar no sistema previdenciário.

Será promovida, ainda, a criação de microempresas de reciclagem, exigindo dos fabricantes ou importadores de produtos se encarregar dos seus resíduos, explicou Benítez.

“Queremos ser incorporados pela Lei de Resíduos, como no restante da América Latina no Peru, na Argentina e na Colômbia”, donde a reciclagem é apoiada pelo Estado, disse Aravena.

Mas em nível social, as coisas avançam mais rapidamente e começam a ver uma atitude melhor com relação à reciclagem, sobretudo nas comunidades mais ricas de Santiago, cidade que gera 43% do lixo de todo o país.

Em comunidades como Vitacura, Providencia, Ñuñoa e Las Condes se instalaram vários ‘Pontos Limpos’,onde os vizinhos podem levar seus resíduos classificados.

A companhia distribuidora de energia elétrica Chilectra, que abastece a maior parte das casas da capital chilena, recentemente pôs em andamento um programa de reciclagem que permite aos clientes descontar parte de sua conta em troca de materiais recicláveis.

“A reciclagem evita que os resíduos finalmente vão ser jogados em lixões ou aterros sanitários, gerando impactos ambientais diversos e passivos por décadas”, explicou à AFP Cristián Araneda acadêmico da cátedra de Resíduos Sólidos da Universidade Andrés Bello.

Uma pesquisa da Universidade Andrés Bello, realizada em 2012 com 1.075 pessoas, informou que 41% dos consultados não tinham o hábito de reciclar, enquanto 29% desconheciam onde realizar esta atividade.

Papéis e papelões são os materiais mais reciclados no Chile com 474.650 toneladas anuais, seguidos dos plásticos (355.394 toneladas), vidros (292.014 toneladas) e metal (100.665).

Quanto a resíduos de material eletrônico, o Chile gera quase 1,3 milhão de toneladas, considerando resíduos industriais e domiciliares.

Fonte: Terra

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