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terça-feira, 15 de julho de 2014

Meio ambiente e alguns dos principais meios antrópicos, artigo de Roberto Naime

A Agropecuária envolve todas as atividades humanas de pecuária extensiva ou intensiva, criação das mais diversas espécies terrestres ou aquáticas e as atividades vinculadas com a agricultura dos mais variados tipos, desde a pequena propriedade com plantio de subsistência, passando pela agricultura familiar e chegando no agronegócio mais sofisticado com monoculturas extensas de exportação.


Qualquer que seja o enfoque da abordagem são muitos os impactos ambientais produzidos por resíduos sólidos do tipo dejetos de animais e embalagens de produtos químicas. E também são grandes os impactos gerados pelo lançamento nos cursos de água, de efluentes não-tratados de criações intensivas de aves e suínos e pelas aplicações indiscriminadas ou mesmo controladas, de herbicidas, fungicidas e pesticidas em geral.

Detalhar qualquer item nos afastaria do objetivo geral de trazer uma noção básica de percepção ambiental e diretrizes para compreender o conjunto da questão ambiental, mas sem dúvida, é fácil imaginar e avaliar a extensão do assunto.

Evidentemente que a atividade agropecuária é fundamental para a sobrevivência da espécie humana, mais importante ainda em nosso país, que é eminentemente primário. Mas é necessário aprofundar o trabalho de trazer sustentabilidade econômica e ambiental para as populações que vivem da atividade de lavoura e pecuária.

A indústria foi por muito tempo a atividade mais responsabilizada pelos danos ambientais e hoje não é exagero dizer que os diversos setores industriais se encontram na vanguarda das ações de preservação ambiental e sustentabilidade nas diversas atividades econômicas.

A indústria engloba todas as transformações que os materiais minerais e agropecuários sofrem para se tornar bens de consumo para utilização das populações.

Existem vários setores e tipos de indústrias, desde as muito poluentes, até aquelas que praticamente não produzem efluentes, resíduos ou emissões atmosféricas.

Atualmente os conceitos de sustentabilidade e preservação ambiental estão bem disseminados na cultura dos empreendedores industriais, que são responsáveis por algumas das ações mais ousadas de planejamento ambiental, transparência e responsabilidade social.

Mas é inegável que o arcabouço jurídico e a ação normatizadora, reguladora e fiscalizadora do Estado são indispensáveis para atingir uma sinergia eficiente com a indústria tomando consciência de seu papel na preservação ambiental em geral.

A água, pela sua intrínseca relação com a vida, não poderia estar fora da cidade e podemos ver sinal de vida própria no seu caminhar pelo espaço urbano.

Não existe cidade se não existir água disponível regularmente, capaz de atender às necessidades básicas do ser humano, para o controle e prevenção de doenças, para a garantia do conforto e para o desenvolvimento socioeconômico.

Ao se modernizar, a cidade não consegue fugir dessa dependência, pelo contrário, a necessidade por água aumenta em função da complexidade do aparato produtivo.

A visão integrada do conceito de saneamento básico é defendida, inclusive, pelo corpo técnico-científico internacional ligado ao saneamento, como, por exemplo, o conceito defendido pela Associação Portuguesa para Estudos de Saneamento Básico – APESB , de que saneamento básico é, pelo menos, “o abastecimento de água, a drenagem, o tratamentoe a disposição final de águas residuais, e a recolha, tratamento e a disposiçãofinal de resíduos sólidos”.

Sobre disponibilidade de água, vale lembrar que a quantidade e a qualidade têm estreita relação com a geografia do manancial. Uma bacia hidrográfica, com sua área de contribuição bem definida, tem um limite claro para a vazão que se pode tirar dos cursos de água que a drenam, o mesmo valendo para um aquífero subterrâneo. Diante disso, vale a regra de que as vazões disponíveis podem ser consideradas parte integrante das informações geográficas de uma determinada área.

No ciclo urbano da água, ela também tem papel como agente de limpeza a serviço dos habitantes da cidade. Isso fica evidente na relação direta e significativa entre água consumida e geração de esgotos, com cerca de 80% da água de abastecimento sendo transformada em esgoto sanitário. Esse esgoto precisa de uma área para que sua carga poluidora seja diminuída, facilitando a sua purificação natural, sendo que nesse cálculo de área deve ser levada em conta a parcela necessária para reciclar os resíduos que são removidos desse esgoto, os chamados lodos provenientes do tratamento.

Além da água de abastecimento que chega à cidade, a chuva também joga quantidade significativa de água na área urbana. E essa água tem seus caprichos, procurando seguir seus caminhos pelos pontos mais baixos do relevo. Nesse caminhar, ignora boa parte das ações humanas que tentam impedir seu movimento, tendo força para superar esses obstáculos.

Sobre essa água e seu caminhar, as cidades deveriam ter como lema respeitar sempre seus caminhos, sob pena de enfrentar sua fúria, que se faz sentir quando da ocorrência de enchentes e inundações. Além disso, não se pode esquecer que no ambiente natural, a percolação pelos vazios do solo é um caminho muito usado pela água. Quando se impede a sua infiltração, com a impermeabilização da superfície do solo, parte significativa da água não faz seu trajeto subterrâneo, escoando, consequentemente, pela superfície.

As águas pluviais carregam tudo o que encontram no seu caminho, desde a poluição que paira no ar até os resíduos que foram lançados sobre as ruas. Quanto mais se descuida da limpeza da cidade, mais trabalho sobra para a chuva, que não se nega a prestar esse serviço de limpeza. Portanto, a cidade que não se limpa organizadamente acaba contribuindo para a poluição dos corpos de água, onde as águas pluviais depositam todo o material carreado durante seu trajeto. Essa poluição pode comprometer o uso da água para diversas finalidades, além do próprio abastecimento humano da cidade.

Outra associação importante que reflete a essência do conceito de saneamento é a questão do lixo, ou dos resíduos sólidos resultantes das diversas atividades da cidade. Para funcionar adequadamente, a cidade necessita de grande aporte de material proveniente de áreas externas aos seus limites geográficos. Nesses materiais, podemos incluir os alimentos para os habitantes da cidade e a matéria prima para os processos produtivos, os quais são utilizados, processados e geram resíduos. Esses resíduos têm pouca mobilidade, com exceção daqueles transportados pela água da chuva. Por isso, onde são lançados, lá permanecem em processo lento de degradação, tornando-se fontes de poluição e contaminação.

Os índices de cobertura de água tratada são muito elevados em quase todo país, mas as quantidades de esgoto recolhido e tratado são muito baixas.

Da mesma forma, são razoavelmente eficientes na função de coleta, todos os sistemas de recolhimento de lixo urbano doméstico e público. Mas o mesmo não pode ser dito da disposição final, ainda muito carente de usinas adequadas e projetadas para a reciclagem e o reaproveitamento e células de disposição final com normas de engenharia respeitando parâmetros de proteção ambiental.

A questão do saneamento básico tem sido cada vez mais explorada por empreendedores privados, que se interessam pelas atividades vinculadas com a água e mesmo com as tarefas de coleta, reciclagem e disposição final dos resíduos sólidos urbanos. O poder público, principalmente através de prefeituras, tem sido grande contratador destes serviços e as empresas têm desenvolvido um filão importante de mercado.

As questões de infraestrutura envolvem tudo que é necessário para atender às necessidades das populações e para dar qualidade de vida para os agrupamentos humanos, permitindo que os diversos grupos sociais cumpram suas funções dentro do complexo tecido das relações sociais e econômicas da humanidade.

Sob o aspecto da logística das empresas e de suas necessidades, envolve estradas, energia, comunicações, infraestrutura de mineração, disponibilidade de matérias-primas para a indústria da construção civil e outros.

O conjunto da população ainda depende de outros aspectos de infraestrutura, destacando-se saúde, transportes, segurança, saneamento, etc.

Hoje cada vez mais cresce a lista dos bens catalogados como infraestrutura, como estações de micro-ondas, estações de rádio-base, redes de fibra ótica e outros.

Mas questões básicas como evitar o assoreamento dos rios por fenômenos descontrolados de erosão produzidos por expansão rural ou urbana descontrolada e que poderiam ser evitadas com pequenas ações corretivas ou preventivas, são problemas fundamentais que permanecem e se ampliam com o crescimento demográfico desordenado e a desarticulação da capacidade de intervenção dos órgãos responsáveis pela infraestrutura pública.

Raciocínio semelhante pode ser feito com as denominadas áreas de risco que são as áreas alagáveis ou passíveis de instabilizações de taludes que colocam em risco populações assentadas, geralmente de baixa renda.

Esta realidade amplia cada vez mais o fosso que separa as populações do Brasil que está integrado ou incluído e o Brasil dos excluídos e dos marginalizados, que sem educação cada vez mais se tornam párias sociais, sem a perspectiva de oportunidades.

As disponibilidades e as necessidades de infraestrutura diferenciadas operam como excelentes indicadores sociais. Enquanto áreas são servidas por redes de cabo de fibra ótica, populações inteiras marginalizadas vivem nas denominadas áreas de risco.

Estas áreas nada mais são do que regiões inundáveis no interior do domínio das planícies aluviais dos rios ou áreas de encosta com declividade elevada, nas quais as edificações sofrem riscos de colapsos por instabilização de taludes verticais e cortes mal drenados dos terrenos.

Estes não são os únicos meios socio econômicos ou antrópicos, cuja listagem é quase infinita e multivariada de acordo com a circunstãncia considerada, mas estes são meio relevantes como exemplificação.

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte: EcoDebate

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