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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Ensinamentos de uma goleada, artigo de Artur Salles Lisboa de Oliveira

1. Depois da forte repressão policial mediante o fechamento das vias de acesso aos estádios, tiros atingindo repórteres de redes internacionais, dentre outras truculências, os brasileiros ainda têm a oportunidade de vencer essa Copa do Mundo. Refiro-me, não apenas a protestos, mas à conscientização da população em relação aos rumos desse País. Uma vez que a névoa do patriotismo eventual dê espaço à expressão de descontentamento geral, a Alemanha pode ter contribuído imensamente para os resultados eleitorais.


2. A equipe técnica – não incluo os cartolas por que estes são protegidos pelo anonimato dos seus cargos – precisa baixar alguns degraus na arrogância e admitir a ineficiência tática e funcional de um time ultrapassado, que depende do talento de um jogador para vencer jogos.

As coletivas de imprensa são recheadas de convicções, que quando não se confirmam são minimizados com frases de efeito tais como: “chegamos às semifinais”. Antes da derrota acachapante, entretanto, o direcionamento era de afagos aos cartolas, que foram elogiados por um ex-técnico da seleção por terem feito a Confederação Brasileira de Futebol “o Brasil que deu certo”.

3. Amigos, amigos, negócios à parte. Os brasileiros têm uma dificuldade absurda de fazer essa separação. Não basta ao técnico da seleção ser o comandante técnico, tático e, eventualmente, um suporte emocional, é preciso ser o Paizão de todos, cujos afagos são necessários para preparar atletas já muito experientes a lidar com as pressões das competições. É aquela histórica antiga: os jogadores sentem falta do feijão de casa.

4. Aspecto liderança. O já experiente capitão da seleção desmoronou diante da pressão dos pênaltis contra a eterna freguesa Chile. A imagem daquele que deveria desempenhar a função de líder sentado sobre uma bola, rezando aos céus para que a força divina preponderasse diante do ímpeto chileno foi algo, no mínimo lamentável. Nenhum atleta agiria de tal forma se houvesse tido trabalhos técnico, tático e psicológico competentes.

5. A necessidade profunda da referência. Se não houver dramalhão, o teatro não estará completo. Declarar amplamente para a imprensa que os atletas jogariam pela estrela que se machucara no jogo anterior foi um grande desmerecimento ao trabalho da comissão técnica, dos outros jogadores e, especialmente, ao povo brasileiro.

Era evidente que os atletas estavam fazendo muita força para demonstrar união, quando o processo de integração de um grupo ocorre naturalmente pelo amadurecimento dos seus membros. Entradas com mãos sobre os ombros, faixas de apoio à estrela “ferida” na partida anterior, lágrimas em demasia durante o hino deram o tom do desespero que estava sendo camuflado.

Artur Salles Lisboa de Oliveira é administrador de empresas e colunista da Revista Exame (Coluna Meandros das Bolsas de Valores).

Fonte: EcoDebate

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