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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Cidades Sustentáveis, artigo de Roberto Naime

Sempre que se fala em cidades sustentáveis, particularmente no país, sempre é citada a cidade de Curitiba. E realmente, não existem projetos acabados, nem tampouco definições que sejam completas, todas as situações podem e devem sofrer aprimoramentos contínuos.  
Mas em Curitiba de fato, estão presentes e realizadas iniciativas que devem ser demonstradas e realçadas sempre que se deseja discutir cidades sustentáveis.

Transportes públicos sempre são um dos grandes problemas de toda aglomeração urbana. Em Curitiba não é diferente. Mas em todas as manifestações que se realizam, o transporte urbano da cidade se destaca da realidade encontrada na maioria das grandes cidades do país. O transporte urbano de Curitiba é um dos mais eficientes e eficazes do país. Formado por corredores exclusivos espalhados pelas principais vias da cidade, trafegado por grandes veículos bi ou tri-articulados, quando então a capacidade dos veículos é superior a duas centenas de passageiros, o transporte coletivo de Curitiba parece estar muito próximo de atender as expectativas.

Os veículos são movimentados por combustíveis renováveis, a partir de fontes de bioenergéticos, gerando menores quantidades de gases geradores de efeito estufa e sendo menos impactantes ao meio ambiente em geral. A malha rodoviária de tráfego é integrada e opera com as chamadas estações-tubo nos paradouros em calçadas e praças, que são projetadas e instaladas, de forma associada às paisagens, tornando os cenários plenos de harmonia estética.

Existe na cidade estímulo legal para instalação de reservas particulares do patrimônio natural dentro do perímetro urbano. Embora não caracterizado como pagamento de serviço ambiental, a prefeitura premia estas iniciativas com o fornecimento de documento de índice construtivo, permitindo que tal índice seja comercializado em outra região da cidade. A legislação existente exige, além da preservação permanente da área, o levantamento detalhado de todas as espécies florísticas e faunísticas existentes no local.

Estas áreas verdes preservadas por particulares se adicionam às áreas verdes públicas, praças, parques e outros domínios, criadas e mantidas pelo poder público municipal. Esta realidade efetivamente cria uma aglomeração urbana muito aprazível e acolhedora para o assentamento individual do grupo familiar.

Outra experiência muito interessante e que merece divulgação e o merecido realce se situa na reciclagem. Dados divulgados pelo canal NBR, a tv do governo federal, indicam que o índice de reciclagem de resíduos sólidos em valores próximos a 23% do total. A forma que se materializa este objetivo é bastante meritória. A prefeitura mantém um programa de troca de alimentos em periferias por resíduos sólidos recicláveis, que sejam coletados.

As populações beneficiadas tendem a ser setores vulnerabilizados, que são beneficiados pela distribuição de alimentos, incluindo hortifrutigranjeiros, que são adquiridos de centrais de abastecimento. Desta forma estão sendo atingidos vários objetivos: reciclagem dos resíduos sólidos que propicia economia ambiental e incremento na geração de ocupação e renda para as populações menos favorecidas, principalmente, e estímulos para a formação de cinturão verde de segurança alimentar em região circundante da aglomeração urbana da cidade. Quanto melhor e mais desenvolvida a produção de hortifrutigranjeiros ao redor do núcleo urbano, menor será a dependência de abastecimento dependente de transporte oneroso e poluente.

Outras cidades, como Cuiabá, por exemplo, favorecem a troca de materiais recicláveis, com benefícios que se materializam em descontos na conta de energia elétrica. A operação ocorre em quiosques instalados no estacionamento de redes varejistas locais, integradas ao esforço de realização.

Já se destacou que não existem modelos definitivos, ou concepções acabadas. E todos os conjuntos de realizações são passíveis de críticas e aprimoramentos em processos contínuos de melhoria que possam ser implementados e adotados. Mas bons exemplos merecem ser destacados para que possam ser copiados e adaptados às diversas realidades locais, deste país com caracteres continentais.

Por trás de todas as iniciativas nem sempre existem vultuosas inversões de recursos. Pelo contrário, na maioria das vezes não existem grandes investimentos ou onerosos custeios, mas simplesmente vontade política acompanhada de capacidade de gerenciamento ou aprimoramento de mecanismos de gestão pública e cooperação com entidades privadas.

Em processos onde existem ganhos e vantagens para todas as partes envolvidas. Resumidamente, é um processo conhecido como “ganha-ganha”, onde todas as partes envolvidas acabam beneficiadas. Além da obtenção de melhor qualidade ambiental e qualidade de vida para todas as populações atingidas. Realidade esta que é intangível e não tem preço, atingido a atual população e todas as gerações posteriores que herdarão esta condição essencial à manutenção de vida.

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte: EcoDebate

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