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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Além do túmulo

A morte é a única certeza que carregamos na vida. Que tal visitar, então, o lugar onde ela toma forma, faz sua última morada e encontra a paz? Sim, estamos falando do cemitério.
Muitos podem sentir arrepio ao pensar nesta possibilidade, mas já é hora de mudar o olhar: além destes locais abrigarem grandes nomes da história, também são espaços de valor ambiental significativo – já que são cheios de árvores –, arquitetônico e artístico. Dispa-se de seus preconceitos e embarque no turismo cemiterial. Afinal, como disse o escritor Jorge Luis Borges, ‘todos os caminhos levam à morte. Perca-se.’

E é fácil seguir seu conselho pelas ruas do Cemitério da Consolação, em São Paulo. O mais antigo da cidade, inaugurado em 1848, tem 76 mil m², 8.500 túmulos e atrativos capazes de fazer qualquer pessoa passar o dia todo por lá. A menos que seja guiado por Francivaldo Gomes, conhecido como Popó, o administrador e guardião da história e da arte funerária da necrópole.

Toda terça e sexta-feira ele tem um compromisso, às 9h30 e às 14h: levar os ‘mortais’ para conhecer o que há de mais interessante entre as ruelas estreitas. A visita guiada, que dura cerca de duas horas, é aberta ao público e pode ser agendada por e-mail (assessoriaimprensa@prefeitura.sp.gov.br). O roteiro começa com o túmulo de Domitila de Castro Canto e Melo, a Marquesa de Santos. Morta em 1867, a amante de Dom Pedro I foi doadora de ‘quatro contos de réis’ para construir a primeira capela do cemitério. Logo à sua frente está o corpo do acordeonista Mario Zan, autor do hino do 4° Centenário da cidade.

A proximidade dos jazigos é por conta da admiração do músico pela marquesa, que a tratava como santa. “Sua filha, quando pequena, ficou doente e ele pediu ajuda a Domitila. Depois que ele morreu (2006), ela passou a cuidar do túmulo do pai e da marquesa”, diz Popó.

O título de ‘celebridade’ não se resume a estes nomes. Estão por ali o poeta e abolicionista Luis Gama, Monteiro Lobato, Paulo Machado de Carvalho, o arquiteto Ramos de Azevedo (que desenhou a portaria e capela do cemitério), a educadora Anália Franco, o ator Paulo Goulart, o compositor Paulo Vanzolini, os modernistas Mário de Andrade, Oswald de Andrade (que, quando vivo, casou-se com Pagu lá, em frente ao túmulo da família), Tarsila do Amaral, o ex-presidente Campos Sales, Anhaia Melo, Ademar de Barros e integrantes dos ‘quatrocentões’ da cidade, como os Matarazzo, Jafet e Maluf.

Desde janeiro deste ano, os túmulos com as principais personalidades do local dispõem do Qr-code, que por meio de um aplicativo permite que o visitante desacompanhado de guia veja a foto de quem ali está sepultado e leia sua biografia. Ao todo são 118 inscritos.

ARTE

Mas nem só da história de seus moradores vive o cemitério. Lá há muita arte também. “Trata-se de um museu a céu aberto. Não é diferente vir aqui ou ir à Pinacoteca ou no Masp”, reforça Popó. É que, quando começou a prosperar a cafeicultura na cidade, a burguesia, cada vez mais crescente, passou a encomendar obras de arte criadas por escultores famosos. Daí surgiu a chamada arte tumular.

Entre os principais nomes que ajudaram a ornamentar o cemitério, estão Antelo Del Debbio (Família e o Operário), Nicola Rollo (Euterpe, A Lenda Grega), Materno Garibaldi (túmulo da família Jafet), Eugênio Prati (Pietá), Victor Brecheret (Grande Anjo, O Sepultamento), entre outros. No túmulo da família Calfat, por exemplo, Del Debbio fez uma escultura com traços modernos de Maria afagando Jesus e, no mármore do túmulo, representou as cenas da via-sacra.

Popó, que aprendeu a história dos quatro cantos deste cemitério com o ex-administrador e historiador Délio Freire dos Santos, também enterrado lá, diz que desde 2000, quando iniciou seus trabalhos como coveiro, mudou sua visão em relação ao fim. “Hoje estudo a morte para melhor compreender a vida. Tenho mais respeito com a minha e com a vida do meu próximo.”

Capela é palco de peças teatrais

A arte cemiterial não se restringe às esculturas. Na Capela do Cemitério da Consolação, desde junho, está sendo encenada a peça Para Gelar a Alma, do Grupo Na Companhia de Mulheres, com direção de Márcio Araújo. As apresentações serão até o fim de semana, às 19h, com entrada gratuita.

Inspirada em contos de Edgar Allan Poe e em uma história verídica, a encenação conta a história de três mulheres benzedeiras, Morella, Ligeia e Berenice, que foram amaldiçoadas e escaparam da morte. Elas convidam o público a ouvir histórias, tomar café e aprender rituais e simpatias. A proximidade com o cenário, a iluminação, os cânticos e a trilha sonora especialmente composta para a montagem ajudam a compor a atmosfera de suspense da encenação. No elenco estão Abigail Tatit, Edi Fonseca e Zeze Mota.

Como a capacidade máxima de plateia é 50 pessoas, é recomendável fazer a reserva pelo e-mail paragelaraalma@gmail.com. 

Fonte: Diário do Grande ABC

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