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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Como o trânsito inferniza até a vida das abelhas

Asma, bronquite, doenças cardiovasculares…A conta que o corpo humano paga por causa do trânsito carregado nas grandes cidades é velha conhecida da Ciência. Mas não são apenas as pessoas que padecem com a poluição do ar. Um novo estudo indica que a queima de combustíveis fósseis, especialmente do diesel, inferniza também a vida das abelhas.

De acordo com a pesquisa, publicada no periódico científico Nature, a poluição elimina o odor das flores, o que confunde as abelhas e afeta sua capacidade de sobreviver e polinizar.

As abelhas têm um senso de olfato sensível e uma excepcional capacidade de aprender e memorizar novos odores. É a partir desses odores, que elas localizam e reconhecem as flores onde colhem seu alimento.

“Em um ambiente ideal de campos verdes e ar puro, as abelhas têm pouco problema em traçar a origem dos aromas das flores. Mas, em uma zona urbana poluída ou ao longo de rodovias, a exaustão do carro altera violentamente a composição química dos odores das plantas ou até mesmo os elimina completamente”, explicam os pesquisadores da Universidade de Southampton, do Reino Unido.

Eles chegaram a essa conclusão depois de testes com um membro de flor amarela da família do repolho, conhecida como colza . Eles misturaram odores químicos mistos encontrados no perfume da flor com os da exaustão do diesel e, então, borrifaram o composto em um área explorada pelas abelhas. O resultado surpreendeu os pesquisadores: os insetos simplesmente não demonstraram nenhum sinal de reconhecimento do aroma original das flores.

Se elas não comem, também não polinizam – Os pesquisadores especulam que os compostos de nitrogênio do escape, óxido nítrico e dióxido de azoto, são os principais responsáveis pela aniquilação dos cheiros de flores. De acordo com a pesquisa, ao não conseguirem encontrar as flores para colher o néctar, as abelhas também deixam de coletar o pólen.

Três quartos das culturas alimentares do mundo dependem de abelhas e outros polinizadores, um serviço ecossistêmico no valor de US$ 135 bilhões por ano no mundo. “O serviço de polinização é crucial para a humanidade”, disse ao The Guardian o neurocientista Tracey Newman.

Nas últimas décadas, as abelhas produtoras de mel têm visto sua população diminuir significativamente. Muitas causas para o declínio no número de abelhas têm sido sugeridas, como a intensificação da atividade agrícola, que consome grandes áreas de terra, incluindo zonas de polinização desses insetos, doenças crescentes, uso excessivo de inseticidas e até fatores inusitados como sinais de telefones celulares. 

Fonte: Exame.com

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