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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

De campo nazista a cemitério da fuga

Campo de Ferramonti di Tarsia, na região da Calábria, foi o maior dentre 15 mantidos por Benito Mussolini, aliado da Alemanha de Hitler, durante a 2.ª Guerra 


Parte do terreno de um campo de concentração nazista está sendo preparado para abrigar o primeiro cemitério internacional para refugiados mortos no Mediterrâneo. O Campo de Ferramonti di Tarsia, na região da Calábria, foi o maior de 15 campos mantidos por Benito Mussolini, aliado da Alemanha de Hitler, durante a 2.ª Guerra. Dos 3,8 mil judeus aprisionados no campo, entre 1940 e 1943, somente 141 eram italianos.

Desde 2014, quando a guerra na Síria se intensificou, 9.969 pessoas morreram na travessia – 11 por dia. A maioria nunca foi identificada. Os corpos estão enterrados em covas espalhadas por 70 cemitérios comuns – a maioria em cidades e vilarejos da Sicília, onde há sepulturas sem registro e outras identificadas apenas por um número. O projeto da prefeitura de Tarsia prevê que os corpos resgatados do mar, mas não identificados, também sejam sepultados no novo cemitério, que se tornaria um ponto de referência para parentes e amigos dos desaparecidos. 

“Dar às pessoas um enterro digno e a seus parentes um local que possam visitar é um ato humanitário”, diz Franco Corbelli, um ativista local. “A ideia é que seja um cemitério inter-religioso.” O projeto prevê ainda um monumento em homenagem ao menino sírio Aylan Kurdi, cuja imagem em uma praia da Turquia se tornou símbolo da tragédia dos refugiados, e daria nome ao cemitério. 

Pouco sobrou do Campo de Ferramonti, localizado em uma área rural ao longo do Rio Crati, a seis quilômetros da cidade de 2 mil habitantes. À margem do rio fica o cemitério local, onde estão enterrados, em uma parte reservada, os judeus mortos no campo. É na frente deste cemitério que está sendo preparado o terreno para abrigar os refugiados mortos no Mediterrâneo.

A construção do campo teve início no dia 4 de junho de 1940, uma semana antes da entrada da Itália na guerra. Mussolini começou a perseguição e prisão de judeus pouco depois e os primeiros presos chegaram no dia 20. A intenção era deportá-los mais tarde para a Alemanha. 

Maria Lavorato, que trabalha como voluntária na recuperação da história de Ferramonti, conta que quando os alemães chegaram à cidade, o comandante do campo hasteou a bandeira amarela, que indicava epidemia de tifo entre os presos, salvando-os de serem transferidos para Auschwitz. Apenas uma casa que servia de alojamento para os comandantes permanece original, mas está abandonada. O local está sendo recuperado e a área onde ficavam os prisioneiros, abrigará um museu. 

Parte do acervo já pode ser vista em um espaço que tem as bandeiras de Itália e Israel na entrada. Monia Martorando, que trabalha com a integração de refugiados em Tarsia, diz que a restauração, que inclui o cemitério para refugiados, custará € 4,3 milhões, financiados pelo governo da Calabria, governo italiano e UE.

Fonte: Jornal Estadão

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