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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Porque o defunto deixou a igreja:Origem dos cemitérios no século XVII.

Aconteceu no mundo inteiro, um fenômeno curioso no final do século XVII. Por medida sanitária os sepultamentos passam a realizar-se em área aberta, nos chamados campos-santos ou cemitérios secularizados.Isto já não era novidade, japoneses, chineses, judeus e outros povos já traziam tradicionalizada a inumação a "céu aberto". Os protestantes também, em muitos países o faziam.


A mudança afetou principalmente os povos de predominância católica. No Brasil o enterro fora da igreja era reservado aos acatólicos, protestantes, judeus, muçulmanos, escravos e condenados, até que por lei, inspirada na correlação que se fez entre a transmissão de doenças através dos miasmas concentrados nas naves e criptas, se instalaram os campos de sepultamento ensolarados.Um outro motivo, que embora não diga respeito a realidade brasileira merece ser citado, diz respeito a laicização do Estado e sua separação da Igreja. Um exemplo digno de nota é o caso do Pére Lachaise de Paris, que apesar de receber o nome de um padre católico abriga tanto pessoas de várias religiões quanto não-religiosos, sendo um dos dos primeiros cemitérios laicos e também um dos mais famosos do mundo.

A urbanização acelerada e o crescimento das cidades é também uma importante razão para a criação dos cemitérios coletivos a céu aberto, visto que o crescimento populacional desenfreado não permitia mais o sepultamento em capelas e igrejas, que já não comportavam o aumento da demanda.Numa primeira impressão o fato parece ter explicação simples,mas quando se atenta para o resultado ocorrido, sobre mais de um século, estudando-se o fantástico derrame de fortunas nas construções tumulárias pomposas, dos abastados de cada cidade, quando se verifica a diferença de comportamento entre a sepultura de igreja e a de construção livre arbitrada pela fantasia do usuário, e também quando se considera a história social e cultural do mesmo período, então se percebem outras razões no fenômeno. Não foi somente uma questão do ponto de vista higiênico, ou seja, uma razão metade prática e metade científica (e também política e social), da sociedade oitocentista.

Se esta mudança acontecesse apenas por esse motivo, os cemitérios católicos em descampados teriam permanecido sóbrios e padronizados do mesmo modo que os erigidos por irmandades em mausoléus coletivos, ou como os de outras religiões.A simplicidade dos padrões tradicionais e primitivos continuou caracterizando a sepultura coletiva enquanto o fausto e a arrogância da tumulária individual se desenvolveu espantosamente.Portanto a verdadeira razão da grande mudança de atitude e gosto já existia há longos tempos no anseio de monumentalizar-se perante a comunidade. Era e sempre foi o desejo dos mais abastados, distinguir-se através de uma marca perene, de um objeto de consagração- o túmulo- pela atração de compara-se aos grandes personagens da história, sem a menor cerimônia, incluindo nesta leva os soberanos, os faraós, os reis, os papas e os príncipes, que mereceram sepulcros diferenciados dos demais.Há de fato túmulos monumentais de papas de acordo com a pompa de cada época, contudo sempre integrados à construção da igreja.

Há papas que não restaram por virtudes, e sim pela eventualidade do valor artístico, ou monumental de seus túmulos. De qualquer modo, erigia-se a igreja como bem público, integrada ao uso coletivo, e nela se fazia a sepultura do seu doador e benfeitor...Entretanto em muitas igrejas, originalmente levantadas para serem o jazigo do doador, este descansa sob uma lápide que nem perturba o nível do chão.A arte tumulária varia com a data, acompanha cada estilo de época, e de região, e jamais sonega o caráter, a espiritualidade do meio em que ocorre. Sob tal prisma, isto é, tomando-se a arte tumulária como representativa desses atributos, podemos entender as estruturas sociais e culturais dos meios, mesmo quando tal se acha restrita a uma parcela da população. Aliás tal restrição relaciona-se diretamente com o tipo de economia da sociedade, estando deste modo a arte cemiterial condicionada a fatores de caráter sociológico, econômico e cultural.

Apesar da aparência muitas vezes triste, os cemitérios, principalmente os mais antigos podem guardar ricas surpresas para quem se dispõe a procurar. Alguns constituem verdadeiras galerias de arte a céu aberto sendo até mesmo possível encontrarmos peças e esculturas de artistas famosos. Em países como a França e Argentina alguns cemitérios são até mesmo pontos turísticos que atraem viajantes do mundo inteiro como por exemplo os Cemitérios de Pére Lachaise(Paris) e da Recoleta(Buenos Aires).Eles são concorridos pontos turísticos por terem entre seus "moradores eternos" figuras famosas que fizeram história nas artes ou na política. Mas com certeza a beleza da arte tumulária presente nestes cemitérios contribui e muita para a sua fama.No Brasil também encontramos exemplo magníficos de arte tumulária principlamente nos cemitérios de São Paulo como Consolação, Araçá, Paulista e Morumbi. Também existem importantes acervos de arte tumulária no Rio de Janeiro, na Bahia e em Recife. Entretanto ao contrario do que ocorre em outros países são poucos os que percorrem os cemitérios brasileiros para visitação de túmulos ilustres( com exceção do dia de finados) ou que saibam apreciar as obras de arte que estes cemitérios muitas vezes escondem.Muitos dos jazigos presentes nestes cemitérios foram feitos por artistas europeus e com materiais muitas vezes importados, tudo com o objetivo de enaltecer o nome das famílias abastadas.

Em cemitérios como o da Consolação em São Paulo é possível encontrar obras de artistas consagrados como Brecheret e Luigi Brizzolara ao lado de outros não tão conhecidos como Eugênio Pratti e Ramando Zago. Muitos artistas italianos de renome deixaram um enorme acervo de peças espalhadas pelos cemitérios brasileiros, principalmente em São Paulo, e muitas destas peças só agora estão sendo identificadas. Para se ter uma idéia, somente no cemitério do Araça existem cerca de 80 peças catalogadas, de notório valor artístico.O caráter individualizador do nome da família é uma das preocupações do imigrante europeu no Brasil, a partir da segunda metade do século XIX. Os cemitérios de Vila-Verde, Municipal de Curitiba, do Araçá e do Braz de São Paulo formam conjuntos de capelas jazigos familiares, recriando aquela atmosférica domestica dos bairros tradicionais dos imigrantes.A comunidade representa-se, então , no todo do divisionismo e nos hábitos das famílias usuárias, que tratam de suas capelas como se fossem prolongamentos de suas próprias casas, levando para os jazigos os mesmos arranjos decorativos que o seu nível cultural lhes permite refletir.A preocupação do colono europeu na área de enriquecimento imediato era muito tendente a individualizar seu nome, através da exibição de sinais de abastança. O caráter monumental da "última morada" era para muitos fruto de uma ansiedade de se auto-afirmar socialmente.No estudo dos cemitérios brasileiros os estilos se sucedem como nas necrópoles européias, porém com datas defasadas e submetidos às razões da disponibilidade dos materiais locais.Há uma certa diferença entre os objetos produzidos no percurso da belle époque e os que surgiram logo após, de um estilo diferenciado, denominado art noveau. Nas principais metrópoles européias o início da art noveau tem data certa em 1890.O seu surgimento elege a máquina como instrumento de pluralização de produção artística, capacitada para atender o consumo da decoração doméstica, trajes, e objetos de uso cotidiano até o nível da pequena burguesia urbana.

Os meios de lavor artístico adquirem soluções mecânicas com instrumental elétrico de mauito maior rentabilidade de tempo e produção. Brocas serras e polidores elétricos, novos métodos de fundição e metalurgia possibilitam a reprodução de protótipos de objetos de criação artística, ao nível industrial.Em relação a arte cemiterial, tais possibilidades determinam, em todos os centros urbanos de expressão e riqueza, novas e reconhecíveis características. Até então as construções cemiteriais se valiam do trabalho artesanal e da eventualidade artística. Com o trabalho industrial mecanizado, as fundições passaram a fornecer gradis e portões, cercaduras de ornatos, frisos, cruzes e alegorias pré-moldadas, vigas metálicas, colunatas de estruturas , etc. A estatuária não era mais trabalho do escultor, neste caso entendido como o artista criador do objeto modelado. Estatuário na linguagem do século passado, corresponde ao artesão habilitado a reproduzir em pedra os protótipos encomendados, mediante pantógrafo, brocas elétricas e produção em série.O traço que distingue a passagem da arte tumulária neoclassista para a da belle époque corresponde , em primeiro lugar à diminuição, e mesmo esvaziamento da simbologia escatológica tradicional. Estas eram freqüentes, quase obrigatórias na fabricação dos marmoristas de Lisboa, tanto na representação do objeto principal como na distribuição dos elementos alegóricos. A belle epoque se despe da excessiva carga escatológica e se realiza como uma nova espiritualidade lírica, procurando impregnar, até as próprias alegorias, com uma aparência de profundo realismo, de verismo.Por isso logo transforma a figura alada e assexuada dos anjos da estatuária classista, em novos personagens, em anjos de procissão que parecem existir em nosso cotidiano.Os anjos da belle époque ganham sexo, expressam a idade, brincam como crianças, refletem juventude, mas também sabem assumir quando querem traduzir desolação, as atitudes mais teatrais e melodramáticas.

O romantismo das figuras da belle époque embora tenha uma apresentação realística não pode ser identificado com os sinais eróticos que se manifestariam depois na arte tumulária.São igualmente frequentes na arte tumulária da belle époque sinais de referência e de simbolização de fortuna, do prestígio e da propriedade. A presença de alegorias pagãs, como o simbolo do deus Mércurio(ou Hermes, do Comércio), além de outras figuras mitológicas como ninfas também é constante. A belle époque também não foi insensível ao enaltecimento dos produtos industrializados substituindo o bronze pelo ferro em muitas das esculturas.O final do século XIX e principio do século XX foi extremamente rico para a arte cemiterial brasileira por reunir ao mesmo tempo famílias com recursos financeiros e disposição para construir túmulos suntuosos e artistas de grande talento que aqui aportaram, principalmente italianos.São desse período muitas das peças produzidas por Brecheret, de caráter modernista, além de outras peças que denotam sensualidade e monumentalidade, como a dos artistas Emendabili, Oliani e Nicola Muniz.

Todos apresentando uma riqueza de detalhes e leveza surpreendentes.A presença de nus na arte cemiterial é uma grande inovação deste período.Nos cemitérios brasileiros não é tão fácil distinguir-se essa sucessão cronológica dos estilos, comparecendo a belle époque e art noveau muitas vezes como mercadorias importadas, imitadas, dispostas e acumuladas ao longo das quadras. Devido a disposição muitas vezes atrofiada de alguns cemitérios até mesmo observar as peças torna-se muitas vezes um grande sacrifício. Outro fator de prejuízo é sem dúvida a má conservação de muitas das necrópoles brasileiras, algumas centenárias e em estado de total abandono.

Numa perda irreparável de um belo patrimônio artístico nacional.Hoje em dia, com o surgimento dos chamados "cemitérios-jardim" a arte da escultura cemiterial praticamente está extinta.Outro fator que leva a presença cada vez mais escassa de túmulos monumentais, é o alto custo dos materiais como o mármore, ferro e bronze, além da quase inexistência de artistas que se dediquem a este tipo de trabalho. Resta-nos portanto lutar para preservar esta verdadeiras obras de arte que ainda subsistem espalhadas pelos cemitérios brasileiros, começando por reconhecer o seu inestimável valor estético.
Por Beatrix Algrave TÚMULOS PELO MUNDO



OS CEMITÉRIOS TAMBÉM EVOLUEM 02/11/2007 - [08:36]

HISTÓRIA - Cemitérios são considerados espaços sagrados que, inevitavelmente, fazem parte da vida cotidiana.

Os cemitérios, por mais que as pessoas não pensem a respeito, são locais de vida. Embora ocupados pelos mortos são também, em geral, museus que guardam parte da história humana, mas, ao contrário do que se pensa, também são fontes de problemas ambientais e sanitários. Em geral os cemitérios modernos são feitos afastados das cidades, porém, em muitos locais, com o avanço da urbanização os cemitérios acabam encravados ou por serem obstáculos para o progresso.

Há, hoje, em dia toda uma concepção de que os cemitérios para serem preservados precisam ser higiênicos, terem beleza e obras arquitetônicas, respeito às normas do meio ambiente e serem tratados por especialistas que entendam do assunto. Não bastam que existam muitos mortos para que o cemitério seja histórico. Efetivamente precisa ter monumentos tumulários ou obras de arte. Se não possuem a visão moderna é que podem, desde que tomadas às precauções devidas de recuperação de acervo e respeito aos mortos, serem transladados sem qualquer problema. È o que deve ocorrer, por exemplo, com o Cemitério de Santo Antônio.

Cemitério é históriaCemitérios são considerados espaços sagrados que, inevitavelmente, fazem parte da vida cotidiana. Embora seja objeto de representações individuais dos vivos e objeto de temor ou de fantasias, inclusive de aparecimento de almas ou visões, são, de fato, pequenas cidades, sendo regidos por lógicas de organização e de planejamento que movimentam negócios e mostram estratificações sociais identificadas seja pelos enterros, movimentações transitórias, seja pela riqueza, ou pobreza dos jazigos, ou mesmo pelas ruas que separam os túmulos.

Cemitérios são também espaços de arte com sua exposição de anjos, santos e esfinges que lançam olhares inexpressivos aos visitantes como se fossem guardiãs do sono eterno. Sob as construções feitas de pedras e tijolos, frias e duráveis, que parecem ecos da eternidade, encontram-se corpos em processo de decomposição. Os cemitérios, como a vida humana, têm seu lado escuro, porém cemitérios são pura história. Por meio deles também se pode ler um processo de implantação de uma ordem cultural desenvolvida por grupos sociais e a sua inter-relação com a existência humana e sua finitude. Neste caso, a cultura é vista com a perspectiva de como as sociedades elaboram e partilham seus símbolos, signos, práticas e valores como expressões e traduções da realidade.

Cemitérios traduzem a sensibilidade de uma época refletida na materialidade, no espaço construído para retratar o real e o imaginário do ser humano, frente ao que ele sabe e desconhece da vida. Cemitérios são, no fundo, uma expressão do relacionamento do homem com a morte, daí que tem sofrido variações ao longo da história, revelando, assim, sua cultura através de suas práticas funerárias.Origem e evolução Cronologicamente as edificações dos cemitérios na antiguidade foram às catacumbas cristãs. Eram nas paredes das galerias subterrâneas, que se faziam as tumbas para enterrar os mortos e também o local utilizado pelos primeiros cristãos para se reunirem secretamente no período em que ainda eram perseguidos.

O sepultamento em terra tinha um significado importante, pois perspectiva religiosa levava à preservação dos lugares considerados santos, e o cemitério passou a ser considerado um desses espaços. Isto se efetuou em face da fé dos cristãos, podendo ser identificada como elemento responsável pela mudança de comportamento de muitas pessoas em relação a prática de enterramento.

Outro elemento que também contribuiu para que o incentivo aumentasse foi a valorização do culto aos mártires, concedido por parte da instituição eclesiástica, que atraía para seus túmulos pessoas de outros lugares. Diante disto, ser enterrado próximo a esses túmulos significava proteção para o momento do despertar, tendo esse pensamento fundamentado na crença de que os santos possuíam lugar garantido no paraíso. Daí também surgiu a prática de, em muitos desses locais, edificar basílicas, que além da sua função religiosa também serviam para alojar os mortos. Esta prática de enterrar em solo sagrado foi se ampliando ao longo do medievo e muitos cemitérios em espaços abertos foram sendo deixados de lado, passando a se localizarem próximos às igrejas.

Todavia transformações significativas dos cemitérios aconteceram ocorreram a partir da primeira metade do século XVIII, quando foram levados para fora dos jardins e do interior das igrejas. Com isto, os mortos passaram a ser velados e enterrados no circuito íntimo da família. Esta postura veio acompanhada pela redefinição da noção de ritual e da intensificação para individualizar a sepultura, antes privilégio da nobreza e do clero. Também novos critérios médicos foram desenvolvidos, pois a grande quantidade de túmulos, no convívio com os vivos, preocupava os higienistas, que passaram a alertar a população para o grande perigo dessa proximidade. Desenvolveram até mesmo uma a "doutrina dos miasmas", mau-cheiro, chorume e outros odores desagradáveis que segundo os médicos influem na saúde humana, para fundamentar a nova maneira de pensar e agir.

Foram as preocupações de parte dos médicos que acusavam os problemas causados pelos corpos que estavam em processo de decomposição, uma vez que emanavam das sepulturas vapores ou fumaça que transtornava o ar que interferiam diretamente na saúde do ser humano, causando alguns tipos de doenças. Por esta nova perspectiva, a presença do morto se tornava inconveniente e representava perigo aos vivos. De lá para cá os cemitérios tem, cada vez mais, sido pensados como espaços que devem ser isolados da presença humana e, esteticamente, tornados mais bonitos. Cemitério e meio ambiente Nos tempos atuais a qualidade de vida e os problemas ambientais urbanos estão correlacionados, porque a urbanização é um fato que traz problemas que afetam a vida da população.

Hoje já se sabe que qualquer alteração no ambiente, reflete numa cadeia de conseqüências. Essas alterações influenciam na qualidade do meio urbano e conseqüentemente na qualidade de vida das pessoas. Neste sentido os cemitérios podem ser uma fonte geradora de impactos ambientais. Pode haver a contaminação tanto de águas subterrâneas como de águas superficiais, e também dos solos. Esta contaminação é ocasionada pela infiltração das águas pluviais, como um agente de transporte, que em contato com os líquidos da decomposição dos cadáveres, contaminam os aqüíferos. Assim não há como, modernamente, a implantação de um cemitério não requerer todo um estudo do impacto ambiental o que faz com que se desaconselhe a implantação ou manutenção de cemitérios próximos as aglomerações urbanas.

De forma que à medida que o crescimento rural e suburbano continua a caminhar na direção do interior, as comunidades têm de enfrentar o problema dos cemitérios que se interpõem em seu caminho. É uma luta entre o passado e o presente, em seu aspecto mais rígido. Não existe uma solução fácil, já que muitos arquitetos não têm sequer acesso aos mapas que indicam a presença das áreas sagradas. Geralmente isto se constitui num grande problemas, principalmente porque pessoas interessadas em história ou ONGs costumam criar enormes problemas em torno da questão, porém, o importante é preservar o que for possível da história sem deixar de reconhecer que o progresso é inevitável e que, muitos cemitérios, desde que não tenham riquezas arquitetônicas ou tumularia, terão que ser transladados para a rápida expansão do crescimento, novos shopping centers e outros projetos que, com freqüência, são construídos em torno de espaços que antes eram refúgios de paz. Em Porto Velho, por exemplo, isto vai ocorrer com o Cemitério de Santo Antônio por causa da usina que lá será instalada.

Não tem sentido punir os vivos, impedir a melhoria de vida das pessoas por causa dos mortos. O importante é que sejam feitas as recuperações históricas devidas, que se tome o cuidado e as providências para, na medida do possível, cuidar eficientemente do acervo que houver, respeitar a vontade de translado dos parentes que forem vivos, enfim tratar a questão com especialistas que entendam do assunto. Esta é a preocupação que deve nortear o translado do cemitério. O resto, de fato, são interesses menores ou falta de visão do tempo atual. Os problemas atuais Pouca gente sabe, mas, é cada vez mais complexa a manutenção de um cemitério. Muitas vezes, eles ficam cheios e, nos modernos, as gavetas do cemitério precisam ser desocupadas para permitir novos sepultamentos. Em alguns é pratica o sepultamento coletivo, depois de três anos, para permitir um maior espaço. As famílias precisam, então dar um destino aos ossos, pois o ossuário não pode suportar por muito tempo sem realizar um sepultamento coletivo, pela grande quantidade de ossos que acumulam. No cemitério existem catálogos dos restos mortais que não foram procurados pelas respectivas famílias. Após os três anos do enterro, os ossos podem ser transferidos para o ossuário, sempre por iniciativa da família.

Se esta não se pronunciar, a retirada, em geral, é feita pelos órgãos públicos guardado durante mais um ano, até fazer o sepultamento coletivo.Turismo em cemitérios É possível que, à primeira vista, as pessoas estranhem a existência do turismo em cemitério, mas, se raciocinar bem, verá que não há nada de excepcional na atividade. Também nada tem a haver com fantasmas e almas do outro mundo ou qualquer coisa extraterrena. O certo é que, mesmo com uma aparência muitas vezes triste, os cemitérios, em especial os mais antigos guardam belas e ricas surpresas para quem se dispõe a entrar neles. Em muitos se podem ver galerias de arte a céu aberto e encontrar peças e esculturas assinadas por artistas famosos.

Na França e na Argentina, por exemplo, alguns cemitérios são pontos turísticos clássicos que atraem milhares de viajantes do mundo inteiro como, por exemplo, os Cemitérios de Pére Lachaise, em Paris, que recebe mais de um milhão de pessoas por ano, e da Recoleta em Buenos Aires.Turismo no cemitério é uma prática cultivada em várias partes do mundo como forma de divulgar a história e a cultura de uma cidade. E a procura por esses concorridos pontos turísticos se processa também por muitos terem entre seus "moradores eternos" nomes famosos que marcaram presença na história, no esporte, nas artes ou na política. No entanto, também a beleza da arte tumulária presente nos cemitérios contribui e muita para a sua fama.

No Brasil são exemplos magníficos da arte tumularia, em São Paulo, os cemitérios da Consolação, Araçá, Paulista e Morumbi. No Rio de Janeiro, Bahia e Recife também encontramos acervos de arte tumulária. Em Porto Velho há o Cemitério dos Inocentes que, inclusive, tem toda uma quantidade de túmulos e imagens que, certamente, merecem uma visita por sua beleza. É preciso apreciá-las com olhar de quem está num museu. Verá, então, diferenças entre peças da belle époque, barroco e art noveau. Vale a pena dar uma olhada. Significado do termo "cemitério" A palavra cemitério do grego koimetérion, "dormitório" do latim coemeteriu, era a designação, a princípio, do lugar onde se dorme, quarto, dormitório.

Foi com a influência do cristianismo que o termo tomou o sentido de campo de descanso após a morte. O cemitério também é conhecido como necrópole, carneiro, sepulcrário, campo-santo e vários eufemismos, como "cidade dos pés juntos" e "última morada". A palavra teve uma evolução semântica ao longo do tempo, impondo-se definitivamente na língua francesa, desde o século XVI. Em inglês o emprego da palavra cemetery na linguagem corrente só aparece muito depois. Churchyard ou graveyard só foram substituídas por cemetery no século XIX e para designar, por oposição, uma outra forma de cemitério, o rural cemetery. Na terminologia hebraica, o cemitério é designado por termos bastante surpreendentes: Berth Olam (casa da eternidade) e beth ha'hayim (casa da vida).
Fonte: BSATI - Jornal ALTO MADEIRA do dia 21/22 de outubro de 2007 / Blog Gente de Opinião.

Uma Breve História dos Cemitérios

por Paulo Hipólito Sobre o autor[1]

Para que se possa entender a história dos cemitérios, é necessário refletirmos a cerca da evolução da concepção da morte que nortearam as práticas de enterramento desde os primórdios da humanidade. É a partir de uma determinada crença sobre a morte que justificará o destino que os vivos darão aos mortos. Só tendo como guia o imaginário da morte que compreenderemos as várias formas de enterramento na história humana.Lewis Mumford [2] nos coloca algo interessante acerca da origem dos cemitérios, expondo que “a cidade dos mortos antecede a cidade dos vivos”, uma vez que:

“Em meio às andanças inquietas do homem paleolítico, os mortos foram os primeiros a ter uma morada permanente: uma caverna, uma cova assinalada por um monte de pedras, um túmulo coletivo”. O que podemos tirar disso é que, desde os primórdios da humanidade, a preocupação com o “lugar do morto” já se mostrava presente.No período Neolítico, os cadáveres eram colocados em cavernas naturais onde a entrada era fechada por uma rocha. “Eis a primeiras sepulturas dos povos neolithicos as quais não tardam a sofrer numerosas variantes, segundo o grau de civilização de cada grupo ou tribo, segundo os climas e a constituição geológica do terreno ocupado” [3]. Mas as cavernas não davam conta dos mortos, então passaram a construir sepulturas artificiais.Embora as cavernas representarem as primeiras formas de sepulturas, elas não serão as formas predominantes de enterramento no período Neolítico.

Havia o chamado dolmens, que em betão significa mesa de pedra, círculo de pedra ou pedra erguida. Embora tivesse havido dolmens em tamanhos colossais – 12 ou 15 metros de diâmetro – geralmente o dolmens era[...] formado por quatro lousas toscas collocadas n’uma cova e cobertas por uma quinta apenas apparente á superfície do solo.Tem a fórma d’uma pyramide troncada medindo approximadamente um metro em largura e profundidade, de modo que o cadaver só pode alli ser recolhido assentado e dobrado sobre si mesmo. [4]Percebemos, então, que os primeiros seres humanos já demonstravam um certo respeito pelos seus mortos, reservando-os um lugar adequado para eles. Seja pelo mal da putrefação do cadáver, ou pela inexplicável razão para desaparecimento repentino da força motora do corpo, o morto foi ganhando o seu espaço e dedicação no mundo dos vivos. Muitos povos, mesmo não compreendendo o motivo para a perda da atividade motora, sabiam que se tratava de um novo estágio do corpo.

Então alimentavam a crença de que, nesse outro estágio, os mortos continuavam a ter as mesmas necessidades das que tinham em vida. Por isso os mortos eram enterrados usando os objetos que mais gostavam, além de ainda serem postos alimentos sobre suas sepulturas [5].A falta de explicação para o fenômeno da morte é o que levará muitas sociedades, principalmente os egípcios na antiguidade clássica, a crerem na vida após a morte. Daí os cuidado para que o corpo não se desintegrasse – os processos de mumificação – se tornaram uma peculiaridade dos egípcios. Já os faraós, alem de serem mumificados, eram postos em templos gigantescos – as pirâmides – simbolizando a importância que eles representavam para a sociedade e seu poder central. Na antiguidade Greco-romana, os mortos eram os primeiros que “recepcionavam” os viajantes: “a primeira coisa que saudava o viajante que se aproximava de uma cidade grega ou romana era a fila de sepulturas e lápides que ladeavam as suas estradas” [6]. Com os gregos e os romanos irão surgir muitos dos costumes que perdurarão até hoje, como transcrever inscrições nas lápides tumulares, pôr flores sobre os túmulos, além de alimentos.

Foram a partir desses costumes que a memória do morto passou a ser preservada e cultuada, assumindo diversas feições ao longo dos tempos [7].A prática dos romanos em enterrar seus mortos em beiras de estradas mudará conforme o avanço do cristianismo na sociedade. Só então que “[...] surgiu a tendência de aglomerar os defuntos nas proximidades dos lugares sagrados, como tumbas de santos e igrejas, na perspectiva do Juízo Final e da ressurreição dos corpos” [8]. Como o enterro estava – e ainda está – relacionado à crença na ressurreição do corpo, qualquer outro destino para o morto – como a cremação, por exemplo – era repudiado pela doutrina cristã, sob alegação de que outras práticas anulavam a imagem que se tem do sono a espera do despertar [9].Segundo Araújo [10], os cemitérios similares aos que vemos hoje só surgem em plena Idade Média, quando os mortos passam a lotar as dependências da igreja e o seu redor.

A igreja será quem primará em preservar os túmulos, o que fará com que o cemitério se construa em seu redor, conforme cita Schmitt: “(...) o cemitério é cercado por um muro, sobre o qual o bispo, quando de suas visitas paroquiais, lembra constantemente a necessidade de conservá‐lo para separar o espaço sagrado do espaço profano e impedir os animais de vagar entre as sepulturas” [11].No período medieval, o cemitério representará muito mais que uma necrópole, ou seja, uma cidade restrita aos mortos. Segundo Fargette-Vissière [12], os cemitérios medievais eram espaços bastante procurados e, porque não, cobiçados pelas pessoas da época. Neles eram desenvolvidas muitas atividades sociais: De dia ou de noite, era neles que a população das maiores cidades européias buscava se divertir, quando não fixar residência provisória ou definitiva. Além disso, as necrópoles eram também um espaço de cidadania, pois lá sempre estavam juízes a comunicar sentenças, e o equivalente aos prefeitos de hoje a dar publicidades a suas ações. Esses locais funcionavam ainda como cartórios a céu aberto.

Não que as condições ajudassem, pois já havia acúmulo de corpos e problemas de higiene e limpeza. Mas, de fato, os cemitérios atraíam. Eram um componente da urbanidade de então, construída através dos séculos e com origens bastantes remotosVimos que os cemitérios medievais eram muito animados, mas não para por aí. Alguns construíam até tabernas em suas dependências, pois esses locais representavam autênticos lugares de sociabilidade; um verdadeiro ponto de encontro para quem procurava diversão. “Os cemitérios nesta época eram completamente integrados à comunidade, localizando-se no centro da mesma, servindo depois do sepultamento como pasto para o gado, local de feiras, jogos, atalhos para outras áreas e depósitos de lixo” [13].

Os cemitérios também eram muito procurados pelos casais, visto ser um lugar tranquilo para o namoro, e pelas pessoas que buscavam um relacionamento: os jovens “[...] cortejavam as moças à sombra dos ossários e dançavam entre os túmulos a farândola, uma dança medieval muito popular, em que vários participantes fazem uma roda, que evolui para outras formações” [14].Mesmo a Igreja Católica tendo proibido muitas das práticas sociais antes desenvolvidas dentro dos cemitérios, estes ainda continuaram sendo um local de intensa agitação até o século XIX, quando os cuidados com a higiene transportará os cemitérios para longe das cidades.

Aqui no Brasil, até a primeira década do século XIX, os mortos eram enterrados apenas trajando um manto cobrindo o corp, posto que os cuidados com a higiene não havia se tornado praxe no Brasil imperial [15]. Nos cemitérios de pretos, nas principais cidades brasileiras, os escravos eram lançados em covas muito rasas e, depois de um tempo, os corpos ficavam expostos ao ar livre, sendo que as pessoas nem se preocupavam com isso. As pessoas conviviam pacificamente com os odores exalados pelos mortos. Quando a preocupação com a higiene passou a ser tema central no império brasileiro, a partir da segunda metade do século XIX, visto que já era uma realidade na Europa, os governos passaram a aderir a esse novo padrão, reorganizando o espaço e a relação dos mortos com os vivos. Segundo Reis, “uma organização civilizada do espaço urbano requeria que a morte fosse higienizada, sobretudo, que os mortos fossem expulsos de entre os vivos e segregados em cemitérios extra-muros.” [16].

Nessa perspectiva, os cemitérios vão agora se afastar das cidades, estabelecendo-se a divisão entre as cidades dos vivos e dos mortos. “Hoje, em algumas cidades, a zona urbana cresceu tanto que de novo aproximou os mortos dos vivos” [17], como é o caso do cemitério São João Batista de Guarabira-PB, assim como o cemitério de mesmo nome, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. Percebe-se, no entanto, que os cemitérios se afastaram das cidades, mas não das igrejas, sendo que cada novo cemitério construído terá sua capela situada no centro da necrópole, onde são feitas missas e orações aos mortos. Esse padrão será o que prevalecerá ainda nos dias atuais, mesmo surgindo outras tipos de cemitérios e práticas de enterramento.




Referências: ARAÚJO, Thiago Nicolau de. Túmulos celebrativos do Rio Grande do Sul: múltiplos olhares sobre o espaço cemiterial (1889 – 1930). Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008.BAYARD, Jean-Pierre. Sentido Oculto dos Ritos Funerários: morrer é morrer? São Paulo: Paulus, 1996.CRUZ, Manoel Pereira da. Cemitérios. Dissertação (Mestrado em Medicina). Porto: Escola Médico-cirúgica, 1882.FARGETTE-VISSIÈRE, Séverine. Os animados cemitérios medievais. História Viva. 67 ed, p. 48-52, maio, 2009.FARIA, Sheila de Castro. Viver e morrer no Brasil colônia. São Paulo: Moderna, 1999.MUMFORD, Lewis. A cidade na história: suas origens, transformações e perspectivas. Trad.: Neil R. da Silva. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.REIS, João José. A morte é uma festa: ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.ROSA, Edna Terezinha da. A relações das áreas de cemitérios com o crescimento urbano. Dissertação (Mestrado em Geografia). Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2003.SCHMITT, Jean Claude. Os vivos e os mortos na sociedade medieval. Trad.: Maria Lucia Machado. São Paulo: Cia das Letras, 1999.[1] Graduado em História pela Universidade Estadual da Paraíba – UEPB.[2] MUMFORD, Lewis. A cidade na história: suas origens, transformações e perspectivas. Trad.: Neil R. da Silva. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998, p.13.[3] CRUZ, Manoel Pereira da. Cemitérios. Dissertação (Mestrado em Medicina). Porto: Escola Médico-cirúgica, 1882, p.10.[4] Idem, p.13.[5] ARAÚJO, Thiago Nicolau de. Túmulos celebrativos do Rio Grande do Sul: múltiplos olhares sobre o espaço cemiterial (1889 – 1930). Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008, p.30.[6] MUNFORD, Op. Cit., p.13.[7] BAYARD, Jean-Pierre. Sentido Oculto dos Ritos Funerários: morrer é morrer? São Paulo: Paulus, 1996, 133.[8] FARGETTE-VISSIÈRE, Séverine. Os animados cemitérios medievais. História Viva. 67 ed, p. 48-52, maio, 2009, p.49.[9] ROSA, Edna Terezinha da. A relações das áreas de cemitérios com o crescimento urbano. Dissertação (Mestrado em Geografia). Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2003, p.16[10] ARAÚJO, Op. Cit., p.36.[11] SCHMITT, Jean& Claude. Os vivos e os mortos na sociedade medieval. Trad.: Maria Lucia Machado. São Paulo: Cia das Letras, 1999, p.204.[12] FARGETTE-VISSIÈRE, Op. Cit., p.49.[13] ROSA, Op. Cit., p.17.[14] FARGETTE-VISSIÈRE, Op. Cit., p.51.[15] FARIA, Sheila de Castro. Viver e morrer no Brasil colônia. São Paulo: Moderna, 1999, p.56.[16] REIS, João José. A morte é uma festa: ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1991, p.247.[17] FARIA, Sheila de Castro. Viver e morrer no Brasil colônia. São Paulo: Moderna, 1999, p.57. Parte superior do formulárioParte inferior do formulário






Cemitério e meio ambiente

Nos tempos atuais a qualidade de vida e os problemas ambientais urbanos estão correlacionados, porque a urbanização é um fato que traz problemas que afetam a vida da população. Hoje já se sabe que qualquer alteração no ambiente, reflete numa cadeia de conseqüências. Essas alterações influenciam na qualidade do meio urbano e conseqüentemente na qualidade de vida das pessoas. Neste sentido os cemitérios podem ser uma fonte geradora de impactos ambientais. Pode haver a contaminação tanto de águas subterrâneas como de águas superficiais, e também dos solos. Esta contaminação é ocasionada pela infiltração das águas pluviais, como um agente de transporte, que em contato com os líquidos da decomposição dos cadáveres, contaminam os aqüíferos. Assim não há como, modernamente, a implantação de um cemitério não requerer todo um estudo do impacto ambiental o que faz com que se desaconselhe a implantação ou manutenção de cemitérios próximos as aglomerações urbanas. De forma que à medida que o crescimento rural e suburbano continua a caminhar na direção do interior, as comunidades têm de enfrentar o problema dos cemitérios que se interpõem em seu caminho. É uma luta entre o passado e o presente, em seu aspecto mais rígido. Não existe uma solução fácil, já que muitos arquitetos não têm sequer acesso aos mapas que indicam a presença das áreas sagradas. Geralmente isto se constitui num grande problemas, principalmente porque pessoas interessadas em história ou ONGs costumam criar enormes problemas em torno da questão, porém, o importante é preservar o que for possível da história sem deixar de reconhecer que o progresso é inevitável e que, muitos cemitérios, desde que não tenham riquezas arquitetônicas ou tumularia, terão que ser transladados para a rápida expansão do crescimento, novos shopping centers e outros projetos que, com freqüência, são construídos em torno de espaços que antes eram refúgios de paz. Em Porto Velho, por exemplo, isto vai ocorrer com o Cemitério de Santo Antônio por causa da usina que lá será instalada. Não tem sentido punir os vivos, impedir a melhoria de vida das pessoas por causa dos mortos. O importante é que sejam feitas as recuperações históricas devidas, que se tome o cuidado e as providências para, na medida do possível, cuidar eficientemente do acervo que houver, respeitar a vontade de translado dos parentes que forem vivos, enfim tratar a questão com especialistas que entendam do assunto. Esta é a preocupação que deve nortear o translado do cemitério. O resto, de fato, são interesses menores ou falta de visão do tempo atual.

Os problemas atuais

Pouca gente sabe, mas, é cada vez mais complexa a manutenção de um cemitério. Muitas vezes, eles ficam cheios e, nos modernos, as gavetas do cemitério precisam ser desocupadas para permitir novos sepultamentos. Em alguns é pratica o sepultamento coletivo, depois de três anos, para permitir um maior espaço. As famílias precisam, então dar um destino aos ossos, pois o ossuário não pode suportar por muito tempo sem realizar um sepultamento coletivo, pela grande quantidade de ossos que acumulam. No cemitério existem catálogos dos restos mortais que não foram procurados pelas respectivas famílias. Após os três anos do enterro, os ossos podem ser transferidos para o ossuário, sempre por iniciativa da família. Se esta não se pronunciar, a retirada, em geral, é feita pelos órgãos públicos guardado durante mais um ano, até fazer o sepultamento coletivo.

Turismo em cemitérios

É possível que, à primeira vista, as pessoas estranhem a existência do turismo em cemitério, mas, se raciocinar bem, verá que não há nada de excepcional na atividade. Também nada tem a haver com fantasmas e almas do outro mundo ou qualquer coisa extraterrena. O certo é que, mesmo com uma aparência muitas vezes triste, os cemitérios, em especial os mais antigos guardam belas e ricas surpresas para quem se dispõe a entrar neles. Em muitos se podem ver galerias de arte a céu aberto e encontrar peças e esculturas assinadas por artistas famosos. Na França e na Argentina, por exemplo, alguns cemitérios são pontos turísticos clássicos que atraem milhares de viajantes do mundo inteiro como, por exemplo, os Cemitérios de Pére Lachaise, em Paris, que recebe mais de um milhão de pessoas por ano, e da Recoleta em Buenos Aires.Turismo no cemitério é uma prática cultivada em várias partes do mundo como forma de divulgar a história e a cultura de uma cidade. E a procura por esses concorridos pontos turísticos se processa também por muitos terem entre seus "moradores eternos" nomes famosos que marcaram presença na história, no esporte, nas artes ou na política. No entanto, também a beleza da arte tumulária presente nos cemitérios contribui e muita para a sua fama. No Brasil são exemplos magníficos da arte tumularia, em São Paulo, os cemitérios da Consolação, Araçá, Paulista e Morumbi. No Rio de Janeiro, Bahia e Recife também encontramos acervos de arte tumulária. Em Porto Velho há o Cemitério dos Inocentes que, inclusive, tem toda uma quantidade de túmulos e imagens que, certamente, merecem uma visita por sua beleza. É preciso apreciá-las com olhar de quem está num museu. Verá, então, diferenças entre peças da belle époque, barroco e art noveau. Vale a pena dar uma olhada.

Significado do termo "cemitério"

A palavra cemitério do grego koimetérion, "dormitório" do latim coemeteriu, era a designação, a princípio, do lugar onde se dorme, quarto, dormitório. Foi com a influência do cristianismo que o termo tomou o sentido de campo de descanso após a morte. O cemitério também é conhecido como necrópole, carneiro, sepulcrário, campo-santo e vários eufemismos, como "cidade dos pés juntos" e "última morada". A palavra teve uma evolução semântica ao longo do tempo, impondo-se definitivamente na língua francesa, desde o século XVI. Em inglês o emprego da palavra cemetery na linguagem corrente só aparece muito depois. Churchyard ou graveyard só foram substituídas por cemetery no século XIX e para designar, por oposição, uma outra forma de cemitério, o rural cemetery. Na terminologia hebraica, o cemitério é designado por termos bastante surpreendentes: Berth Olam (casa da eternidade) e beth ha'hayim (casa da vida).

Fonte: BSATI - Jornal ALTO MADEIRA do dia 21/22 de outubro de 2007 / Blog Gente de Opinião.

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