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quinta-feira, 25 de maio de 2017

High-tech agora e na hora da morte: cemitérios de Salvador investem em tecnologia

Cerimônias fúnebres comuns, com celebração, cortejo e sepultamento, andam sendo incrementadas na capital


A tecnologia está tão presente nas nossas vidas que não nos abandona nem na hora da morte. Para não ficar atrás, cemitérios de Salvador têm investido em modernidade para oferecer mais conforto - e mais opções - a quem perde seus entes queridos.

Desde 2012, por exemplo, é possível fazer um velório online no Cemitério do Campo Santo. Com autorização dos familiares, o corpo pode ser velado na Sala 2, enquanto parentes e amigos que moram longe de Salvador acompanham a cerimônia que marca o último adeus pela internet - e não é preciso pagar mais por isso, já que a transmissão está inclusa nos R$ 880 pagos pelo aluguel do espaço.

Apesar de não ser um serviço tão recente, a transmissão está suspensa, por enquanto, porque a rede de internet do Campo Santo está sendo reestruturada - o local ainda oferece wifi. 

Enquanto isso, os outros cemitérios correm atrás do prejuízo: ainda este ano, o serviço deve ser oferecido no Bosque da Paz e Jardim da Saudade.  “Isso é conforto para a família. Quantas pessoas queriam estar presentes e não podem?”, comenta o diretor do Bosque da Paz, Samuel Freire.

Página do luto

A administração do Cemitério Jardim da Saudade, em Brotas, planeja mais. Entre as ideias, está a criação de uma página do luto, em que os conhecidos do falecido poderão deixar uma mensagem para família. “Estamos nos reunindo com uma agência de Marketing para ver de que forma vamos inserir a tecnologia no Cemitério. Vamos ver que infraestrutura será necessária, como o uso de câmeras e softwares”, diz o diretor da instituição, Marcelo Paganucci.

No Campo Santo, algo parecido já é possível: quem visitar as gavetas na nova ala, inaugurada na semana passada, poderá acessar uma pequena biografia e até fotos da pessoa que está sepultada nos novos jazigos. Isso graças à padronização das placas de identificação das gavetas do cemitério, que além do nome, data de nascimento e falecimento do morto, traz um QR Code: basta usar a câmera do celular e navegar pela página virtual.

“A família pode alimentar com informações e fotos da pessoa que está ali”, explica o gerente do Campo Santo, Roberto Taboada. Com um aplicativo leitor deste código, o visitante do cemitério pode ainda acender uma vela virtual, fazer uma oração ou deixar uma mensagem. A família do falecido recebe uma notificação via telefone e e-mail. 

Sem espaço

A tecnologia também é usada em cemitérios para otimizar o abrigo de jazigos. Com o crescimento da população, diminuem os terrenos disponíveis e, consequentemente, o espaço para enterrar os mortos. No Japão, por exemplo, alguns cemitérios são em forma de arranha-céus, em que gavetas com os caixões são empilhados em vários andares.

Na última terça (9), o Santo inaugurou uma nova ala de gavetas de baixo impacto ambiental, que vai duplicar a capacidade de sepultamento do cemitério. Composta por 796 jazigos, o novo modelo  promete resolver os problemas de espaço no cemitério de 185 anos, que suspendeu os enterros em covas rasas e não tem mais espaço para construção de mausoléus.

Sustentabilidade 
Nos próximos três anos, serão lançadas 10 mil vagas em unidades deste tipo. Este mês, também serão inaugurados mil novos ossuários dotados da mesma tecnologia.

A principal diferença dos jazigos já existentes, os chamados carneiros, para o novo modelo é a sustentabilidade. A gaveta é feita de uma mistura de fibra de vidro com material reciclado. As tampas, feitas de Eco-Granito, também utiliza resíduos reaproveitados.

A base do composto sustentável é uma mistura de casca de coco, bagaço de cana e garrafas pet. “Para cada gaveta, a gente consegue tirar da natureza cerca de 160 garrafas pet”, disse o mantenedor da Santa Casa de Misericórdia, que mantém o Campo Santo, Roberto Sá Menezes.

Além disso, foi implantado o sistema “Eco No-Leak”, que reduz as chances de poluição. Tubos instalados dentro dos jazigos fazem a aspiração de gases tóxicos expelidos durante o processo de decomposição dos corpos. Estes gases são tratados em uma estação no próprio cemitério e liberados para o meio ambiente em forma de hidrogênio. O processo é controlado por computador.

Um dos poluentes mais perigosos liberados pelos cadáveres, o gás sulfídrico, um dos grandes responsáveis pela chuva ácida, tem a concentração reduzida em 95%. Este gás também causa o mau cheiro característico de processos de decomposição orgânica.

Em grandes proporções, o gás sulfídrico pode matar - em um lugar fechado, uma pessoa morre em 30 minutos. Atualmente, a filtragem é feita pela terra, em covas, e por uma coluna de carvão ativado, em gavetas, reduzindo o mau cheiro.

O líquido produzido pelo necrochorume, também é aspirado e devolvido ao ambiente em forma de vapor d’água. “Além disso, é removido o oxigênio e mantidas as umidades e temperaturas e pressão do meio externo, permitindo a decomposição natural, realizada por bactérias já existentes no próprio corpo”, explica Guilherme Lithg, diretor da empresa criadora da tecnologia, a VilaTec.

Os jazigos são hermeticamente fechados com um material elástico, que impedem vazamentos de materiais expelidos pelos corpos. Toda essa tecnologia, que não usa cimento para o fechamento dos jazigos, permitirá que o tempo de um sepultamento passe de 50 para cinco minutos.

Passado 
Outras tecnologias já disponíveis fazem a morte causar menos danos ou dor para quem fica. Uma das mais antigas é a tanatopraxia, que permite a desinfecção do corpo e a reconstituição da aparência original. O processo envolve o disfarce de hematomas, cicatrizes de acidentes ou inchaços, ou até mesmo reconstrução de partes desfiguradas.

Ainda há a cremação, que existe há milhares de anos e é um dos modos mais ecológicos de deixar este plano. Durante o processo de queima em fornos de alta temperatura, são liberados majoritariamente água e gás carbônico, já que gases tóxicos ficam retidos pelos filtros.

Fonte: Correio 24 horas

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