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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Modelo Agrícola E Reforma Agrária, Artigo De Roberto Naime

Leonam Bueno Pereira e Raimundo Pires Silva realizam fundamentada reflexão denominada ‘Quando os gafanhotos constroem o amanhã’ sobre o modelo de agricultura convencional.


A metáfora dos Gafanhotos que dá título a este artigo é bem a dimensão do significado da questão ambiental no país, e em especial, da preservação de nossas florestas. Por economia de espaço não se vai reproduzir as narrativas sobre a ‘praga de gafanhotos’ que sobrevêm sobre Judá, descrita no Livro de Joel (antigo testamento).

O duvidoso argumento de que irão faltar alimentos não serve para justificar mais nada no atual estágio civilizatório. Está mais do que comprovado que fome ou carência alimentar está associada com distribuição de renda e equidade social.

Uma característica muito notória da agricultura brasileira é conduzir o aumento de produção a partir da expansão da área ocupada pelas culturas, como se não existisse tecnologia suficiente e disponível para se ampliar a produção dos cultivos por hectare ocupado com a atividade.

Na verdade, o hábito da ocupação latifundiária permanece, predador das matas do país tendo por base a ocupação extensiva. Migram como gafanhotos ocupando as terras a partir da abertura das matas, e quando encontra a resistência da agricultura familiar, a violência é a opção.

A atuação do governo e de setores da sociedade, nessa discussão sobre o tema da agricultura convencional e da preservação ambiental, esquece o ponto mais importante. A função social da propriedade da terra.

A função social exige o cumprimento de quatro itens e entre eles, a utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio ambiente. Isto está na Constituição. A função social da propriedade deve ser a concepção básica a determinar diretrizes.

Hoje em dia, uma sociedade que se pretende desenvolvida, ou que almeja ser classificada como desenvolvida, não pode medir esse desenvolvimento apenas pelos números das exportações de meia dúzia de commodities.

O discurso hipócrita coloca que existe um embate entre ruralistas e ambientalistas, e de que caberá ao governo, o papel de ?restabelecer o mínimo de bom senso na discussão das regras de preservação ambiental e a produção de alimentos no país?.

A produção de alimentos não está em jogo no país. O que está em jogo é uma vergonhosa e escandalosa nova rodada de impunidade, liberalidade e condescendência para com um grupo de pessoas e empresas que pretendem se valer do discurso produtivo para legalizarem suas ilegalidades. Assim, é preciso denunciar que o que vem por ai que são os gafanhotos destruidores.

Esta mudança deve começar logo, juntando as lutas singulares, os esforços diários, os processos de auto-organização e as reformas para retardar a crise, com uma visão centrada numa mudança de civilização e uma nova sociedade em harmonia com a natureza.

Não é preciso esperar catástrofe ecológica ou hecatombe civilizatória para determinar nova autopoiese sistêmica.

Não faz sentido exercer qualquer condenação prévia e apriorística da biotecnologia ou de qualquer substância química, com apropriação dogmática.

Qualquer inovação tecnológica teve como estimulação, os benefícios que podem ser gerados, embora possam ter trajetória tão diferenciada quanto são as intenções e predisposições de toda humanidade. Assim, todos os procedimentos merecem isenção e avaliações em cada caso, e não condenações gerais de qualquer natureza, que respondam a anseios dogmáticos ou políticos.

Conforme já se referiu, mesmo que não se apregoe qualquer restrição às evoluções científicas que inegavelmente são representadas por incrementos na transgenia ou por aprimoramentos de moléculas na indústria química, não custa nada admoestar a todas as partes interessadas que é preciso ter um pouco de humildade. É estes princípios não são respeitados pela chamada agricultura convencional ou ‘agrobusiness’.

Mecanismos de proteção que podem até interferir na seleção natural, são temerários, sem compreender todas as relações implícitas ou explícitas, e não lineares ou cartesianas da homeostase dos ecossistemas.

Assim, parece um pouco pretensioso na atual fase de conhecimentos da civilização humana implementar estes incrementos sem considerar os princípios de precaução e sem mobilizar tentativas mais sistêmicas e holísticas de se apropriar da realidade.

Mas é inegável que da forma que opera na atual autopoiese sistêmica do arranjo de equilíbrio social, a indústria agroalimentar não é apenas incapaz de oferecer uma solução, é ela própria uma das grandes causadoras da crise climática.

E neste sentido a reforma agrária que coloca indivíduos com outra concepção da terra no meio natural, pode contribuir para o restabelecimento da homeostase ecossistêmica. Da qual o meio ambiente e a vida dependem. E dispensar as nuvens de gafanhotos.

Referência;



Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte: EcoDebate

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