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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Mercado pet movimenta R$ 18 bi e tem até cemitério

Sepultamento custa R$ 1.300 e tem de tudo, inclusive transmissão pela internet para “familiares”


A convivência com os animais de estimação está mudando os hábitos dos humanos, entre eles os de consumo. Não por acaso, a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) registrou um movimento de R$ 18 bilhões no ano passado, 7,8% a mais do que em 2014, em plena crise econômica. Até na hora de se despedir do companheiro de quatro patas o comportamento mudou, e cada vez mais “pais”, “mães” e “irmãos” humanos buscam os cemitérios para animais de pequeno porte, que podem oferecer o sepultamento ou a cremação.

“Quando eu era criança não tinha nada disso. Cachorro comia as sobras. Hoje tem uma alimentação balanceada. Acho altamente positivo, uma demonstração de evolução da nossa civilização”, avalia o servidor público Luiz Gomes Martins, 62, que utilizou os serviços de cremação do Bosque das Águas Claras, um cemitério e crematório de pequenos animais que fica em São Sebastião das Águas Claras (Macacos), distrito de Nova Lima. Existem mais opções de sepultamento e crematório de animais em Betim e Igarapé, na região metropolitana, e em Itabirito.

Os preços de cremação individual variam de R$ 700 até R$ 1.230, de acordo com o peso do animal, até 50 kg. No caso do sepultamento, o valor é único, R$ 1.300, mas há uma taxa de manutenção anual de R$ 130. Entre os serviços incluídos nesses valores estão o traslado, o velório, o certificado de cremação ou sepultamento e o memorial online, além da urna simples ou pingente para as cinzas, no caso da cremação. “Foi muito importante o serviço de traslado, porque fiquei atônito quando minha cachorrinha morreu. E achei o preço bem acessível”, afirma o estudante de direito Pedro Neto, 23, que já cremou dois “irmãos”, como ele denomina, no Bosque das Águas Claras.

O cliente também pode optar por transmitir o velório pela internet para que “familiares” distantes que não puderam ir até o cemitério vejam o ritual.“Tenho clientes que fizeram o velório toda uma manhã, e vieram oito membros da família”, conta a sócia-administradora do Bosque das Águas Claras, Nilceia Lage.

Os itens opcionais podem fazer com que o preço inicial tenha um incremento de até 30% no valor inicial do serviço, segundo Nilceia. Os clientes podem escolher modelos diferenciados de urnas para as cinzas, de caixões e de pingentes, nos quais uma parte das cinzas são depositadas.

Economia. A cremação coletiva é mais econômica e varia de R$ 280 a R$ 660 para animais até 50 kg. Ele também inclui o traslado, velório, memorial online, certificado. Porém, nesse caso, não é possível separar as cinzas. O plano funerário é outra alternativa mais econômica já que permite o pagamento em dez parcelas mensais.

Espaço evita contaminação

A preservação ambiental motiva a procura pelos cemitérios de animais. “Temos que ter uma preocupação com o meio ambiente e evitar contaminação”, diz a psicóloga Heliane Gomes de Azevedo, 53, que cremou a cadela Lili e ainda tem mais sete cachorros.

“Mesmo quem tem espaço pode repensar se vai enterrar um animal no quintal. Isso pode contaminar um lençol freático”, explica a sócia-administradora do Bosque das Águas Claras, Nilceia Lage. (LP)

Próximo a BH

Cemitério e Crematório dos Animais A Reviver
www.cemiteriodosanimais.com.br

Cemitério Parque Bosque São Francisco de Assis
www.cemiteriodeanimais.blogspot.com.br

Bosque das Águas Claras
www.bosquedasaguasclaras.com.br/memorial

Lumina Memorial Crematório de Animais
www.facebook.com/LuminaMemorial

Investimento foi de R$ 2 mi

O investimento para a criação do cemitério e crematório de pequenos animais Bosque das Águas Claras foi de R$ 2 milhões. O empreendimento começou a ser construído há cinco anos, mas só iniciou suas atividades em outubro do ano passado. “Demorou porque precisávamos de várias licenças ambientais e alvarás”, explica a sócia-administradora do Bosque das Águas Claras, Nilceia Lage.

“O mercado de pet é uma tendência que veio para ficar. A relação das pessoas com seus animais mudou”, afirma Nilceia. Segundo a proprietária, mesmo com a crise, o empreendimento está no azul e fatura o suficiente para cobrir as despesas mensais. “Imaginamos que de um ano e meio a dois anos teremos retorno do investimento”, diz.

Nova vida. Nilceia abriu mão de uma carreira como bibliotecária e professora de pós-graduação para apostar no mercado pet. “Tinha um salário bom, benefícios, mas em uma área que eu não acreditava mais. O Google acabou com o trabalho da bibliotecária. Já esse mercado está em ascensão, muita gente ainda não conhece, mas quem já esteve aqui ficou satisfeito”, afirma.

Fonte: Jornal O Tempo

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