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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Cemitérios

O tema é cemitérios. Ainda não li textos que reivindicassem melhorias para esses locais. Também nunca vi campanhas que defendessem investimentos neles.
O assunto não dá repercussão, mídia, e muito menos foco de políticas públicas. Por que investir em cemitérios? Mortos não votam, não precisam de conforto, saúde, educação, segurança e alimentação. Não necessitam nem de amor. Basta o silêncio mesclado ao som do canto dos pássaros, e dos passos lentos de parentes em litanias, nos dias de enterro ou de visitas. Bastam também os sóis das estações do ano, o pôr do sol, a escuridão da noite; as gotas de orvalho e das chuvas sobre gramas e flores.

Mortos não falam, não reivindicam, não fazem passeatas, greves, guerra, anarquia (são inofensivos!). Mortos são números a menos para a Previdência Social e nas filas de quaisquer áreas de atendimento. Mas, cemitério é casa de todos sem distinção. Não há campainha, atendente, lamentação e choro, que perturbe sono eterno. Alguns parentes ou amigos fazem visitas com frequência; outros de vez em quando, ou pelo menos uma vez ao ano, preferencialmente, no Dia de Finados.

Não tenho saudade dos que foram. Saudade é pouco. Sinto uma falta tremenda e danada! A mesma a que Rachel de Queiroz se referiu na crônica Saudade: “Conversávamos sobre saudade. E de repente me apercebi de que não tenho saudade de nada. (…) Saudade de nada. (…) Nem mesmo de quem morreu. De quem morreu sinto é falta, o prejuízo da perda, a ausência”…

De tempos em tempos, percebo menos um membro na família. Antes, a morte era algo distante, mas mais dia menos dia, baterá à nossa porta para levar pessoas próximas e queridas, assumindo forma, vida própria e existência imponente. Parentes e amigos vão para nunca mais voltar, com passagem sem retorno para o Jardim do Éden, para o céu ou para outros lugares imaginados pela mente humana ou relatados nos livros. É fim para alguns, começo para outros; passagem, estágio, oportunidade de desenvolvimento para os espíritas. Acredito hoje que morte signifique finalização, ausência, parada de todas as funções do corpo; momento em que a vida completou seu ponto máximo e já não cabe mais no limite da matéria.  Para Kardec “ela não é mais do que a destruição do invólucro material, que a alma abandona, assim como a mariposa abandona a crisálida, conservando, não obstante, o seu corpo fluídico ou perispírito“. Em algumas filosofias e religiões, morte significa nascimento, retorno, volta ou renascimento. Para mim, significa vazio e onipresença do ser. Nunca consegui me comunicar com algum parente morto, para saber com precisão se há outra vida.

Ah! Esses mortos que não dão trabalho para ninguém; não reclamam, não fazem denúncias, não têm insônia, dores, tristezas, invejas, ataques de ira, de ciúme; fome, sede, amarguras… Esses mortos dão é o prejuízo da ausência e do silêncio definitivo.

Retornando à proposta inicial do texto: investimento nos cemitérios. Reivindico retirada de todos os monumentos, lápides, sepulturas de granito, mármore, ardósia, etc., adornadas por santos e retratos. Defendo políticas públicas para que todos os cemitérios sejam transformados em jardins bem cuidados, adornados por flores, fontes de água, e placa padrão para identificação daquele que jaz. Os cemitérios precisam ser lugares mais bonitos e atraentes, para transmitirem aos vivos: paz, serenidade, porque aqui jaz o único céu perceptível, para os que ainda não se despiram do invólucro carnal.

Fonte: Vertices Inconfidentes

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