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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Transportes devem estar no centro de políticas de baixo carbono no Brasil

Setor de Transportes é um dos principais responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil e no mundo, em grande parte por conta da queima de combustíveis fósseis, e cumprirá papel fundamental para o alcance de nossas metas mitigatórias.


O Acordo de Paris, que entrou em vigor na última sexta-feira (4), converteu a promessa de redução das emissões em um compromisso legal, cujo objetivo central é manter a temperatura média global 2ºC abaixo dos níveis pré-industriais. Ao ratificar o Acordo em setembro deste ano, o Brasil se comprometeu, por meio da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês), a reduzir 37% das emissões absolutas até 2025, com indicativo subsequente de 43% até 2030, com base nas emissões de 2005.

Dentre os setores produtivos, o transporte foi um dos que apresentaram as mais elevadas taxas de crescimento no consumo de energia e de emissão de GEE entre os anos de 1990 e 2012, de acordo com a Análise da Evolução das Emissões de GEE no Brasil, pesquisa realizada pelo Observatório do Clima. Segundo o relatório, as emissões do setor passaram de 84 milhões de toneladas em 1990 para 204 milhões em 2012.

Uma combinação de fatores nos leva a esse cenário, dentre estes, a alta dependência de combustíveis fósseis e a predominância do modal rodoviário no transporte de cargas no país. Os caminhões, por exemplo, são grandes fontes emissoras de GEE e se aproximam bastante das emissões de todo o setor industrial. Enquanto o primeiro foi responsável por 82,2 milhões de toneladas de emissões em 2012, todo o setor industrial emitiu 91,2 milhões de toneladas no mesmo período.

Para Rasmus Valanko, diretor de clima e energia do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), o setor de transportes traz inúmeros desafios e oportunidades. “Se por um lado é o setor responsável por 25% das emissões de gases de efeito estufa no mundo, é também uma das áreas que mais pode sofrer transformações e contribuir para a transição para uma economia de baixo carbono”, explicou em sua apresentação no Congresso Sustentável 2016, promovido pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

A presidente do CEBDS, Marina Grossi, ressalta a importância que a adoção de medidas para tornar mais eficiente os sistemas de transporte e logística no Brasil tem para o próprio setor. “O setor de transportes muito em breve poderá aparecer como o principal poluidor no país, já que o desmatamento tende a cair. Mas também é verdade que o setor tem grandes oportunidades, por exemplo, através da ainda pouco explorada emissão de títulos verdes. Dados da Climate Bond Initiative indicam que, em todo o mundo, o transporte representa 67% do potencial de emissão desses títulos, cerca de US$ 460 bilhões”, disse.

O coordenador das Câmaras Temáticas de Mobilidade Sustentável e Impacto Social do CEBDS, Luan Santos, reforça a urgência de pensarmos em saídas para o setor. “Em 2015, foram emitidos aproximadamente 457 milhões de toneladas no setor de energia no Brasil, sendo 43,7% apenas na área de transportes. Esta realidade mostra a urgência de pensarmos medidas mitigatórias e políticas que estimulem a redução das emissões de GEE neste setor”, afirmou.

Para Luiz Augusto Barroso, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o setor de transportes é um dos principais caminhos para a descarbonização da economia. “O foco das reduções de emissões deve ser no setor de transportes. Precisamos explorar mais os veículos elétricos e os biocombustíveis, além de investirmos na mobilidade corporativa, com jornadas de trabalho mais flexíveis, por exemplo”, declarou durante o “4º Seminário Nacional sobre Gases de Efeito Estufa – Como descarbonizar o Brasil até 2050”, que aconteceu no dia 27 de outubro no Rio de Janeiro, onde foram apresentados os dados mais recentes sobre as emissões no país e lançada a plataforma Sistema de Estimativa de Emissões de Gases (SEEG).

O documento do Observatório do Clima aponta alternativas de maior e menor impacto visando a redução de emissões e do consumo energético do setor de transportes, como a melhoria da infraestrutura e logística no deslocamento de cargas a partir do aumento da participação de modais mais eficientes como o ferroviário e o aquaviário, a incorporação de tecnologias veiculares e o aumento da eficiência energética no setor. Entretanto, tais medidas são interdependentes e necessitam de políticas setoriais para a sua concretização. O Brasil já deu os primeiros passos nessa direção e hoje possui um dos mais bem-sucedidos programas de biocombustíveis.

A NDC também apresenta medidas e objetivos adicionais, como o aumento na participação de bioenergia sustentável para 18% até 2030, a expansão do consumo de biocombustíveis, seguida do aumento da oferta de etanol e incremento da parcela de biodiesel na mistura de diesel. Além disso, a contribuição brasileira também prevê a promoção de medidas de eficiência, melhorias na infraestrutura de transportes e na mobilidade em áreas urbanas.

CEBDS amplia a Câmara Temática de Mobilidade

Com o objetivo de ampliar o seu campo de atuação, o CEBDS anuncia a reorientação da Câmara Temática de Mobilidade (CTMobi), que passará a se chamar Câmara Temática de Logística e Transportes (CTLog).

A iniciativa visa a atender o setor de modo mais sistêmico e abrangente. Assim, a reorientação da CT reconhece cada vez mais a importância de se promover e incentivar o debate em torno da viabilização de novas e efetivas formas de incentivo à logística sustentável.

Marina Grossi ressalta que é fundamental a expansão das discussões na Câmara Temática. “O setor privado tem muito a contribuir para a melhoria da mobilidade e logística em nossas cidades, trabalhando próximo aos governos municipais, mostrando um caminho possível de aceleração de processos em prol de cidades mais sustentáveis, onde o direito de ir e vir se pauta por soluções de baixo carbono e por altos níveis de eficiência e integração. Nesse sentido, o CEBDS cumpre um papel fundamental de promover discussões e representar a visão das empresas, de modo a articular com os setores públicos competentes o planejamento e execução de alternativas para os transportes”, conclui.

Fonte: Envolverde

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