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terça-feira, 4 de junho de 2013

“Eles têm o dedo sujo de petróleo”

O agrônomo que há dez anos comanda a maior hidrelétrica do Brasil reage às críticas internacionais contra grandes usinas e diz que apostar tudo em energia eólica e solar é sonho
Por Eugênio Esber
Era para ser uma entrevista com minutos contados, diante do acúmulo de compromissos na agenda do agrônomo que assumiu o comando de Itaipu Binacional, pelo lado brasileiro, desde que Lula começou seu primeiro mandato, há mais de dez anos. Mas, ao saber que a conversa giraria sobre questões controversas da área de energia, Jorge Samek decidiu usar todo o seu horário de almoço, mais o que fosse necessário. E foi assim que investiu hora e meia na entrevista reproduzida a seguir. Nela, transparece a contundência habitual que Samek, nascido em Foz do Iguaçu, herdou dos tempos de UNE e forjou em campanhas eleitorais – uma ao governo do Paraná,  sem sucesso, e outra na qual se elegeu deputado federal.  Ele se mostra à vontade no enfrentamento aos críticos do modelo de grandes hidrelétricas e suas imensas barragens, ainda que entre eles estejam muitos militantes do PT, seu partido. Distribui farpas a artistas e intelectuais que se uniram à vilanização de Belo Monte, alfineta Al Gore e ironiza James Cameron, o diretor de Avatar.  “Ele falou uma grande besteira”, ruge Samek.

JorgeSamek-entrevista-350Qual é o caminho para garantir estabilidade ao sistema elétrico?
Para crescer de 4 a 5% ao ano,  o Brasil vai ter de praticamente dobrar a sua capacidade instalada de geração  de energia nos próximos 13 anos. Em números, é o seguinte: teremos de passar de pouco mais de 100 milhões para 200 milhões de megawatts de potencia instalada até 2025.  E como é que vai ser feito isso?

Bem, fomos dotados de uma coisa extraordinária: todas as formas de energia conhecidas no mundo nós temos, aqui, no Brasil.

Das diferentes fontes, qual terá mais peso para o Brasil chegar aos 200 milhões de megawatts?
Obviamente, a fonte que mais temos é a hidrelétrica. A natureza foi muito generosa conosco. O mundo inteiro queria ter esse potencial hidrelétrico que o Brasil tem e do qual, até agora, usamos pouco mais de um terço. Significa, então, que temos dois terços para usar? Não é bem assim. Dentro desses dois terços a explorar há áreas inviáveis economicamente, por estarem muito longe dos centros de consumo, ou que têm restrições ambientais... Então não é o caso de sair construindo usinas e mais usinas. Mas  o fato é que dois terços do potencial hidrelétrico brasileiro ainda não foram explorados.

O quanto destes dois terços é aproveitável?
Já estamos aproveitando. O Brasil vai fazer duas Itaipus em hidrelétricas. Elas já estão em curso, não é mais coisa de projeto.  A Usina Geral  de Santo Antonio, do Rio Madeira, já começa a enviar energia,  por corrente contínua, saindo de Porto Velho e vindo até Araraquara, em São Paulo. É a segunda grande linha de corrente contínua no Brasil. A primeira é Itaipu, que vai até São Paulo. E está em curso, também, a Usina
de Belo Monte,  que vai ser a maior hidrelétrica brasileira (porque Itaipu é binacional). Aqui em Itaipu temos 14 mil megawatts instalados. Em Belo Monte vamos ter  12,4 mil, superando, inclusive, Tucuruí, que hoje é a maior usina unicamente brasileira, com 8,2 mil megawatts.  Nesse processo, vêm aí mais de uma centena de hidrelétricas de 50 megawatts para cima.

O carvão renasceu na pauta energética quando a falta de chuvas reduziu a capacidade das hidrelétricas.  É este o seu papel: ser uma grande fonte de reserva?
Claro. Essa é a grande decisão da presidente da República - a de que todas as fontes de energia do Brasil, e ela diz “todas”, devem ser consideradas. Agora, com qual nível de prioridade? Daquela energia mais limpa e barata em direção àquela mais cara e escassa. Mas não devemos abrir mão de nenhuma das opções. E o carvão está entre elas, sem sombra de dúvida. Hoje, sua participação na produção de energia é muito pequena, mas deve crescer. As termelétricas são importantes. São uma fonte de reserva, dão estabilidade ao sistema elétrico quando há menos chuvas.  E quando a questão hídrica está tranquila, as termelétricas ficam desligadas. Porque além da questão ambiental, as termelétricas geram uma energia mais cara. É difícil haver energia mais barata que a hidráulica. Esse é o grande diferencial que o Brasil tem perante os outros países. Enquanto lá fora eles precisam botar carvão, gás, diesel ou urânio, aqui no Brasil a energia é movimentada a água...

Como se explica, então, a existência de estudos indicando que o custo da energia elétrica no Brasil é significativamente superior ao de vários outros países?
Uma usina hidrelétrica, depois de estar concluída, paga, quitada, amortizada, é a energia mais barata do mundo.  Mas, por outro lado, a energia hidráulica é a mais cara a ser instalada – porque você tem de fazer desapropriações, construir uma enorme barragem, pagar as pessoas que têm de ser retiradas dali, fazer compensações ambientais... É cara pra caramba na implantação. Só que ela dura 200 anos e roda como se fosse um táxi, produzindo energia 24 horas por dia. Já uma termoelétrica, que custa bem menos, quando chega no vigésimo ano está no bagaço. Por isso as concessões para energia termoelétrica  são dadas por 20 anos. É que nem carro comprado em 20 anos para pagar. Quando termina de pagar, o carro terminou junto.

A curto e médio prazos, então, a perspectiva é de continuarmos com um custo alto de energia elétrica?
Nós tínhamos no Brasil a 13ª energia mais cara do mundo. Agora já melhorou muito com essa nova medida da presidente Dilma, a MP 579. Foi o grande pulo do gato. O que ela fez?  Ela, que foi ministra e conhece profundamente o setor, percebeu uma oportunidade de baixar  a tarifa porque havia várias usinas cujas concessões estariam vencendo em 2013, 2014, 2016... E o que diz a concessão? Diz que durante o período de concessão, normalmente de 30 anos, você pode colocar na tarifa uma parte – que não é pequena –para amortizar os investimentos feitos para construir a usina. O problema é que no Brasil algumas concessões que já tinham vencido nunca haviam redundado em diminuição do preço de energia. Venciam-se as concessões e as empresas continuavam botando na tarifa o mesmo preço que pagavam enquanto estavam amortizando.  Agora isso mudou.

Quando a energia de Itaipu ficará mais barata?
Itaipu é metade brasileira, metade paraguaia. E nesta nossa metade nós produzimos quase 50 milhões de megawatts/hora, com uma tarifa de 37 dólares por megawatt. A concessão de Itapu, pela grandiosidade da usina, foi por um período maior que o usual. Foi por  50 anos.  Ela vai vencer, portanto, daqui a dez anos – precisamente no dia 28 de fevereiro de 2023. Quando chegar esta data, 64% do valor da nossa tarifa desaparece. Porque teremos liquidado o pagamento da dívida feita para construir Itaipu, que custou 27 bilhões de dólares e está sendo paga com a geração de energia. Cada santo dia, todo mundo, do Rio Grande do Sul até Brasília, está pagando a amortização desse investimento, e assim vai ser até fevereiro de 2023, quando a dívida estiver zerada. Na hora em que o Brasil estiver com todas as usinas pagas, amortizadas, inclusive as que estão sendo construídas agora, vamos ter a energia mais barata do mundo.

Como é possível alcançar a segurança energética diante da crescente reação contra grandes usinas hidrelétricas?
Fazia 20 anos que não se construía uma hidrelétrica, e este vácuo depois de  Itaipu, Tucuruí e outras grandes usinas é porque o país crescia pouco e havia até sobra de potência instalada. Agora, porém, é preciso novos investimentos.  Belo Monte é irreversível, é necessária. E sua construção é patriótica. Essa é talvez a usina mais estudada do Brasil. O movimento ambiental, que avançou muito em todo o mundo, começou a tentar carimbar a hidroeletricidade como uma vilã. E muitos aqui não identificaram que quem mais estava atacando era quem já havia ocupado 100% do seu potencial hídrico, como França, Estados Unidos, Alemanha. São países que não têm mais para onde correr, do ponto de vista da produção de hidroeletricidade, e que sabem que esta é a energia mais limpa e mais barata do mundo. E renovável.  E aí vem um monte de gente com o dedo sujo de petróleo apontar que não pode fazer hidrelétrica acima de 50 megawatts por causa do reservatório, que causa um grande problema ambiental no mundo... E isso foi ganhando espaço nas universidades, nos debates, na academia, entre os artistas, com o pessoal que não mexe com isso no dia-a-dia e se encanta com essas teses, porque elas são, de fato, generosas....

O que sustenta  esta mobilização?
Qualquer pessoa que venha aqui com um abaixo-assinado dizendo  que em sei lá que lugar do mundo vão alagar 100 mil hectares de terra você nem vai ler com muita atenção. Pensará “Pô, vão destruir 100 mil hectares de floresta, que barbaridade!”. Mas se não fizermos isso, de que outra forma vamos produzir a energia de que precisamos? Todos nós queremos ter a matriz mais limpa, mas infelizmente, para ter ar condicionado, uma indústria, fazer uma cidade, tem que ter energia, que pode vir do carvão, do óleo diesel, gás, urânio, água, solar, eólica, biomassa... Cada país vai ter que achar a melhor forma de ter a matriz mais limpa, atender as necessidades da população a um preço que permita ao bolso suportar.  No nosso caso, se não for por energia hidrelétrica, qual a outra forma? Esse debate se coloca a partir de Belo Monte.  Lembro  vinte e poucos artistas da Globo se manifestaram contra a instalação da Belo Monte, mas falaram tanta coisa fora de propósito, que os próprios acadêmicos de energia elétrica, mecânica e até de meio ambiente, refutaram toda aquela argumentação e aquele filme que vinha contrário à instalação de hidrelétricas. Começou com a “Verdade Inconveniente”, do Al Gore, que criticava tudo e não apontava solução. Falava que estava tendo degelo porque a temperatura está subindo, mas estava subindo porque todos os países usam carvão. A Europa, que não tinha filtros, nem tecnologia adequada, fazia emissões do tamanho do mundo de CO2 para atmosfera.

Os Estados Unidos, do Al Gore, é o lugar em que mais se queima combustível e que mais tem carro de alta potência. Por que eles nunca assinaram o Protocolo de Kyoto, que o Brasil assinou? Por que eles nunca aceitaram trazer um processo de diminuição de emissões, que o Brasil se comprometeu, inclusive, de forma voluntária? Quer dizer, os Estados Unidos vêm dar palpite na questão do meio ambiente, quando, na verdade, são que mais causam problema ambiental no mundo, ao lado da China.

Há alternativas que dispensem o Brasil de fazer hidrelétricas?  Esta questão não provoca enfrentamentos dentro do seu próprio partido, o PT?
Tivemos e fomos superando isso com verdades. Eu tenho ido cada santa semana fazer grandes debates. Eu exponho, ouço e até aceito, mas eu explico depois. Começaram a dizer que a eólica vai resolver o problema.

Ótimo, o Brasil está fazendo um investimento enorme em eólicas, em 13 anos queremos elevar de 7% para 13% sua participação na matriz energética . Mas há um teto para isso. Tem um baita problema, que é climático.

Quando ela resolver parar, para mesmo. Não adianta ficar soprando lá que o vento não vai movimentar aquelas pás. E você não pode ter uma matriz energética calcada em uma fonte que não dá 100% de garantia de suprimento. Quero ver um hospital, um supermercado, um banco, uma emissora de rádio e TV que queira ter como base uma energia que pode ter e pode não ter. É uma grande fonte de energia, é renovável... mas é complementar. A solar tem o mesmo problema. À noite, e quando chove, ela não produz energia. Hoje, está um dia lindo em Curitiba. Mas ontem havia chovido o dia inteiro aqui. Como é que se usa isso? Armazenando.

Mas aí  temos que fazer baterias, não tem outra saída. Quando falamos em solar e eólica, estamos falando em boas opções, mas complementares.

O carro-chefe, em resumo, continuará a ser a hidrelétrica?
Continuará, sim, apesar de tudo: da ampliação da energia nuclear, da biomassa, da eólica, da solar, das pequenas usinas hidráulicas, que são fontes importantes mas não resolverão o problema da energia para os próximos 13 anos. Acreditar que resolverão é sonho, é mentira. Eu não esqueço nunca do dia em que veio o tal do James Cameron, lançando aquele filme Avatar. Ele desce no aeroporto e a primeira coisa que ele fala, ligado a alguns ambientalistas que a gente respeita muito, é que não é preciso fazer Belo Monte.

Pôxa, ele entende de hidroeletricidade, da necessidade energética do Brasil, tal qual eu entendo de dirigir filmes. Ele citou uma coisa que não conhece e falou uma grande besteira. Ora, o Brasil tem 8,5 milhões de km2. É neste país que se fará Belo Monte. Se a usina fosse em Portugal, Suécia, qualquer outro país pequeno, eu daria razão para a polêmica de se fazer um reservatório do tamanho de metade do Itaipu.

Veja que no Brasil a totalidade dos reservatórios, de todos os barramentos feitos para produzir energia e levar eletricidade a mais de 200 milhões de pessoas, representa apenas 0,4% do território.  É menos de meio por cento. E se, por exemplo, não existisse Itaipu e tivéssemos que produzir a mesma energia a partir do petróleo, seriam 534 mil barris diários, veja só. O que é mais prejudicial para o meio ambiente?

O carvão, abundante na Região Sul, só agora volta à fazer parte dos planos do governo para a matriz energética.  A restrição ambiental que determinou o ostracismo do carvão está superada?
Sem dúvida. As novas tecnologias avançaram muito no sentido de eliminar o envio de dióxido de carbono à atmosfera, e de capturar estes gases através de filtros modernos que evitam a poluição. Este controle ambiental se tornou uma exigência mundial porque o carvão é a grande fonte de energia da Europa. Na China, quase 60% da energia vem do carvão. Na Rússia, mesma coisa. A Europa inteira é assim. O carvão que temos no Rio Grande do Sul não é da melhor qualidade, mas é o que está em melhor condição de retirar – basicamente, é escavar a terra e ele está ali, à disposição.

A decisão do governo de exigir redução de tarifa para empresas de energia  interessadas em renovar antecipadamente suas concessões gerou em várias  delas uma preocupação com redução de receitas e, em consequência, corte de investimentos. Há este risco?
Não tem coisa mais difícil no mundo do que se fazer política para beneficiar o povo. Sempre vem cacete.

Há, sem dúvida, uma perda de receita.  Se uma empresa, seja Cemig, Copel ou qualquer outra, vinha cobrando R$ 70 ou R$ 80 o megawatt/hora para amortizar seu investimento, e agora tem de cobrar R$ 15 o megawatt/hora porque a amortização já aconteceu, é claro que haverá perda de receita. Mas todas estas empresas deveriam estar prevendo o que iria acontecer. Como, no entanto, já tinha acontecido uma série de renovação de concessões, e nenhuma havia resultado em diminuição da tarifa, o pessoal achou que essa regra iria continuar. Mas acabou a festa.

A necessidade de amortizar o investimento em usinas hidrelétricas que custam caro é o único fator que onera  seriamente as tarifas?
Existe um segundo vilão no custo da energia, que é o imposto. Todos os estado têm na receita de energia elétrica sua principal fonte de financiamento. Aqui no Paraná, por exemplo, se eu estivesse no lugar do governo, dificilmente eu abriria mão dessa receita. Porque os estados fazem tanta questão de ter a conta de luz no ICMS? Porque esse é um dos poucos impostos que não têm como ser sonegados.  Chega a todas as casas. Cerca de 30% da tarifa no Paraná corresponde a ICMS. Somado a outros impostos e taxas que incidiam e que o governo federal agora retirou, o peso sobre a tarifa era ainda maior - chegava a quase 50%.

Os investimentos destas empresas cairão?
A lógica das medidas é muito bem estabelecida. Começaram a dizer “Eu vou ter menos dinheiro e não vou poder fazer novos investimentos.” Não vamos confundir alhos com bugalhos. O que diz a MP 579. Diz o seguinte: esta nova usina que você vai fazer, seja ela Belo Monte, o Complexo Tapajós ou Teles Pires, funcionará assim: você vai ter que entrar com no mínimo 30% de capital próprio e buscar o financiamento dos outros 70% via BNDES e outros fundos.  E você vai poder colocar na tarifa, por 20 ou 30 anos – conforme o prazo do empréstimo e da concessão – uma parcela destinada a amortizar o investimento que foi realizado para construir a usina. Mas, terminado o prazo, e finda a concessão, esta parcela de amortização deixa de ser cobrada, e a tarifa ficará menor. Os investimentos não vão cair. A presidente deixou bem claro: primeiro, vem a segurança energética. Não pode faltar energia.

O resultado da eleição no Paraguai pode reinstalar tensões no relacionamento com o Brasil com o sentido de aumentar a remuneração pela energia que os paraguaios cedem aos brasileiros?
Eu não acredito que isso venha a ocorrer. O Paraguai vive possivelmente o melhor período de sua história.

Um estudo recente feito pelo Cepal prevê crescimento, em 2013, de 10% para o Paraguai, contra 5% do Chile, 4,5% da Colômbia, 3,8% do Uruguai, 3,5% da Argentina e 3% do Brasil. Tenho certeza que boa parte desse resultado na economia paraguaia se deveu aos benefícios diretos e indiretos proporcionados por Itaipu.

Entre os diretos, tem-se que o Paraguai é o único país da América Latina – e quem sabe do mundo – que pelos próximos 20 ou 30 anos não terá que fazer grandes investimentos em energia, diferentemente de grandes países aqui da América e até mesmo de alguns países vizinhos que chegam a fazer racionamento. Já entre os indiretos, destacam-se os recursos provenientes dos royalties e cessão de energia, que somaram quase US$ 600 milhões somente em 2012, sem contar os recursos que Itaipu destinou à manutenção, operação, salários, programas sociais e ambientais. Então, pode-se dizer que as relações estão cada vez melhores.

Acredito muito no diálogo e, inclusive, aproveito a oportunidade para parabenizar o Paraguai pela demonstração de civismo e democracia durante as eleições do último dia 21 de abril. Não houve tumulto, não houve questionamentos sobre o resultado, enfim, tudo transcorreu na maior normalidade.

Fonte: Revista Amanhã

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