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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Nações insulares cobram ricos da Oceania

Governantes de Ilhas do Pacífico, que já sofrem consequências das mudanças climáticas, pedem mais ambição nas metas de redução de emissões de Austrália e Nova Zelândia.


Por Cíntya Feitosa, do OC –

Líderes dos países insulares do Pacífico estão reunidos nesta semana para discutir os efeitos das mudanças climáticas na região – e cobrar dos vizinhos ricos, Austrália e Nova Zelândia, que levem a sério a ação contra o que as pequenas ilhas chamam de “ameaça institucional”

O encontro do Fórum dos Líderes das Ilhas do Pacífico começou na segunda-feira (7/9), exatamente seis meses após o ciclone Pam, que devastou a ilha de Vanuatu e causou enchentes em Tuvalu. A anfitriã Papua Nova-Guiné enfrenta uma seca severa, que pode ser a pior das últimas duas décadas e gerar uma crise na produção de alimentos.

A principal crítica dos líderes das Ilhas do Pacífico, reunidos até o dia 11, deve ter como destinatárias a Austrália e a Nova Zelândia – que também participam do grupo –, por suas pouco ambiciosas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa. A primeira propõe como meta a redução de emissões de carbono de 26% a 28% até 2030, em relação aos níveis de 2005, mas as políticas atuais do governo levarão a um aumento de 27% em 2030. A meta australiana foi considerada pelo Climate Action Tracker “uma das mais fracas propostas por um país industrializado”. A Nova Zelândia propõe um corte de 30%, mas com uma série demalabarismos que permitirão ao país aumentar em 11% as emissões por uso de energia.

As lideranças políticas da região defendem a adoção de medidas de mitigação das mudanças climáticas que evitem o aquecimento do globo acima de 1,5ºC em relação ao período pré-industrial. As negociações das Nações Unidas têm levado em consideração o horizonte máximo de 2ºC, mas mantêm oficialmente a possibilidade de 1,5oC. Ainda assim, as metas de redução de emissões apresentadas até agora colocam em risco até esse objetivo.

“O que estamos falando é de sobrevivência”, disse Anote Tong, presidente do Kiribati, um conjunto de atóis a apenas 90 centímetros acima do nível do mar. “Não é sobre o desenvolvimento econômico, não é política. É sobrevivência”, disse ele na reunião.

O resultado final do encontro deve ser uma posição unificada sobre gestão de mudanças climáticas e desastres no Pacífico. Os governos dos países insulares também devem reforçar a necessidade de financiamento por parte dos países mais ricos.

Na semana passada, o Fórum de Desenvolvimento das Ilhas do Pacífico – que exclui a Austrália – já divulgou uma declaração sobre mudanças climáticas que deve ser levada à COP21, a Conferência do Clima das Nações Unidas, que acontecerá em dezembro deste ano, em Paris. Um dos itens declara a preocupação com “o aumento contínuo na produção de combustíveis fósseis, particularmente a construção de novas minas de carvão”.

O primeiro-ministro de Fiji, Frank Bainimarama, pediu que Tony Abbott, primeiro-ministro da Austrália, abandone a “coalizão dos egoístas” e coloque o bem-estar dos pequenos vizinhos da ilha do Pacífico à frente dos interesses da indústria do carvão.

Em 2014, o primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, fez uma declaração polêmica na inauguração de uma mina de carvão em Queensland, duramente criticada pelos líderes das pequenas ilhas do Pacífico. “O carvão é vital para as futuras necessidades de energia do mundo”, disse ele. “O carvão é bom para a humanidade.”

Emissões insignificantes

Os países mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas na região são os que menos têm responsabilidade sobre o problema. De acordo com levantamento do World Resources Institute, enquanto Austrália e Nova Zelândia responderam pela emissão de 14,3 bilhões de toneladas de CO2 equivalente de 1990 até 2012, todo o resto do Pacífico emitiu 399 milhões de toneladas no período.

Comparação de nível de emissões das Ilhas do Pacífico com emissões da Austrália e Nova Zelândia. Fonte: Oxfam, com dados do World Resources Institute/CAIT Climate Data Explorer
Comparação de nível de emissões das Ilhas do Pacífico com emissões da Austrália e Nova Zelândia. Fonte: Oxfam, com dados do World Resources Institute/CAIT Climate Data Explorer

Em julho, as Ilhas Marshall apresentaram a sua contribuição inicial para o acordo do clima de Paris, comprometendo-se a reduzir as emissões em 32% até 2025, em relação a 2010, indicando a intenção de reduzir em 45% até 2030, com o objetivo de zero emissões líquidas em 2050 ou antes.

“Nossa mensagem é simples: se um dos menores, mais pobres e geograficamente isolados países do mundo pode fazer isso, vocês também podem”, declarou Tony de Brum, o ministro de Relações Exteriores do país.

Fonte: Envolverde

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