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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Aves ameaçadas de extinção recebem cuidados em centro especial de Araras/SP

Em extinção, aves da espécie Sporophila Maximiliani, os bicudos, estão recebendo tratamento especial em Araras (SP). Vítimas de tráfico, os pássaros costumam chegar ao local machucados.  
A pena para este tipo de crime ambiental é a mesma para quem vende ou compra animais silvestres sem autorização. O suspeito pode ficar preso por até um ano, além de pagar uma multa. As denúncias podem ser feitas para a Polícia Ambiental ou para a Polícia Militar.

O bicudo tem o bico parecido com o de uma arara, mas é um pássaro menor. Os animais estão sendo levados ao Centro de Reabilitação Pró-Araras, uma vez que são vítimas do tráfico de aves. Os bicudos foram apreendidos pela Polícia Ambiental de Ribeirão Preto (SP). Três deles chegaram ao local há cerca de um ano e já estão bem. Os novatos, que chegaram há 15 dias, ainda estão com marcas da violência que sofreram.
“Chegam, normalmente, com a testa machucada de tanto se debater por ficar em ambientes pequenos, muitas vezes desnutridos porque ficaram um período grande sem se alimentar ou recebendo alimentação inadequada”, explicou a veterinária Fernanda Magajevski.

A prova de que foram capturados de maneira ilegal é que chegaram ao centro sem as anilhas que servem como identidade para este tipo de animal. Os bicudos se alimentam de grãos, mas quando chegaram ao local estavam tão fracos que, além de terem sido tratados contra vermes, estão recebendo uma alimentação à base de suplementos. “Se eles não recebem a alimentação adequada, vão ter uma deficiência de várias vitaminas e minerais. Assim como a gente, eles acabam ficando debilitados e mais suscetíveis a doenças. Então por isso é importante a suplementação que a gente faz. Todo o tratamento que recebem aqui, é sempre na expectativa de reintroduzi-los na natureza, que fiquem fortes, saudáveis e em liberdade”, comentou Fernanda.

Espécie em extinção – Um levantamento do Ibama apontou que os bicudos são classificados como animais criticamente em perigo de extinção. No Estado de São Paulo, eles não são mais encontrados soltos na natureza. Em Araras o problema é ainda mais grave, já que os seis pássaros são fêmeas e ao não encontrar os machos, ainda mais raros, prejudica a reprodução.

Para salvar a espécie, existe uma esperança: um projeto desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). “Eles estão procurando animais dessa espécie para conseguir reproduzir em cativeiro e assim ter o sucesso para reintroduzi-los na natureza”, comentou a bióloga Mônica Risso de Brito.

O centro já pediu à Secretaria Estadual de Meio Ambiente uma autorização para levar as aves para a USP, em São Paulo, que faz o trabalho de reintrodução da espécie. A previsão é que sejam transferidas em até 15 dias e que lá tenham condições de se reproduzir em cativeiro antes de serem soltas. “Pode ser que demore 10 anos, a gente não sabe, é um projeto experimental. Por enquanto a gente tem que esperar e vamos torcer para que tudo dê certo”, falou Mônica.

“Tem que denunciar, ajudar e não comprar, porque quando a população compra, incentiva o tráfico”, afirmou a dentista Letícia Cristina Rodrigues Carneiro.

Fonte: G1

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