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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Projeto fotográfico percorre cemitérios pelo mundo para desmistificar a morte

Dona Jandira Marques faz manutenção de túmulos há dez anos. De segunda a sexta-feira,  ela garante que as lápides estarão sempre limpas aos fins de semana, momento em que o número de visitação aumenta. 


“Meu trabalho é digno como qualquer outro, mas tem gente que não valoriza. É daqui que tiro meu sustento”, desabafou Jandira aos fotógrafos araçatubenses Clayton Khan e Duda Maués. Dessa conversa, os dois saíram motivados em uma missão: desconstruir tabus.

Começou, então, o projeto “Escaping from Life”, (“Fugindo da Vida”, em português), que registra cemitérios em várias partes do mundo para mostrar a cultura de cada povo, os personagens que vivem desta vertente de trabalho e também ajudar a desmistificar o tabu que envolve o tema morte. Confira a conversa com os dois: 

IMPRENSA - Quando o projeto Escaping from Life foi criado? Qual foi a motivação de vocês?
Clayton Khan e Duda Maués - O interesse por locais de sepultamentos surgiu em 2011 a partir de uma viagem à Europa. O Necroturismo, como a prática é conhecida, ainda é pouco desenvolvido aqui no Brasil e foi justamente por ser um assunto considerado tabu que nos despertou interesse e nos motivou. Em 2015, fomos buscar conhecimentos e nos aprofundar no tema. Em seguida, colocamos em prática e, no mês de dezembro do mesmo ano, lançamos o EFL nas redes sociais.

Quais foram os lugares fotografados? Quais são as próximas "paradas"?
Iniciamos pelos cemitérios da nossa cidade, Araçatuba. Já fotografamos alguns de São Paulo, como o cemitério da Consolação, que é a primeira e a mais antiga necrópole em funcionamento na cidade de São Paulo e uma das principais referências brasileiras no campo da arte tumular, inaugurado em 15 de agosto de 1858. Já levamos o Escaping from Life para algumas cidades do estado de São Paulo, como Campinas, Itu, Itapetininga, Ribeirão Preto e outras. No mês de julho deste ano, percorremos diversos locais de sepultamento do Peru, Bolívia, Argentina e Uruguai. Nossas próximas paradas serão em outras cidades e estados do Brasil. Já no final do ano, nosso destino serão alguns países da Europa, como Itália, França e também Inglaterra. 

Há outros projetos futuros? 
A proposta de Escaping from Life é viajar por várias partes do mundo - dos lugarejos mais simples às capitais históricas - para descobrir como essas culturas tratam esse momento de passagem. A ideia é percorrer os cinco continentes e revelar e desmitificar tabus; quebrar barreiras, sejam elas visuais, emocionais ou culturais. Futuramente queremos de alguma forma expor todas as nossas experiências seja por meio de uma exposição fotográfica, vídeos ou até mesmo um livro.

Poderiam contar um pouco sobre os personagens que vivem desse ofício e que aparecem no projeto? Quem são esses personagens? 
Durante nossas visitas aos cemitérios, buscamos contato com o máximo de pessoas e profissionais possíveis que vivem desse ofício, justamente por vivenciarem diariamente experiências e histórias nos locais de sepultamento. Personagens como coveiros, limpadores de túmulos, floristas e até mesmo admiradores da arte sepulcral que ali visitam. Pelo caminho, encontramos pessoas que vivem onde muitos não querem estar. Dona Jandira Marques, uma senhora simpática, envolvente e cheia de histórias para contar, faz manutenção de túmulos há 10 anos. Trabalha embaixo de sol quente, de segunda a sexta, para que as lápides estejam sempre limpas aos fins de semana, momento em que o número de visitações aumenta. "Meu trabalho é digno como qualquer outro, mas tem gente que não valoriza. É daqui que tiro meu sustento", contou-nos. Dessa conversa, saímos encantados e motivados em nossa missão: desconstruir tabus. 
No cemitério de Lima, Peru, fomos surpreendidos por uma celebração animada e regada a flores e vinho para comemorar o aniversário de uma falecida. Filhos, netos, amigos e o viúvo estavam todos reunidos. Conversamos com eles e descobrimos que é uma prática comum em sua cultura. Personagens e histórias que são distintas das nossas e que se tornam curiosas e interessantes.  

A ideia principal do projeto é desmistificar o tabu que a morte representa?
Sim, também. A ideia do Escaping from Life é transmitir, por meio das artes visuais, a naturalidade da morte e os ensinamentos que a diversidade cultural nos ambientes de sepultamentos podem ensinar a partir de suas manifestações artísticas, preservação do patrimônio histórico, cultural e familiar de cada local. A busca é pela cultura, arquitetura, religião, política, enfim, todas as expressões artístico-culturais que demonstram vida e que estão representadas neste cenário. Em qualquer canto do mundo, a cultura de cada lugar dita a forma como vamos ser sepultados e também diz muito de como a família viverá o luto. As pessoas não querem dialogar sobre esse assunto. A maneira de trabalhar esse tema é bem delicada e complexa por se tratar de uma carga de sentimentos muito forte. Queremos propor uma reflexão com delicadeza e respeito a esse momento implacável na vida de qualquer ser humano.

Quais as principais diferenças culturais entre os locais? O que despertou mais a atenção de vocês?
Percorremos 30 km ao sul do centro urbano da cidade de Nasca, no Peru, para encontrar o cemitério mais diferente que já visitamos e que nos chamou muito a atenção. O cemitério de Chauchilla é um local de sepultamento arqueológico onde estão expostos restos humanos mumificados e artefatos arqueológicos. Fomos atraídos pelas imagens e, principalmente, pelas histórias que envolvem este local. A Civilização Nasca, que imperou no Peru de 300 a.C. a 800 d.C., foi pioneira na mumificação no território americano.  Aqueles que tinham uma vida considerada correta eram enterrados com seus pertences, água e comida e tinham seu corpo virado para o leste, por acreditarem que, quando chegasse o momento, retornariam à vida junto com o Sol nascente. Este foi um dos lugares com maior diferença cultural que visitamos até agora, sem dúvidas, iremos encontrar uma vasta diversidade cultural pelo caminho que irá nos encantar.
   
O projeto contou com algum apoio/patrocínio?
Sim. Temos a parceria de algumas empresas que enxergam a importância de apoiar e fomentar a arte, cultura e educação, mas ainda não cobrem todos os custos e estamos buscando recursos.

Fonte: Portal Imprensa

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