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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Parque nacional da Chapada dos Veadeiros perdeu 90% da sua extensão em cinco décadas

Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros perdeu 90% da sua extensão em cinco décadas. Entrevista especial com Mercedes Bustamante


Criado com uma área de 625 mil hectares em 1961, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, localizado em Goiás, mantém apenas 10% da sua área original, e hoje está reduzida a 65 mil hectares, informa a bióloga Mercedes Bustamante à IHU On-Line, na entrevista a seguir, concedida por e-mail. Diante desse cenário, atualmente há um impasse em torno da ampliação do Parque, entre aqueles que defendem sua ampliação imediata e o governo do Estado de Goiás, que sugere que a ampliação seja feita em etapas. “O governo de Goiás (que precisa dar seu aval à proposta) apresentou uma contraproposta para que isso seja feito em etapas, deixando para um segundo momento a incorporação de áreas não regularizadas. Adicionalmente, a contraproposta do governo de Goiás resultaria em um desenho fragmentado para a unidade de conservação”, adverte.

Segundo a bióloga, “interesses fundiários” estão “associados à expansão do uso para a agropecuária frente às demandas pela ampliação que permitiria garantir a integridade ecológica e funcional de ecossistemas muito particulares”. Ela lembra ainda que “a estratégia de ocupação do passado recente” de áreas do Cerrado “não se adequa a um futuro com sustentabilidade, segurança hídrica e estabilidade climática”.

Mercedes Bustamante é graduada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, mestra em Ciências Agrárias pela Universidade Federal de Viçosa e doutora em Geobotânica pela Universitat Trier, na Alemanha. Atualmente é professora da Universidade de Brasília – UnB e membro do corpo editorial do periódico Oecologia.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Quais são os impasses que estão dificultando a ampliação do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – PNCV? Que percentual da área se pretende ampliar?

Mercedes Bustamante – Os impasses referem-se ao prazo para ampliação da área do Parque. O Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio apresentaram a proposta de que isso seja feito em uma etapa única e o quanto antes, considerando que a proposta vem sendo discutida há cinco anos. O governo de Goiás (que precisa dar seu aval à proposta) apresentou uma contraproposta para que isso seja feito em etapas, deixando para um segundo momento a incorporação de áreas não regularizadas. Adicionalmente, a contraproposta do governo de Goiás resultaria em um desenho fragmentado para a unidade de conservação. É preciso ressaltar que a demarcação original do parque era (em 1961) de 625 mil hectares. De lá para cá, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros permaneceu somente com 65 mil hectares, ou seja, cerca de 10% da área original. A proposta do Ministério do Meio Ambiente – MMA ampliaria a área para 222 mil hectares.

IHU On-Line – Quais são os interesses que estão em jogo nessa negociação entre os que defendem a ampliação do parque e os que são contrários a ela?

Mercedes Bustamante – Há interesses fundiários associados à expansão do uso para a agropecuária frente às demandas pela ampliação que permitiria garantir a integridade ecológica e funcional de ecossistemas muito particulares. A aparente dicotomia entre expansão agropecuária e conservação não procede, pois a agricultura é a atividade econômica que mais se beneficia da conservação dos recursos naturais.

IHU On-Line – Qual é a atual situação ambiental da Chapada dos Veadeiros?

Mercedes Bustamante – O parque é afetado pela conversão acelerada dos habitats em seu entorno (como outros parques ao longo do bioma Cerrado). Adicionalmente, o PNCV tem grande relevância para as populações locais e tradicionais em uma interação entre a diversidade biológica e de paisagens e a diversidade sociocultural. É importante recordar que, em face das mudanças climáticas, as áreas de altitude estão entre as mais vulneráveis e devem ter sua proteção priorizada.

IHU On-Line – Por que é importante ampliar essa área do parque? Que espécies seriam preservadas com a ampliação?

A ampliação em forma de área contínua reduziria a vulnerabilidade do Parque aos impactos de mudanças ambientais
Mercedes Bustamante – A ampliação em forma de área contínua reduziria a vulnerabilidade do parque aos impactos de mudanças ambientais, garantiria o fluxo gênico e variabilidade das populações de plantas e animais. O parque possui espécies em risco de extinção ou situação de vulnerabilidade, bem como espécies endêmicas (cuja ocorrência está restrita a essa região).

IHU On-Line – Com a ampliação do parque, fala-se na preservação de recursos hídricos importantes. Quais recursos serão protegidos?

Mercedes Bustamante – O parque tem centenas de nascentes que contribuem para importantes bacias hidrográficas brasileiras. Episódios recentes de secas extremas com comprometimento do abastecimento de água para a população nos mostram que a proteção de nascentes e da capacidade de captação de água dos ecossistemas naturais é essencial para o bem-estar humano.

IHU On-Line – Quais têm sido os impactos do agronegócio sobre o Cerrado? É possível estimar qual é o percentual de cobertura vegetal que foi perdido?

Mercedes Bustamante – O Cerrado já perdeu 50% de sua cobertura nativa. Os remanescentes estão fragmentados e sob pressão de conversão nas novas frentes do desmatamento. As áreas de proteção integral cobrem um percentual muito baixo do bioma e não representam sua variabilidade espacial. É preciso reconhecer que a estratégia de ocupação do passado recente não se adequa a um futuro com sustentabilidade, segurança hídrica e estabilidade climática.

Fonte: EcoDebate

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