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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Trabalho e Meio Ambiente, parte 5/5 (Final), artigo de Roberto Naime

TAYRA (2002) cita que a substituição de homens por máquinas é conhecida como a tendência ao crescimento da composição orgânica do capital.


Por esta tendência, enquanto uma empresa melhorava o capital fixo e deslocava operários, outras surgiam, absorvendo de alguma forma o pessoal excedente das primeiras.

Para cada grande revolução tecnológica este movimento de deslocamento e absorção se alterava, em favor do deslocamento e em detrimento das novas absorções. Com a revolução da microeletrônica aplicada à produção, desde meados dos anos setenta, a situação tornou-se mais pronunciada e crítica. Cada vez mais se gera menos empregos.

Com tal estado de coisas, segundo FOLADORI (1999), a partir de dados da PNUD, a situação da pobreza no mundo piorou nos últimos 50 anos, tanto em termos absolutos como relativos.

Há pouco mais de cinquenta anos, em 1947, o número de pobres era de 400 milhões, o que equivalia a 17,4 por cento da população mundial. Em 1997, o número de pobres era de 1,3 bilhão, o que representava 22,8 por cento da população mundial.

Nos últimos cinquenta anos a quantidade de pobres aumentou em 900 milhões, e em termos relativos quase alcançou 1/4 da população mundial.

Reverter tal situação é o grande desafio da atualidade, embora já se saiba, desde a década de 70, quando da publicação do relatório Meadows (1972), que se todos os pobres do mundo atingirem o padrão de consumo dos cidadãos dos países ricos, o planeta entrará rapidamente em colapso devido à exaustão dos recursos naturais.

Para se atingir uma sociedade mais sustentável, além de aumentar a renda dos pobres, cabe também mudar o comportamento do padrão do consumo dos países desenvolvidos, altamente demandante de recursos naturais.

Se verificam sinais de que a sociedade parece estar cada vez mais orientada a uma uniformização deste tipo de consumo. A popularização do conceito de “globalização dos mercados” na última década é uma demonstração clara disso, segundo TAYRA (2002).

Para fazer parte desse jogo do comércio internacional, um conceito imperativo é o de competitividade, a capacidade de se produzir mais e com maior eficiência, ou com custos mais baixos.

Um indicador básico na avaliação de competitividade é a noção de produtividade por trabalhador, que se viu incrementada sobremaneira nos últimos anos, devido tanto a uma melhor especialização da mão de obra como também a um aumento da tecnologia incorporada ao processo produtivo.

Isto conduz a um enxugamento de pessoal. Em um cenário de sofisticação cada vez maior da produção se torna fundamental o investimento em formação do trabalhador, para que ele possa se inserir no mercado de trabalho.

Porém, mais uma vez, os cidadãos de baixa renda se veem prejudicados, tornando-se ainda mais alijados do processo.

A propagação da ideia do Desenvolvimento Sustentável, divulgando a necessidade de se buscar uma nova forma de organização atentando para o aspecto de que a pobreza e a degradação ambiental caminham paralelos é auspiciosa.

As discussões sobre a crise ambiental tem evoluído em nível global, no sentido que mostra que a lógica da atual forma de organização do sistema econômico baseada em escolhas do mercado voltadas apenas para o lucro financeiro é insuficiente para a melhoria das condições de vida dos habitantes e do próprio planeta.

O crescente número de pobres e de desempregados é apenas mais uma face da insustentabilidade deste sistema.

O aumento da produtividade do trabalho como resultado da aplicação de melhores e mais sofisticadas tecnologias, tem convertido em supérflua uma boa parte do trabalho humano mundial.

Em outros termos, o crescimento econômico medido pelo PIB, não é acompanhado proporcionalmente pela criação de mais postos de trabalho.

Desta forma, ocorre se deparar na atualidade com problemas profundos que cada vez são mais entrelaçados. As questões do desemprego e do meio ambiente são provas evidentes de uma crise mais ampla.

O desemprego pede mais crescimento econômico e este por sua vez, deve buscar na natureza os insumos necessários para tanto, estendendo uma lógica que se mostra cada vez mais insustentável.

Os objetivos do Desenvolvimento Sustentável, em sua busca de um maior equilíbrio econômico, social e ecológico, nas bases de uma economia de mercado parecem longe de serem alcançados. Mas, não deixa de ser um objetivo, uma utopia dos tempos modernos.

Um outro mundo é possível, mesmo dentro da livre iniciativa. Ocorre enfatizar que nada é contra a livre-iniciativa.

Que sem dúvida sempre foi e parece que sempre será o sistema que melhor recepciona a liberdade e a democracia.

Mas uma nova autopoiese sistêmica para o equilíbrio do arranjo social, é urgente e indispensável.

Referência:

COSTANZA, R., Economia Ecológica: uma Agenda de Pesquisa in Valorando a Natureza, Análise Econômica para o Desenvolvimento Sustentável. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1994.

FOLADORI, G., Los límites del desarrollo sustentable. Montevideo: Ediciones de la Banda Oriental, 1999.

FURTADO, C., O Mito do Desenvolvimento Econômico. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1974

MAIMON, D., Ensaios sobre economia. Rio de Janeiro: APED, 1992

MALTHUS, T. R., Ensaio sobre população. São Paulo: Abril Cultural, 1983. (Col. “Os economistas”).

MEADOWS, D. L., MEADOWS, D. H., RANDERS, J. & BEHRENS, W. W., Limites do crescimento- um relatório para o Projeto do Clube de Roma sobre o dilema da humanidade. São Paulo: Ed. Perspectiva, 1972.

SACHS, I., Ecodesenvolvimento, crescer sem destruir. São Paulo: Vértice, 1986

SACHS, I., Estratégias de Transição para o Século XXI. São Paulo: Studio Nobel/Fundap, 1993

TURNER, R., “Sustainable global futures. Common interest, interdependency, complexity and global possibilities”. Futures, nº 5. vol. 19, pp. 574-582, 1987.

WCED Our common Future. Oxford: Oxford University Press, 1987.

TAYRA, F. A relação entre o mundo do trabalho e o meio ambiente: limites para o desenvolvimento sustentável. Scripta Nova, Revista Electrónica de Geografía y Ciencias Sociales, Universidad de Barcelona, vol. VI, nº 119 (72), 2002. [ISSN: 1138-9788] http://www.ub.es/geocrit/sn/sn119-72.htm



Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte: EcoDebate

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