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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Trabalho e meio ambiente, parte 4/5, artigo de Roberto Naime

TAYRA (2002) determina que os pontos centrais do conceito de desenvolvimento sustentável elaborados pela CMMAD e contidos no relatório Nosso Futuro Comum (WCED, 1991) e que se tornaram a linha mestra da Agenda 21, são:


“tipos de desenvolvimento capazes de manter o progresso humano não apenas em alguns lugares e por alguns anos, mas em todo o planeta e até um futuro longínquo. Assim, o “desenvolvimento sustentável” é um objetivo a ser alcançado não só pelas nações ‘em desenvolvimento’, mas também pelas industrializadas… atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem suas próprias necessidades. Ele contém conceitos chaves, o conceito de ‘necessidades’, sobretudo as necessidades essenciais dos pobres do mundo, que devem receber a máxima prioridade e “a noção das limitações que o estágio da tecnologia e da organização social impõem ao meio ambiente, impedindo-o de atender às necessidades presentes e futuras. Em essência, o desenvolvimento sustentável é um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações humanas“.

Por seu turno, a sustentabilidade é definida por CONSTANZA (1994, p. 75) como

“a relação entre os sistemas econômicos humanos dinâmicos e os sistemas ecológicos mais abrangentes, dinâmicos, mas normalmente com mudanças mais vagarosas, na qual a vida humana possa continuar indefinidamente, as individualidades humanas possam florescer, a cultura humana possa desenvolver e os efeitos das atividades humanas permaneçam dentro de limites a fim de que não destruam a diversidade, complexidade e funções do sistema ecológico de suporte da vida”.

Mesmo com os avanços obtidos nas três últimas décadas, a crise ambiental continua aumentando em todo o mundo, ensejando dúvidas quanto à real sustentabilidade do processo.

Os elementos que compõem o conceito de desenvolvimento sustentável já foram colocados, ou seja, a preservação da qualidade dos sistemas ecológicos, a necessidade de um crescimento econômico para satisfazer as necessidades sociais e a equidade entre as gerações presente e futura.

TAYRA (2002) assegura que desta forma, se percebe que os ideais do desenvolvimento sustentável são bem maiores do que as preocupações específicas.

Como a racionalização do uso da energia, ou o desenvolvimento de técnicas substitutivas do uso de bens não-renováveis ou o adequado manejo de resíduos.

Mas, principalmente, é o reconhecimento de que a pobreza, a deterioração do meio ambiente e o crescimento populacional estão indiscutivelmente interligados.

Nenhum destes problemas fundamentais pode ser resolvido de forma isolada, na busca de parâmetros ditos como aceitáveis, visando a convivência do ser humano numa base mais justa e equilibrada.

Segundo SACHS (1986), numa análise que foi corroborada pelas conclusões do Relatório Brundtland, se a degradação ambiental agrava as condições de vida dos mais pobres, a pobreza destes conduz a uma exploração predatória dos recursos naturais, fechando um ciclo perverso de prejuízos sócio-ambientais.

Uma observação mais simples da realidade, por seu turno, nos mostra que são mais pobres aqueles que não possuem ocupação e renda. Estes são também os que tem mais filhos. Com isso, pobreza e crescimento populacional caminham juntos no agravamento da situação ambiental.

A referência ao excedente populacional traz para a evidência os países que possuem taxas de crescimento demográfico superiores a 2 por cento anual, que são os países pobres, ou não-desenvolvidos.

Segundo FOLADORI (1999), “pobreza e crescimento populacional podem ser claramente identificadas com aquela população que não entra no mercado de trabalho, ou o faz de forma marginal ou limitada”.

TAYRA (2002) refere que se a pobreza e o excedente populacional contribuem para a piora na situação ambiental, uma possível solução para amenizar tal estado de coisas seria o acesso ao mercado de trabalho.

Porém, as impossibilidades ou as dificuldades de que isso ocorra já demonstram de forma mais aprofundada, a dimensão do problema que realmente se apresenta.

O desemprego e a pobreza consequente, estão diretamente relacionado com a forma de organização e estruturação da sociedade, seja socialista ou capitalista.

E se o debate ambiental ganhou grande dinâmica a partir dos anos 70, com o debate dos “Limites do Crescimento”, foi também a partir desta data que se passou a manifestar de forma muito mais intensa o que atualmente se chama de desemprego tecnológico.

Referência:

COSTANZA, R., Economia Ecológica: uma Agenda de Pesquisa in Valorando a Natureza, Análise Econômica para o Desenvolvimento Sustentável. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1994.

FOLADORI, G., Los límites del desarrollo sustentable. Montevideo: Ediciones de la Banda Oriental, 1999.

FURTADO, C., O Mito do Desenvolvimento Econômico. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1974

MAIMON, D., Ensaios sobre economia. Rio de Janeiro: APED, 1992

MALTHUS, T. R., Ensaio sobre população. São Paulo: Abril Cultural, 1983. (Col. “Os economistas”).

MEADOWS, D. L., MEADOWS, D. H., RANDERS, J. & BEHRENS, W. W., Limites do crescimento- um relatório para o Projeto do Clube de Roma sobre o dilema da humanidade. São Paulo: Ed. Perspectiva, 1972.

SACHS, I., Ecodesenvolvimento, crescer sem destruir. São Paulo: Vértice, 1986

SACHS, I., Estratégias de Transição para o Século XXI. São Paulo: Studio Nobel/Fundap, 1993

TURNER, R., “Sustainable global futures. Common interest, interdependency, complexity and global possibilities”. Futures, nº 5. vol. 19, pp. 574-582, 1987.

WCED Our common Future. Oxford: Oxford University Press, 1987.

TAYRA, F. A relação entre o mundo do trabalho e o meio ambiente: limites para o desenvolvimento sustentável. Scripta Nova, Revista Electrónica de Geografía y Ciencias Sociales, Universidad de Barcelona, vol. VI, nº 119 (72), 2002. [ISSN: 1138-9788] http://www.ub.es/geocrit/sn/sn119-72.htm



Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Fonte: EcoDebate

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