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quinta-feira, 9 de março de 2017

Desastres ‘de pequena escala’ matam mais do que grandes catástrofes na América Latina

Em novo relatório, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) alerta para os desastres naturais ‘de pequena escala’. Eles causam menos mortes e destruição individualmente, mas sua frequência os torna mais destrutivos que as grandes catástrofes. Na América Latina, de 1990 a 2014, 22,4 mil pessoas foram mortas por esse tipo de tragédia e 115 milhões de indivíduos foram afetados.


Na América Latina, desastres menores — mas que ocorrem com mais frequência — foram responsáveis pela morte de 22,4 mil pessoas de 1990 a 2014. O número representa mais da metade de todos os óbitos provocados por catástrofes naturais na região, no mesmo periódo. Os cálculos são da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e do Escritório da ONU para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR).

Em relatório publicado na segunda-feira (6), os organismos internacionais definem os desastres “de pequena escala” como os que causam menos mortes — menos de 25 vítimas fatais — e danos à infraestrutura — menos de 300 moradias destruídas.

Segundo as agências da ONU, por causa do impacto reduzido, esses eventos naturais não recebem a devida atenção do poder público. O problema se esconde na frequência com que eles ocorrem. De 1990 a 2014, para cada tragédia “de grande escala”, foram registrados 177 desastres menores, também descritos pela FAO e pelo UNISDR como “fenômenos extensivos”.

No mesmo período, mais de 90% das pessoas atingidas por catástrofes naturais — cerca de 115 milhões de indivíduos — foram afetadas por desastres menores.

“Esse tipo de desastre fragiliza a capacidade de recuperação das pessoas e dos sistemas agrícolas, acentuando sua vulnerabilidade a cada novo golpe”, explicou a oficial de gestão de risco da FAO, Anna Ricoy. A análise das agências da ONU foi divulgada na véspera da abertura da V Plataforma Regional para a Redução do Risco de Desastre nas Américas, que acontece em Montreal, no Canadá, até a próxima quinta-feira (9).

Mudança climática: perdas humanas e agrícolas

O relatório chama atenção para o perigo representado pelas mudanças climáticas, responsáveis atualmente por 70% das emergências registradas na América Latina. A região concentra cinco dos dez países sob maior risco de serem afetados por fenômenos extremos associados às transformações do clima. São eles Guatemala, Honduras, Haiti, Nicarágua e República Dominicana.

A FAO e o UNISDR apontam que o setor agrícola é particularmente vulnerável aos desastres naturais. Entre 2003 e 2013, 22% dos prejuízos e danos causados por catástrofes de média e alta intensidade foram registrados no setor agrícola.

A situação preocupa os organismos internacionais, uma vez que a produção de alimentos emprega quase um terço da população economicamente ativa da região.

Entre 2003 e 2014, desastres naturais custaram aos países latino-americanos a soma de 34,3 bilhões de dólares. O montante representa um quarto dos prejuízos globais. No período, catástrofes afetaram 67 milhões de pessoas.

De 2003 a 2013, os maiores prejuízos no setor agrícola da América Latina causados por catástrofes de média e alta intensidade estiveram associados a inundações (55%), secas (27%) e tempestades (10%).

Soluções

Um terço da população latino-americana vive em zonas altamente expostas a ameaças geológicas e particularmente suscetíveis a perigos hidro-meteorológicos. Para evitar novas mortes e perdas econômicas, a FAO e o UNISDR recomendam a implementação de programas regionais robustos de gestão de riscos.

Iniciativas de prevenção devem levar em conta tanto a adaptação às mudanças climáticas, quanto as necessidades específicas de certos segmentos populacionais, como os agricultores familiares. “É necessário adotar inovações tecnológicas e de gestão ajustadas às necessidades desses produtores”, explicou Ricoy.

As agências da ONU alertam ainda que o uso inadequado de recursos naturais aumenta a vulnerabilidade das populações aos fenômenos extremos. A FAO lembra que a restauração de florestas e terras degradas pode ajudar a controlar a erosão e a regular as secas e inundações.

A gestão de riscos também deve incluir medidas para a planificação dos territórios e para a utilização sustentável dos solos. Com isso, é possível recuperar recursos naturais afetados pela exploração intensiva.

Fonte: EcoDebate

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