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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Alemanha – Funerais: procedimentos e rituais

Para quem vive na Alemanha ou aos curiosos espalhados pelo mundo, hoje eu vou falar sobre como funciona um enterro no país.


Berlim é uma capital multicultural (como eu não canso de repetir) por isso, seja lá qual for o assunto, é importante ressaltar que a cultura e a religião influenciam o comportamento e a tradição.

Só para se ter uma ideia, existe gente que se congela (criogenia humana). Se CON-GE-LA esperando por um futuro em que possa reviver o corpo. Acho que eu sou muito tradicional para compreender isso…

Uma das novas tendências autorizadas pelo governo é enterrar o animal de estimação junto com o dono. Quando eu digo junto, é na mesma cova e não no mesmo caixão – melhor explicar né?

Enfim, optei por falar como funciona um enterro cristão, que é a religião oficial do país, e do qual muitas tradições são usadas até mesmo por ateus.

Primeiro passo

A primeira preocupação é escolher uma funerária. Existem inúmeras empresas com preços diferentes, dependendo do serviço e também da região em que se vive. Mas para que vocês tenham uma ideia, a média de preços em Berlim é de 900 euros.

Atenção!

Preciso trazer a vocês uma realidade bem desagradável que fiquei sabendo por depoimento de pessoas próximas.

Algumas vezes, o parente aparece na funerária para acertar os detalhes e, as empresas se aproveitam do abalo emocional para arrancar mais dinheiro da pessoa.

Se você precisar entrar em contato com uma dessas empresas, vá sempre acompanhado de alguém que possa te dar apoio emocional e te proteger de má decisões.

A geração que se preparou

As pessoas nascidas na década de 30 e 40 têm o hábito de deixar, da funerária ao túmulo, exatamente tudo arranjado antes de morrer.

Sinceramente eu não tenho ideia de quanto custa um túmulo, mas assim como as funerárias, existem diversos cemitérios espalhados por Berlim. Alguns muito antigos e tradicionais, outros mais modernos e, ainda aqueles separados especialmente para uma comunidade, como o cemitério dos judeus.

O túmulo

Independente do cemitério, a regra é que você compra um túmulo e ele será seu por 20 anos, esteja você vivo ou morto. Após esse período, é preciso renovar o contrato e, claro, pagar novamente pelo túmulo.

Os cemitérios têm dias apenas para a visitação e dias para os enterros. Isso faz com que os enterros demorem mais tempo para acontecer do que estamos acostumados no Brasil. Em média a pessoa só é enterrada quatro semanas após a sua morte.

Outra coisa bem diferente é sobre a cremação. Aqui não pode levar as cinzas para casa. Após o crematório, somente a funerária pode transportar a urna ao cemitério, e ali existe um local separado para elas, que se assemelha a uma estante. É um compartimento que lembra um mini túmulo, feito de forma bem respeitosa.

Também é importante falar que muita gente sem parentes vivos para cuidar do enterro ou condições de arranjar o próprio funeral, acaba sendo enterrada como “Anônimo”. Veja bem, “Anônimo” não é o mesmo que entendemos no Brasil como enterro de indigente. O finado é levado para um espaço separado do cemitério e há uma placa de identificação com o nome, etc.

Esse tipo de enterro é o governo quem paga e não há uma cerimônia. Mesmo assim, líderes religiosos e outros tipos de voluntários, muitas vezes vão até o cemitério e fazem uma pequena cerimônia numa forma de demonstrar respeito ao falecido. Como é uma ação voluntária, ela não acontece em todos os enterros de anônimos.

Para quê serve o imposto da Igreja?

Essa é uma pergunta que muitos brasileiros se fazem quando aparece aquele desconto no salário para a igreja católica ou protestante. Pois bem, esse é um dos momentos em que você passa a entender o porquê.

O padre ou o pastor só aparecerá no funeral, caso o imposto esteja em dia. Pois é, eu acho isso bizarro, mas existe uma outra alternativa, é possível escolher um parente ou amigo para falar na cerimônia.

Rituais

Algo que temos em comum com os alemães é usar preto. Mostra respeito e luto.

Na capela do cemitério, há uma reunião, onde tenta-se falar palavras reconfortantes.

Levar flores e coroas para serem colocadas no túmulo é de bom tom.

Entre muitas diferenças temos, por exemplo, o fato de não existir o Serão por aqui. Para quem não sabe, Serão é quando uma pessoa morre e durante 24 horas o caixão fica exposto num ambiente para que seja visitado.

A cerimônia alemã é sempre mais íntima e até mesmo silenciosa. Brasileiros tendem a ser mais expansivos por natureza. Falamos mais alto, choramos mais alto e nem sempre nos importamos se o fazemos em público.

Quando eu digo que a cerimônia é mais íntima e silenciosa, por favor, não entendam como a visão clichê de que alemães são frios, as pessoas aqui tendem a ser mais reservadas, só isso.

Voltando aos rituais, quando o caixão é posto na cova, todos os presentes pegam um punhado de terra e jogam três vezes na cova enquanto falam “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Pessoas de outras religiões ou ateus fazem o mesmo com a terra, apenas sem falar nada.

Depois do sepultamento, é tradição que todos se reúnam na casa de quem organizou o enterro para um café com bolo. Essa tradição é feita para que as pessoas tenham tempo de conversar, dar os pêsames aos parentes e dividir memórias importantes e alegres sobre a pessoa que se foi.

Aqui no norte não existe missa de sétimo dia. Como a maioria é protestante, eu não sei se é só no norte ou se no sul que é católico também não tem. Talvez o café com bolo seja o substituto da missa…

Essa é a minha volta ao Brasileiras Pelo Mundo, espero que vocês tenham gostado de saber mais sobre as tradições alemãs. Quem tiver alguma experiência diferente para contar, deixe nos comentários. Talvez juntos, podemos ajudar alguém a lidar com essa situação ou descobrir outras curiosidades.

Até a próxima!

Fonte: Brasileiras pelo Mundo

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