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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

“Paris é irreversível”, diz Serra no G20

Chanceler reafirma compromisso do Brasil com acordo do clima em encontro de chanceleres do bloco; reunião em julho pode virar sessão de descarrego climático contra saída dos EUA.


Por Claudio Angelo, do OC –

O chanceler José Serra (PSDB-SP) afirmou na última quinta-feira (16) que “não há mais margem para o ceticismo em relação à mudança do clima” e que o Acordo de Paris é irreversível. Segundo ele, o G20, o bloco dos 20 países mais ricos do mundo, deveria passar uma “mensagem firme” nesse sentido em sua próxima reunião, que acontece em julho, na Alemanha.

Serra falou em Bonn durante uma reunião preparatória de chanceleres do grupo. Até o fechamento deste texto, o Itamaraty ainda não havia distribuído a íntegra da fala do ministro, que comentou sobre o discurso em seu perfil no Facebook.

Foi o primeiro encontro do gênero ao qual compareceu o novo secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson. O chefe da diplomacia de Donald Trump é ex-presidente da Exxon, a empresa que mais fez em toda a história para patrocinar a desinformação e o negacionismo climático.

A fala de Serra não foi o primeiro recado que Tillerson precisou escutar em nome de seu chefe, um autoproclamado negacionista do clima que durante a campanha prometeu “cancelar” o Acordo de Paris.

Em nota distribuída aos ministros no começo da reunião, o chanceler alemão Sigmar Gabriel (ele mesmo ex-ministro do Meio Ambiente, assim como a premiê Angela Merkel), anfitrião do encontro, alfinetou Trump: “Nenhum país pode enfrentar os grandes problemas internacionais de nossa época”, declarou Gabriel, em alusão ao isolacionismo professado pelo republicano. “A mudança climática não pode ser enfrentada com arame farpado”, prosseguiu, numa alusão nada sutil à ideia de Trump de construir um muro na fronteira dos EUA com o México.

A Alemanha tem trabalhado para transformar o encontro anual do G20, sob sua presidência, numa espécie de encontro de desagravo ao Acordo de Paris diante da ameaça americana. Merkel, que enfrenta eleições em outubro, busca se firmar para o público interno como a “anti-Trump”: a depositária da unidade europeia e do multilateralismo, que o presidente americano tenta minar.

A estratégia alemã é unificar o G20 em torno das metas de Paris, de forma a tentar mitigar o potencial impacto de uma saída americana. Analistas temem que, ao abandonar o tratado, Trump estimule outros países a tirar o clima da agenda. Isso poderia ser fatal para a chance da humanidade de cumprir o objetivo final do acordo – evitar que o aquecimento global atinja 2oC em relação à era pré-industrial.

A Merkel, portanto, interessa fazer barulho. E ela não está sozinha. Ambientalistas e acadêmicos na Europa e também nos EUA veem no G20 um palco para fazer frente a Trump e sua trupe de negacionistas e lobistas da indústria fóssil. A embaixadora francesa Laurence Tubiana, que liderou as negociações que levaram ao Acordo de Paris, disse ao site britânico Climate Home que o G20 seria um “acerto de contas com o clima”. Mais recentemente, os americanos Gwayne Taraska, da ONG Think Progress, e Andrew Light, da Universidade George Mason, escreveram que o G20 pode até mesmo barrar a escalada anticlimática de Trump – já que 70% dos americanos apoiam a ação no clima (não custa lembrar, neste caso, que apoio popular não significa muita coisa para um presidente que não foi eleito pelo voto popular).

Outros países têm defendido uma abordagem mais mineira, por assim dizer, ao encontro de julho. Entre eles está o Brasil. Apesar da fala de Serra, há no governo brasileiro quem defenda que não é hora de chamar holofotes para o assunto – sob risco de estimular Trump a dar um show para a extrema-direita americana e mandar Paris para o vinagre em um tuíte ou dois.

No próprio departamento de Estado dos EUA reina a incerteza. Alguns diplomatas que negociavam clima no governo Obama foram mantidos e, até aqui, Tillerson não deu nenhuma sinalização clara do que Trump fará com o tema na arena internacional.

Negacionista confirmado

O plenário do Senado americano confirmou na tarde desta sexta-feira a indicação de Scott Pruitt para chefiar a EPA (Agência de Proteção Ambiental) dos EUA. Negacionista da mudança climática, Pruitt é procurador-geral do estado de Oklahoma, importante produtor de petróleo e gás natural, e crítico declarado da regulamentação de poluentes. Passou grande parte de sua carreira processando a mesma EPA que ora chefiará. Uma das ações mais recentes movidas por ele diz respeito ao Plano de Energia Limpa de Barack Obama, executado pela EPA.

Dada a maioria republicana no Senado, a nomeação de Pruitt, cuja sabatina se arrastou por duas semanas depois que os democratas boicotaram as sessões, já era esperada. Seu nome passou por 52 a 46, com apenas uma senadora republicana votando contra.

Apesar de ter ganho o cargo, Pruitt começará seu regime acossado: um juiz de Oklahoma ordenou que ele divulgue uma série de 3.000 e-mails que trocou com representantes da indústria dos combustíveis fósseis. Os e-mails devem ser liberados para na terça-feira.

Fonte: Envolverde

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