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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Antissemitismo em crescendo nos EUA. Ameaças de bomba contra centros judaicos e cemitérios vandalizados

Campanha de recolha de fundos lançada por americanos muçulmanos para reparar estragos num cemitério judaico do Missouri, que foi parcialmente destruído no fim de semana, angariou mais de 57 mil dólares num dia. Desde o início do ano foram denunciadas 69 ameaças coordenadas contra centros judaicos de 27 estados norte-americanos, onze delas esta segunda-feira


Só na última segunda-feira, onze centros comunitários judaicos espalhados pelos Estados Unidos foram alvos de ameaças de bomba, que vieram juntar-se às 69 ameaças coordenadas contra comunidades de judeus já registadas em 27 estados norte-americanos desde o início de janeiro.

Os números foram avançados pela Associação americana de Centros Judaicos (JCCA), que ressalta que, numa dessas ameaças de bomba, uma voz distorcida avisou que "um grande número de judeus vai ser chacinado" por um engenho explosivo. Até agora as autoridades não encontraram bombas plantadas em qualquer dos centros comunitários já ameaçados, mas o número denota um aumento preocupante do antissemitismo nos Estados Unidos.

De cada vez que um centro judaico recebe um destes telefonemas, os edifícios-alvo têm de ser evacuados pelos funcionários; bebés e crianças pequenas são sempre os primeiros a serem retirados por professores e educadores de infância em pânico. Com medo do que pode vir a acontecer, aponta a JCCA, vários pais já tomaram a decisão de retirar os seus filhos destes centros, que para além de servirem de local de encontro entre americanos judeus e de outras religiões funcionam como infantários.

Na segunda-feira, o dia com o mais elevado número de ameaças registadas desde o início do ano, a polícia de St. Louis, no Missouri, informou que dezenas de lápides de um cemitério judaico no bairro da Cidade Universitária daquela cidade foram destruídas durante o fim de semana. Anita Feigenbaum, diretora da Sociedade Chesed Shel Emeth, disse ao "Washington Post" que foram mais de 170 as campas vandalizadas na parte mais antiga do cemitério, um "horrendo ato de cobardia" sem precedentes nos 125 anos de história daquele cemitério.

Esta terça-feira, no rescaldo dos atos de vandalismo no cemitério judaico de St. Louis, duas associações muçulmanas lançaram uma campanha de recolha de fundos na internet para angariar dinheiro para a reconstrução das lápides destruídas. "Perante ameaças de bomba e crimes de ódio contra dezenas de centros comunitários judaicos dos EUA, um histórico cemitério foi vandalizado este fim de semana. Os americanos muçulmanos estão solidários com a comunidade judaico-americana e condenam este horrendo ato de profanação do cemitério Chesed Shel Emeth. Enviamos as nossas condolências a todos os que foram afetados e a toda a comunidade judaica."

A campanha foi lançada por Linda Sarsour, diretora do grupo de ativistas MPower Change, e por Tarek El-Messidi, da organização CelebrateMercy, e em apenas um dia conseguiu angariar mais de 57 mil dólares [54 mil euros] para reconstruir o cemitério judaico, bem acima do objetivo inicial de 20 mil dólares [18.900 euros]. "Os fundos que sobrarem depois da restauração do cemitério", prometem os dois líderes da comunidade de americanos muçulmanos, "serão alocados para reparar outros centros judaicos vandalizados".

O FBI anunciou esta semana que a Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça "já está a investigar possíveis violações em conexão com as ameaças a centros comunitários judaicos por todo o país". Entre 2014 e 2015, a agência federal registou mais de 1270 crimes de ódio contra judeus, mais do que contra qualquer outro grupo religioso, e fontes assumem que a discriminação tem estado a piorar desde então. "Estou neste trabalho há mais de 20 anos e isto não tem precedentes", denunciou à CNN Paul Goldenberg, consultor de segurança que trabalha para o Departamento de Segurança Nacional. A onda de antissemitismo que está a ser registada no país, avisou o especialista, "é mais metódica do que parece".

Na semana passada, durante uma conferência na Casa Branca, um jornalista judeu perguntou a Donald Trump o que pretende fazer para dar respostas ao crescente antissemitismo registado no país. O Presidente tinha dado a palavra ao jornalista por considerá-lo "amigável" e ficou irritado com a pergunta "difícil". A sua resposta passou por voltar a gabar-se da sua vitória eleitoral e por se autoproclamar "a pessoa menos antissemita que algum dia viram em toda a vossa vida", sob o argumento de que a sua filha mais velha se converteu ao judaísmo após casar com Jared Kushner.

No dia seguinte, a própria Ivanka Trump foi a primeira da família presidencial a comentar a onda de ameaças bombistas a centros judaicos, dizendo no Twitter que "a América é uma nação fundada no princípio da tolerância religiosa" e que "devemos proteger as nossas casas de culto e centros religiosos", com a hashtag #JCC (Jewish Community Centers). Contactada pela NBC News para comentários aos ataques e ameaças antissemitas, a Casa Branca disse apenas que "o ódio e a violência motivada pelo ódio não têm qualquer lugar num país fundado na promessa de liberdade individual", sem fazer qualquer referência ao facto de os alvos serem judeus.

Esta terça-feira Trump falou pela primeira vez sobre o problema, dizendo aos jornalistas que "as ameaças antissemitas contra a nossa comunidade judaica e contra centros comunitários são horríveis e dolorosas e uma lembrança triste de que ainda há trabalho a fazer para eliminar o ódio e o preconceito e o mal".

O antissemitismo em crescendo nos Estados Unidos, onde incidentes como insultos e agressões a judeus no metro têm sido registados em maior número desde o início da divisiva campanha eleitoral para as presidenciais de novembro, surge a par de decisões controversas da nova administração norte-americana. Ainda antes de tomar posse há um mês, o então Presidente eleito nomeou para a sua equipa pessoas ligadas à extrema-direita que já foram acusadas de antissemitismo, caso de Steve Bannon, o antigo CEO do site "Breitbart News", da dita "direita alternativa". O governo americano decidiu entretanto retirar da lista de alvos de programas de combate ao extremismo doméstico grupos da direita fundamentalista que têm a comunidade judaica entre os seus alvos preferenciais.

Fonte: Expresso

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