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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Impacto Ambiental Do Cultivo Da Seringueira No Estado De São Paulo, Por Marco Antonio Ferreira Gomes E Lauro Charlet Pereira

Impacto Ambiental Do Cultivo Da Seringueira No Estado De São Paulo

Marco Antonio Ferreira Gomes1

Lauro Charlet Pereira2

Introdução


O cultivo da seringueira no Estado de São Paulo remonta à década de 70, fruto de uma política pública formulada e conduzida pela Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, com objetivo de propor uma nova alternativa agrícola para os produtores paulistas, em substituição às culturas de menor rendimento ou mesmo à agricultura de subsistência que predominava no meio oeste do Estado (IAC, 1999, citado por PINO et al., 2000, p.7). Assim, os seringais paulistas foram implantados e continuam concentrados no Planalto Ocidental do Estado, principalmente nas regiões administradas pelos Escritórios de Desenvolvimento Rural (EDRs) de São José do Rio Preto, Barretos, General Salgado, Catanduva, Marília, Tupã e Votuporanga, que totalizam 67,0% da área plantada.

Ao longo de quatro décadas de implantação da seringueira, foi observada boa evolução na área cultivada, chegando em 2003 a 44 mil ha, correspondentes a 20,3 milhões de pés, distribuídos por 2.550 UPAs – Unidades de Produção Agropecuária, de acordo com Francisco et al., (2004). Porém, de 2003 até os dias atuais não se observou mais um processo de evolução do setor.

Considerando este cenário de estagnação aparente e a importância do cultivo da seringueira, também chamada de heveicultura, para a economia brasileira, foi proposto um trabalho de pesquisa pela Embrapa, com o envolvimento inicial de duas Unidades – Embrapa Meio Ambiente e Embrapa Monitoramento por Satélite (Projeto Geohevea), com o objetivo de avaliar o impacto ambiental dessa cultura e, consequentemente, a sua sustentabilidade, considerando o histórico de cultivo por mais de 40 anos.

Assim, a área selecionada para estudo situa-se no município de Planalto e faz parte do Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) de São José do Rio Preto, localizado a uma distância de 82,4 km.

O estudo consiste principalmente em avaliar as propriedades físicas e químicas do solo cultivado com a seringueira e compará-las com as propriedades do solo, do mesmo tipo, onde há cobertura com pastagem e com mata nativa. Assim, tem-se uma boa referência, principalmente com a mata nativa, considerada o tipo de cobertura com impacto negativo, igual ou próximo de zero.

____________________

1/ Geólogo; Pedólogo. Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente. Rod. SP 340, Km 127,5. Caixa Postal 69. Tanquinho Velho, Jaguariúna/SP. 13.820-000. E-mail: marco.gomes@embrapa.br

2/ Engenheiro Agrônomo. Doutor em Planejamento e Desenvolvimento Rural Sustentável, Pesquisador da Embrapa Meio Ambiente. Rod. SP 340, Km 127,5. Caixa Postal 69. Tanquinho Velho, Jaguariúna/SP. 13.820-000. E-mail: lauro.pereira@embrapa.br

Área selecionada para estudo com os três tipos de cobertura vegetal – seringueira, pastagem e mata nativa

As áreas de estudos encontram-se a 3 km do centro de Planalto, sendo que as três coberturas – seringueira, pastagem e mata nativa, estão sobre o mesmo tipo de solo (Latossolo Vermelho Amarelo, textura média).

A Figura 1 mostra a área selecionada, com as respectivas coordenadas geográficas.

Implantação dos experimentos e início dos trabalhos

Os experimentos foram instalados no mês de agosto de 2016 e consistiram, inicialmente, na caracterização do solo, com abertura de perfis, descrição e coleta de amostras para determinação de suas propriedades morfológicas, físicas e químicas, sob as coberturas de seringueira, pastagem e mata nativa.

Como auxílio na avaliação das taxas de perdas de solos para cada tipo de cobertura vegetal, foram instaladas parcelas de 1m2 acopladas a um recipiente (bombona) para armazenar as perdas de solo e de água pelas chuvas, previsto para duração de um ciclo de 12 meses. A cada evento de precipitação igual ou maior que 5mm, realiza-se a coleta com o envolvimento dos parceiros da CATI de Planalto.

Assim, o trabalho propõe comparar as características morfológicas, físicas e químicas do solo sob os três tipos de cobertura, a partir de análises e amostras coletadas no perfil, como também avaliar e comparar as perdas de solo e de água para cada cobertura. Tais comparações mostrarão se a seringueira apresenta maior ou menor poder de impacto ambiental, como também se possui comportamento direcionado para a sustentabilidade da heveicultura.

Considerações finais

As áreas ocupadas com seringueira no Estado de São Paulo são predominantemente constituídas por solos de textura média, representados principalmente pelos Latossolos Vermelhos e Vermelho-Amarelos. Tais solos por serem mais pobres do ponto de vista da fertilidade e também por serem mais suscetíveis à erosão, requerem atenção especial quanto às práticas de uso e manejo.

Referências

FRANCISCO, V.L.F.S.; BUENO, C.R.F.; BAPTISTELLA, C.S.L. A Cultura da Seringueira no Estado de São Paulo. Informações Econômicas, SP, v.34, n.9, set. 2004. P. 31 – 42.

PINO, F. A. et al. (Org.) Levantamento censitário de unidades de produção agrícola do estado de São Paulo. São Paulo: IEA/CATI/SAA, 1997. 4v. IAC, 1999, citado por PINO et al., 2000, p.7).

PROJETO GEOHEVEA. Sustentabilidade, competitividade e valoração de serviços ecossistêmicos da heveicultura em São Paulo com uso de geotecnologias. Centro Nacional de Pesquisa de Monitoramento por Satélite – CNPM. Campinas. 2013. 59 p.

Fonte: EcoDebate

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