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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O abandonado “Cemitério do Batalhão”

Pode até parecer meio surreal, mas os cemitérios, além de serem o lugar do “descanso dos mortos”, também são pontos turísticos. Nos Estados Unidos, no Cemitério de Arlington, estão sepultados mais de 400 mil combatentes e mais algumas personalidades, como o ex-presidente John Kennedy.
É um cemitério militar, administrado pelo Departamento do Exército dos EUA, mas de acesso público. Foi inaugurado no dia 13 de maio de 1864, e guarda os restos mortais de combatentes de todas as guerras travadas pelos americanos. O cemitério é emblemático e é midiático. Nele, todos os presidentes dos Estados Unidos prestam homenagens aos veteranos de guerra. O último foi Donald Trump. Há também em Arlington, o famoso Túmulo do Soldado Desconhecido, que contém os corpos de três soldados que lutaram na I Guerra Mundial, II Guerra Mundial e Guerra da Coréia. Os três soldados representam todos os mortos de guerra não identificados. O cemitério dos veteranos de guerra de Arlington recebe turistas do mundo todo, todas as épocas do ano, e em grande número.

- Túmulo do Soldado Desconhecido, no Cemitério de Arlington - EUA

No Brasil há o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro, inaugurado no dia 05 de agosto de 1959. No local estão sepultados 462 corpos de combatentes brasileiros que morreram na Itália. Também foi homenageado o Soldado Desconhecido, com um túmulo contendo restos mortais que não foram identificados. É o mais conhecido cemitério de guerra brasileiro.

- Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro

Mais antigo que o Cemitério de Arlington (1864), e do que o Cemitério dos Veteranos Brasileiros da II Guerra Mundial (1959), é o Cemitério do Batalhão, que homenageia os mortos da Batalha do Jenipapo, ocorrida em 13 de março de 1823. Localizado na cidade de Campo Maior, o cemitério, simbólico, está situado no Campo do Batalhão, nome pelo qual ficou conhecido o local onde se deu o confronto entre brasileiros e portugueses. A guerra sangrenta era pela total independência do Brasil.

- Cemitério do Batalhão, em Campo Maior. É tombado pelo IPHAN desde 1938

Em 1922, comemorando 100 anos da guerra do Jenipapo, o Conselho Municipal de Campo Maior decidiu erigir um obelisco no Campo do Batalhão, para lembrar os heróis de guerra que tombaram ali. O obelisco foi inaugurado no dia 7 de setembro, dia da independência do Brasil. No ano de 1938, no dia 30 de novembro, o Cemitério do Batalhão foi reconhecido e tombado pelo IPHAN. O registro está no Livro do Tombo Histórico e das Belas Artes. Em 1973, o Governo do Estado, no Regime Militar, inaugurou o Monumento do Jenipapo, uma grande construção que reforçava as homenagens aos heróis da guerra em Campo Maior.

O Cemitério do Batalhão também foi homenageado em um selo postal em 2013. Mais três cemitérios tombados foram homenageados, o do Batalhão, em Campo Maior, é o mais antigo dos cemitérios tombados pelo IPHAN.

- Selo Postal do Cemitério do Batalhão. Foram confeccionados 150 mil unidades

Diferente dos demais cemitérios citados, o Cemitério do Batalhão permanece em completo abandono. Um desprezo terrível àqueles que tombaram na Batalha do Jenipapo. Uma desonra inaceitável aos heróis do Jenipapo. Mas fora isso, a completa ignorância do Estado novamente se destaca. Esse cemitério, como centenas de outros ao redor do mundo, poderia ser um ponto turístico dos mais visitados do Brasil. Até sua localização colabora para isso, visto que ele está fincado às margens da BR 343, que segue em direção a Fortaleza.

Imagino o dia em que alguém vai abrir os olhos para esse descaso e, além de honrar a memória dos homens que lutaram pela nossa liberdade, vai transformar aquele lugar num ponto turístico. Quantos sulvenirs poderiam ser vendidos, lembrando cenas da guerra? Pequenas estatuetas, medalhas, brasões, camisetas, bandeiras, livros, réplicas das armas. O local não conta com nenhum tipo de loja ou alojamento e não há lugar para refeição, nem para banho. O museu é um atentado à história, com peças fraudulentas, de outro período histórico, inclusive. Não tem auditório. Nada! A verdade é que o lugar está abandonado e sempre foi assim, desde 1823. Só na véspera, dois dias antes do 13 de março, o abandonado monumento é limpo.

- Durante quase todo ano o local fica totalmente abandonado

Não há interesse político. Morto não vota, é uma pena. É um retrato da falta de cultura e de visão, de intelectualidade, de entendimento econômico, tudo falta em nossos políticos. No âmbito nacional, jamais um presidente brasileiro teve a sensibilidade de visitar o Monumento do Jenipapo e o Cemitério do Batalhão, muito diferente dos presidentes dos Estados Unidos, que honram seus soldados. No Brasil, o presidente é o Comandante em Chefe das Forças Armadas. Descaso absurdo. Nem mesmo uma bandeira existe no local. As bandeiras do Brasil, do Piauí e de Campo Maior, deveriam tremular noite e dia no Campo do Batalhão, e a presença de um posto do Exército também era necessária. Até quando será assim? Um potencial turístico gigantesco no mais completo descaso.

Fonte: 180 Graus

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