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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Eles fazem os funerais de quem morre sem ninguém

Voluntários da Irmandade de S. Roque, em Lisboa, vão aos funerais dos que morrem sozinhos.


São cerca de uma centena por ano, em Lisboa, os funerais de pessoas sós, onde estão presentes voluntários da Irmandade de S. Roque, que tem, precisamente, como uma das suas missões enterrar os mortos e rogar a Deus por vivos e defuntos.

Os irmãos voluntários estão presentes em “todos os funerais daqueles que morrem na cidade de Lisboa sozinhos, sem família, muitas vezes sem casa, sem amor, sem ninguém”, confirma o 1º vice-provedor. O Irmão Mário Pinto Coelho diz que se trata de "pessoas que ou estão na rua e morrem na rua," e outros que "morrem nos hospitais ou em quartos de pensões, sem família”.

O funeral é sempre acompanhado “com o sacerdote, que faz a encomendação do corpo", continua Mário Pinto, "e damos a estes funerais a mesma qualidade, o mesmo respeito, a mesma dignidade que qualquer funeral de um nosso familiar”. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa tem a responsabilidade de suportar as despesas inerentes aos enterros destas pessoas.

Para cumprir esta missão, a Irmandade conta com cerca de 15 voluntários, porque há dias com vários funerais e “é complicado, às vezes, encontrar pessoas disponíveis para as 10 horas da manhã, durante os dias de semana, ou da parte da tarde”, porque são alturas em que se está a trabalhar.

Uma vez por ano, a 17 de Outubro, Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, a Irmandade de S. Roque promove uma missa na Basílica dos Mártires, no Chiado, em Lisboa, por alma de todos a quem acompanharam nos funerais. “Na altura da Oração dos Fiéis, evocamos o primeiro nome de cada um daqueles que acompanhámos”, sublinha Mário Ponto Coelho. Também em todas as primeiras sextas-feiras de cada mês, a Irmandade reza pelos Irmãos que já faleceram e pelos que estão vivos.

A Irmandade de S. Roque tem um plano de actividades anual que conta com cerca de 100 projectos nas mais variadas áreas, como “visitas aos equipamentos de idosos, participações do coro em celebrações religiosas, que também canta nos lares de idosos, passeios culturais com utentes da Santa Casa ou investigação científica”. Tem havido, também "a edição de alguns livros quer sobre as Obras de Misericórdia, quer sobre a história da Irmandade”.
A Irmandade de S. Roque conta com 165 Irmãos. Todos os anos, entram “12 a 15 pessoas”. “Não fazemos convites”, explica o vice-provedor, desta irmandade, cuja missão assenta em três objectivos principais: manter o culto a São Roque, tutelar a vida cristã da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e participar na propagação e testemunho da Fé. "A irmandade está aberta a todos aqueles que quiserem participar, que defendam as nossas convicções e que estejam disponíveis para o serviço dos outros", remata Mário Pinto.

Em Macedo de Cavaleiros, reza-se a “coroa” pelos defuntos

Na Unidade Pastoral de Macedo de Cavaleiros, há muitos anos que a Igreja reza a "coroa pelos defuntos". A oração comunitária acontece no lugar do velório e foi implementada pelo cónego Manuel Inácio de Melo. “É uma maneira de sufragarmos aqueles que partiram, pois nós acreditamos na ressurreição, acreditamos no purgatório e, pelo dogma da comunicação dos santos, sabemos que podemos ajudá-los através da nossa oração”, diz o sacerdote à Renascença.

O pároco coordenador da Unidade Pastoral não se lembra como surgiu o termo "coroa", mas explica que não se trata de "uma coroa que se quer oferecer ao defunto”. A coroa integra a meditação e recitação dos mistérios dolorosos do rosário, a salvé rainha, uma reflexão apropriada ao momento, a ladainha ao preciosíssimo sangue, a oração dos fiéis e a consagração a Nossa Senhora.

“Ao defunto oferecem as pessoas as coroas de rosas. É lembrar a paixão de Cristo, Cristo que morre pelos nossos pecados. As almas do purgatório já nada podem fazer por elas próprias, então temos que nós, os vivos, fundamentados no dogma da comunhão dos santos, ajudá-las a entrar mais depressa no céu”, explica o cónego de Bragança-Miranda.

Inicialmente, à oração presidia o pároco. Actualmente, é um Ministro Extraordinário da Comunhão que tem essa missão. José Pinto é um dos que é chamado muitas vezes a presidir. Sabe que está a praticar as Obras de Misericórdia e diz-se “muito confortado em poder colaborar” e contribuir para que “a alma que partiu, se por acaso estiver no purgatório, possa ser levada o mais rápido possível para a glória”.

O leigo sublinha que “as pessoas participam em grande número, com respeito e com gosto” e que, muitas vezes, são “os familiares da pessoa que morreu a manifestar agradecimento pela oração e comunhão que é conforto em horas de muita dor”.

José Pinto nota que, além de presidir à chamada coroa pelos defuntos, tem por hábito rezar diariamente pelos que já partiram. É como que um compromisso de vida que foi adquirindo com os familiares e através da sua formação.

Igual para ricos ou pobres

Em Macedo de Cavaleiros, a eucaristia exequial integra sempre a oração do ofício de defuntos. “Cantamos sempre, seja rico ou pobre. Se não houver gente suficiente para cantar, rezamos. Mas, normalmente, há sempre três ou quatro para fazer um coro”, conta o pároco.

Um funeral envolve sempre três momentos. O lugar do velório, onde se reza a coroa e vela o corpo, a igreja, onde se celebra a eucaristia que integra o ofício de defuntos, e o cemitério. Habitualmente, cabe ao diácono Ilídio Mesquita conduzir o defunto ao cemitério e ali presidir à ultima oração.

“Esta é mais uma missão. A morte faz parte da vida. Nós encaramos a morte com a perspectiva da vida eterna e da ressurreição”, diz.

No exercício desta obra de Misericórdia, o difícil, segundo o diácono, é “consolar os vivos”. “Isso é que é difícil, porque alguns não percebem ou não têm esta dimensão da fé. Mas a obra de misericórdia é também rezar por vivos e defuntos”, realça o diácono.

Também é prática nesta unidade pastoral de Macedo de Cavaleiros a Igreja assegurar gratuitamente o funeral aos pobres ou aos sem família. “Se a família não pode assumir as despesas, oferece-se o funeral e as quatro missas: a missa exequial, depois a chamada missa de saimento, que agora chamamos missa de 3.º dia, a missa de 7.º dia e a missa de trigésimo dia”, explica o cónego Manuel Melo.

“Tem havido um caso ou outro em que não se conhece bem a família e, então, pergunta-se à agência funerária. E, às vezes, a própria agência funerária diz: 'temos que o enterrar por caridade'”, diz.

Fonte: Jornal Renascença

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