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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Beleza e história entre os túmulos

Em 2003, munida de cinco rolos de filmes, a relações-públicas paranaense Clarissa Grassi resolveu passar uma tarde no Cemitério Municipal São Francisco de Paula, em Curitiba (PR), fotografando detalhes de esculturas.


— Quando eu mostrava as fotos, as pessoas diziam "adorei, em que praça fica essa escultura?". Quando eu respondia que era no cemitério, replicavam "que horror, que mórbido".

Indignada com o preconceito, resolveu pesquisar a história do espaço, resultando no livro Um Olhar: A Arte no Silêncio (2006), no qual aborda 54 esculturas. Seguiu pesquisando, e percebeu que com isso descobria mais também sobre a história da cidade. Em 2011, começou a compilar 99 minibiografias de pessoas ali sepultadas, redundando em 10 sugestões de trajetos temáticos de visitação, passando por túmulos de artistas, políticos, milagreiros, etc. A primeira visita guiada ocorreu naquele ano, e, de eventual, acabou se tornando mensal, com três horas de duração e grande público. Durante o passeio, ela aborda desde as concepções da morte ao longo do tempo até a arquitetura, a simbologia e a história das pessoas ali sepultadas. 

— Todo cemitério é uma reverberação da cidade — resume Clarissa, destacando que eles também têm seus bairros, seu "centro histórico" com as famílias mais antigas, são mais verticais nas cidades maiores, etc.

Em 2014 a pesquisadora lançou um guia bilíngue com os roteiros. Recentemente, também concluiu seu mestrado em Sociologia com uma dissertação sobre o cemitério curitibano, e atualmente preside a Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais.

— O cemitério como campo de pesquisa é vastíssimo — diz, acrescentando: — É preciso desmistificá-lo, vê-lo pelo viés patrimonial, como arquitetura e repositório de arte.

Influências

Nos seus 13 anos de pesquisa na área, Clarissa constatou que as influências religiosas e culturais resultam em maneiras diferentes de sepultar os mortos. Ela explica que simbologia presente na arte cemiterial é principalmente religiosa: nos cemitérios católicos, há muitas esculturas retratando santos, anjos e alegorias, e nos protestantes predominam cruzes e esculturas do Cristo. 

— No Século 19, período da transição entre a proibição dos sepultamentos em igrejas e a criação dos cemitérios extramuros, houve uma grande profusão da arte tumular, pois as famílias tinham a necessidade de carregar esse discurso simbólico da crença na vida após a morte — diz. 

Ela conta que historiadores da morte como Vovelle e Ariès referem-se a esse período como o da "morte burguesa", em que se buscava a individualização do ente querido, a negação da morte por meio dos símbolos que falavam de uma segunda existência e demonstração de poder com a construção de túmulos suntuosos. Com o tempo esse tipo de arte foi caindo em desuso, e com a secularização dos cemitérios aumentaram as referências à Maçonaria e à Rosa Cruz, além de modismos como elementos da cultura egípcia, no início do Século 20.

— As referências presentes nas cidades eram replicadas nos cemitérios, daí a existências das mesmas influências arquitetônicas, como o modernismo, o ecletismo, art déco, neogótico, entre outros. 
Cuidar para amenizar a dor

Há 15 anos, Marciano Gubert entrou naquela que considera uma das mais profissões mais bonitas que existem: a de agente funerário. Hoje gerente das Capelas Cristo Redentor, ele ressalta que os agentes são, antes de tudo, alguém que tem a missão de ajudar a amenizar a dor das famílias que perderam uma pessoa querida.

— O agente funerário é um dos primeiros a ter contato com a família, pois faz desde a remoção do corpo do hospital até sua preparação para o velório, tentando deixá-lo com a aparência mais natural possível.

Esse trabalho minucioso envolve banhar o corpo, vesti-lo, arrumar o cabelo, aparar a barba, maquiar e, em alguns casos, até mesmo pintar os cabelos da pessoa falecida. Cada situação é única, relata Gubert, vai depender dos desejos dos familiares e da sensibilidade e experiência do agente. 

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