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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Competição de cremação de mortos na China

Nunca houve uma competição neste sentido na China, e isso despertou alguns dos pontos centrais da cultura chinesa. Apesar do crescente número de cremações, o embate entre as crenças tradicionais chinesas e o incentivo do governo já surtem efeitos práticos na sociedade.


Preocupado com o espaço para cemitérios o governo quer estimular também o orgulho pela profissão muito similar à de coveiro.

Na china metade dos mais de 10 milhões de chineses mortos anualmente já é cremada, mas o enterro em covas de cemitério ainda é considerado a forma mais tradicional de lidar com cadáveres.

Participaram também do concurso outros profissionais ligados a prestações de serviços, como cuidadores de idosos, o vencedor receberá uma medalha no dia 1º de maio.

Os três melhores colocados trabalham no famoso cemitério de BabaoshanNa competição dos cremadores, os três melhores colocados trabalham no famoso cemitério de Babaoshan, em Pequim, e o quarto vem da cidade de Nanchang.
Num país onde homenagear os ancestrais é parte central da cultura, a cremação já foi considerada tabu e desrespeito, mas vem crescentemente ganhando adeptos, sobretudo após algumas províncias tornarem a prática obrigatória por lei.

A imprensa estatal chinesa não deu muitos detalhes sobre o concurso, limitando-se a dizer que os competidores deveriam demonstrar “habilidades operacionais técnicas” e fazer um exame de conhecimentos sobre a profissão.

Como é trabalhar como cremador na China

Muitos relatam longos expedientes e problemas de saúde por trabalhar o dia todo em salas que podem chegar a 50º C de temperatura, além de lidar com fornos crematórios que podem atingir 600º C.

“Geralmente trabalhamos de dez a 12 horas em cada turno. Quando há um pico na carga de trabalho, podemos processar cerca de 250 a 260 cadáveres por dia, sem nem saber quando vamos para casa”, diz Liu Yong, que trabalha num crematório de Xangai.

Já Cao Lianxing diz que um bom cremador precisa ser altamente qualificado. Ao lado de nove colegas, ele lida com mais de 10 mil corpos por ano em seu crematório na província de Jiangsu.

“Os ossos precisam ser queimados completamente, mas devem manter sua pureza branca. Não pode haver fumaça preta. Uma vez que o dia está encerrado, temos que esperar a fornalha esfriar para que possamos limpá-la e evitar qualquer tipo de entupimento”, explica.

O objetivo do concurso

De acordo com o governo chinês, uma das razões seria aumentar a autoestima dos cremadores e criar um sentimento positivo em torno da profissão, diante de uma queda no número de pessoas dispostas a trabalhar na área.

Citando uma falta de compreensão da sociedade e os riscos de lidar com cadáveres, o governo disse em nota que há preconceito em torno da profissão.

O enterro em covas de cemitério ainda é considerado a forma mais tradicional de lidar com os mortos na China, mas o número de crematórios vem crescendo em algumas províncias que tornaram a prática obrigatória por lei.

Apesar do crescente número de cremações, o embate entre as crenças tradicionais chinesas e o incentivo do governo já surtem efeitos práticos na sociedade.

Em março, o jornal China Daily divulgou um aumento nos casos de roubos a túmulos e de suicídios de idosos que queriam ser enterrados antes do incentivo à cremação ganhar cunho oficial.

Em novembro de 2014, dois agentes do governo foram presos após supostamente terem comprado cadáveres de ladrões de túmulos para se adequarem às metas de cremação estipuladas pelo governo.

Fonte: Funerária.net

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