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quarta-feira, 17 de maio de 2017

O 'maior cemitério de escravos das Américas' vai fechar

Fundadora acredita que existe vergonha do "holocausto negro" no Brasil. 


Por Marina Pinto

Obras na casa levaram à descoberta de milhares de ossadas de escravos Facebook/Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos 141 0 "Sem apoio e sem respeito, vamos fechar!". A frase, em jeito de protesto, encontra-se numa tarja pendurada na fachada de uma casa do século XVIII que alberga, desde 2015, o museu e espólio do ‘maior cemitério de escravos das Américas’, assim descrito pela imprensa brasileira. 

A prefeitura do Rio de Janeiro, instituição equivalente a uma câmara municipal, cortou os subsídios e, apesar de já terem passado por ali cerca de 70 mil visitantes, este espaço está prestes a fechar portas por falta de dinheiro. Merced Guimarães é a fundadora do museu, o 'Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos', que faz investigação e divulgação histórica na zona portuária da cidade do Rio. 

Poderia tentar solucionar o problema financeiro se cobrasse entrada mas, não é isso que deseja fazer. Acredita não ser correto que as pessoas tenham de pagar bilhete para irem ver um crime. "O holocausto negro, carioca", logo abaixo de onde vive "Isto é um testemunho vivo de um dos crimes contra a Humanidade", reitera. "Como costumo dizer, isto aqui é o holocausto negro, carioca", sublinha. O espaço situa-se naquela que ainda é a casa onde vive. 

Em 1996, a empresária e o marido resolveram fazer obras profundas na casa e, a dada altura, os operários depararam-se com numerosas ossadas humanas nas fundações. Merced e o marido, Petrucio, pensaram estar perante evidências que poderiam levar à descoberta de um assassino em série. No entanto, o que desvendaram foi ainda mais impressionante: estavam a morar em cima do ‘maior cemitério de escravos das Américas’, onde se estima que estejam sepultados 50 mil pessoas. Em vez de continuar com a obra e tornar a casa mais confortável, Merced resolveu fundar o museu. 

Conta que a famíla, sobretudo as filhas, não ficou entusiasmada com a ideia. "Elas não gostaram muito da ideia, não. Porque estavam na pré-adolescência e isso atrapalhou o sonho do quarto, da reforma da casa, da piscina", recorda. Mas os entraves não impediram a empresária de avançar com a ideia. "A gente estima que estejam aqui debaixo enterradas mais de 50 mil pessoas", prossegue Merced. "Eu acho que isto é uma missão, já o vejo como uma missão, de ser a voz de 50 mil[pessoas], que foram atirados como se fossem lixo", defende. 

Revela que há gente que não quer entrar ali e, pergunta: "Nossa, por quê? Vocês têm medo de cemitérios? Tenham medo de vivos, não tenham medo de mortos" remata a fundadora. Uma vergonha nacional "Até hoje, não consigo entender o porquê, o interesse em esconder esta história. Para mim isso é racismo", dispara Merced. "Seria uma vergonha nacional? Acho isso um absurdo". E prossegue: "O país tem vergonha disto? Do que fez? Ou será porque é uma ‘coisa de negros? É coisa de pretos?" questiona. O Brasil recebeu dez vezes mais escravos que os Estados Unidos da América e, excetuando os países africanos, é a nação com maior população negra em todo o mundo. 

Fonte: CM Jornal

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