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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Cemitério Municipal de Curitiba traz histórias e arte a céu aberto

Inscrições para rodada de visitas guiadas se esgotaram rapidamente.
'Visitar o cemitério é conhecer nossa história', diz pesquisadora cemiterial.


Parte do Cemitério Municipal São Francisco de Paula, o mais antigo de Curitiba, está se perdendo. Seja pela ação dos vândalos ou pela falta de dinheiro de algumas famílias, que não conseguem manter os jazigos onde foram sepultados os antepassados, obras de arte e detalhes que contam a história da cidade e do Paraná ficam à mercê da ação do tempo.

Para evitar que toda essa riqueza seja esquecida, a pesquisadora cemiterial Clarissa Grassi estuda as histórias das pessoas que ali estão sepultadas e as obras de arte que adornam os túmulos e mausoléus do espaço. Entre as histórias e símbolos expressos nos túmulos, como ela própria diz, é possível entender as formas com as quais a humanidade lidou com a morte nos últimos 150 anos. “Visitar o cemitério é conhecer a nossa história”, afirma Clarissa. Na avaliação dela, entender esses detalhes é, acima de tudo, uma aula de educação patrimonial.

Durante uma visita guiada, nesta segunda-feira (3), ela contou ao grupo de 30 pessoas que participaram do evento algumas dessas histórias. No espaço, com 51.440 metros quadrados, já foram sepultados mais de 70 mil corpos, em 160 anos de existência.

No passeio, ela explica quem foram as pessoas e famílias que montaram túmulos simples, mausoléus suntuosos e escreveram parte da narrativa que compõe a formação da sociedade curitibana e paranaense. “Você pode andar duas horas no cemitério e, não necessariamente, ficar falando de morte, de morto, você pode falar de arte, de história, de costumes, sem entrar no mérito da morte”, garante a pesquisadora.

Curiosidades

A primeira curiosidade escondida na história do Cemitério São Francisco de Paula diz respeito à própria criação do espaço. Segundo Clarissa, os políticos do século 19 levaram 30 anos discutindo onde deveria ficar o cemitério. "Se pensarmos naquela época, esse ponto ficava longe do centro da cidade. Há relatos de procissões de Finados em que as pessoas desistiram de vir até aqui por causa do lamaçal que tinha no caminho", lembra.

A vontade de conhecer os detalhes escondidos entre os túmulos foi o que motivou a pontagrossense Maria Luisa Clausen a participar da visita. Ela conta que mora há 30 anos em Curitiba, mas nunca tinha ido ao Cemitério Municipal. “Para quem gosta de história, é uma aula”, garante ela, que tem formação em História.

Entre as curiosidades do passeio, Clarissa revela a história do sepultamento do Barão do Serro Azul. Empresário famoso no Paraná, durante o século 19, ele foi fuzilado a mando do então governador do Paraná, Vicente Machado, em resposta ao fim da Revolução Federalista. O barão era considerado apoiador dos revoltosos.

Embora ele tenha morrido em 1894, o túmulo só foi erguido anos depois, segundo Clarissa e, mesmo assim, não está no local exato do sepultamento. “Sabemos apenas que ele foi trazido para cá, mas não há registro do local exato onde fica o corpo”, conta a pesquisadora.

Para a professora Priscila Simões, esse fato foi uma novidade. Embora tenha nascido em Curitiba, ela conta que nunca tinha ouvido falar dos detalhes que levaram à morte do barão. “Não sabia da magnitude dos símbolos e detalhes históricos que tinha aqui”, revela.

Além dos detalhes históricos, há ainda o que a pesquisadora chama de “arte cemiterial”, composta pelos detalhes e decorações que adornam boa parte dos túmulos e mausoléus, principalmente os mais antigos. Entre as esculturas e obras arquitetônicas, diversos discursos históricos podem ser encontrados nas ruas e quadras da “microcidade”, como define Clarissa.

Tombamento

Clarissa defende que parte dos túmulos seja tombada pelo patrimônio histórico. “Muitas obras que estão aqui são únicas, não existem em outros locais”, afirma. Quando as famílias não cuidam do espaço destinado aos mortos, a lei permite que a prefeitura derrube o túmulo e ceda o espaço a outras pessoas.

Outro problema que também é enfrentado para se cuidar da história está na ação de vândalos. Ainda que as famílias se esforcem para manter os espaços erguidos, muitas obras de arte são furtadas, quebradas ou pichadas. “Tem coisas que fotografei há quatro meses aqui e que agora já não estão mais. Há casos em que, em vez de roubar, simplesmente quebram as peças”, conta a pesquisadora.

Frequência

O passeio desta segunda não foi o primeiro promovido por Clarissa no Cemitério Municipal, contudo, a prática ainda é rara, tendo em vista que em alguns lugares esses passeios são comuns e muitos museus chegam a ser pontos turísticos. “Na minha opinião, existe uma demanda. Para ter lotado de forma tão rápida, eu fiquei muito surpresa e muito feliz”, diz.

As turmas do passeio são limitadas, normalmente, a pequenos grupos, já que a movimentação dentro do cemitério é difícil. Para esta rodada, que ainda prevê visitas nos dias 4, 6 e 7 de junho, todas as vagas estão ocupadas. Mas Clarissa quer continuar a promover mais visitas. “Ainda quero fazer uma à noite”, garante. Para mais informações, mande um email para mase@smma.curitiba.pr.gov.br.

Fonte: G1

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