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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

'Museu a céu aberto', cemitério de Jaú guarda verdadeiras obras de arte

Estátua 'Saudade' de Eugênio Prati é uma delas; existem apenas 4 no país. 
Roque De Mingo tem 12 obras, uma no túmulo de João Ribeiro de Barros.


O Cemitério Municipal Ana Rosa de Paula, em Jaú (SP), foi inaugurado em outubro de 1894. No Dia de Finados, em vez de lembrar e falar dos mortos, o pesquisador Júlio Polli, deu uma aula de arte cemiterial inserida em vários túmulos. O local conta com obras exclusivas das décadas de 1920 e 1930, dos renomados artistas, Roque De Mingo e Eugênio Prati.

Famílias com poder aquisitivo elevado encomendavam as obras para homenagear os mortos. A principal raridade é o monumento da família Cesarino, assinada por Prati. O pesquisador conta que no país só existem outras três iguais. “Ela simboliza a saudade que a pessoa está pranteando a dor. E quando perguntaram para a família o que ela queria, era realmente isso, transmitir a dor dos familiares pela perda do pai”.

Júlio Polli diz que o artista Eugênio Prati é mais especial que De Mingo. “Ele é mais renomado que Roque De Mingo, porque só temos essa obra e mais um medalhão assinados por ele. Essa é uma estátua muito importante, ainda mais por se limitada. É uma obra de arte muito fabulosa. Eugênio Prati também se consagrou como um artista nacional, venceu salões de artes no Brasil afora. Produziu muita arte para monumentos, enfim, ele produziu para pessoas particulares e também para cemitérios”.

Na obra, as patas de leão significam que a principal pessoa da casa faleceu, o “leão da família”. “As tochas entrelaçadas simbolizam que a pessoa faleceu precocemente para os padrões. Temos no túmulo também as urnas funerárias com a chama da purificação. O material usado no túmulo é granito e bronze”, explica Polli.

No cemitério de Jaú, várias estátuas chamam a atenção. O pesquisador, que realiza passeios noturnos com grupos de estudantes para contar a histórias dos túmulos com arte cemiterial, também destacou obras de Roque De Mingo, entre elas, do mausoléu do Comandante João Ribeiro de Barros, que dá nome a uma das principais rodovias do estado de São Paulo.

“É um obra de Roque De Mingo também, que é o rosto de Jesus. Do lado esquerdo tem o ramo de palmas e do lado direito café, que faz alusão da origem da família de João Ribeiro de Barros, que eram cafeicultores. João Ribeiro e Barros foi o primeiro americano a realizar a travessia em um hidroavião do Atlântico Sul e sem escalas”, informa.

Já o maior conjunto entre as doze obras de Roque De Mingo espalhadas pelo cemitério está no túmulo da família Avelino. “Ela tem uma suntuosidade do conjunto da obra. As urnas funerárias, que representam a purificação, na coluna a papoula, símbolo da morte e do renascimento, remete tudo a uma mitologia grega. E dentro, as estátuas assinadas por Roque De Migo”, avisa Polli.

No passeio cultural pelo cemitério, o pesquisador destacou os raminhos de café que estão cravados em vários túmulos. “Raminhos de café, símbolo impotente da atividade da família trazia status. Não é um símbolo religioso, mas faz parte da arte cemiterial, que conta aspectos da vida e da morte da pessoa. É da época do Brasil agrícola, da República Velha, que era o máximo do máximo. Isso dava um status tremendo”.

Para finalizar a aula, Júlio Polli ressaltou uma estátua de Nossa Senhora Aparecida. “É uma bela obra, que incluiu ramos de palma, a crença na ressureição. Nossa senhora segura tulipas e papoulas, que é o símbolo da morte, do sono profundo. Nossa Senhora estaria em uma meia lua nos céus e pisando sobre uma cobra, que fala que ela tem o poder de esmagar a cobra, e está representando o pecado original porque a cobra está com o fruto proibido na boca”.

Fonte: G1

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