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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Você faria turismo num cemitério? Isso já é possível em Salvador; conheça

Circuito cultural no Campo Santo é composto por 584 metros lineares


Salvador sempre teve um grande potencial turístico com os seus cartões postais, como o Farol da Barra, Elevador Lacerda e o Pelourinho. O que muita gente ainda não sabe é que a capital baiana tem atraído dezenas de turistas para conhecer um dos seus mais antigos cemitérios. Desde março de 2007, sete das 27 quadras do Cemitério Campo Santo, na Federação, construído no século XIX, estão abertas para visitação monitorada pela museóloga Jane Palma. O ingresso custa R$ 4 por pessoa.

Estranho à cultura brasileira, o turismo cemiterial é bastante popular em Buenos Aires e Paris, modelo que o Campo Santo deseja seguir. Com mais de 200 obras catalogadas, o circuito possui uma preciosidade que atrai estudantes de arquitetura de todo o país: a “Estátua da Fé”, tombada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em meados de 1983. Esculpida por um artista alemão em um único bloco, a estátua – que representa a figura de uma mulher de 1,92 m de altura – foi colocada sobre o mausoléu de Alexandre Gomes Fernão D’Argolo, morto em 1870.

O famoso poeta Castro Alves também foi sepultado no local. No entanto, os seus restos mortais foram transferidos para um monumento construído na praça que leva o seu nome, localizada no centro da cidade. Dentre as personalidades públicas do estado, foi velado no cemitério, o corpo do senador Antônio Carlos Magalhães.

A museóloga Jane Palma contou ao Varela Notícias que o circuito cultural já começa na rampa de entrada do cemitério, onde é possível apreciar a fachada neogótica (estilo de arquitetura revivalista originado em meados do século XVIII na Inglaterra) da igreja. “Você pode perceber que em todos os cemitérios você sempre tem estruturas bem esguias [finas], bem longas, que é a característica da arte neogótica e gótica”, diz a especialista. Ele ainda explica que essa característica existe porque acreditava-se na época que quanto mais longa era a estrutura, mais perto de Deus se ficava.

Jane conta que não está inclusa no circuito a visitação aos túmulos de grandes figuras públicas, porque o intuito do Museu da Santa Casa da Misericórdia da Bahia sempre foi “enaltecer a arte”. “Esse não é o foco da Santa Casa, não é o foco da nossa pesquisa e do nosso trabalho. O foco do nosso trabalho é difundir cultura e arte”, diz. Ela ainda revela que é muito comum encontrar pessoas que levam livros para ler ao lado das obras, que ouvem música enquanto fumam e até grupos que se reúnem no local para conversar.

No fim da visita, Jane Palma fala que durante o percurso é possível refletir sobre o pensamento da morte em séculos diferentes. “Se você observar os mausoléus do século XIX têm uma arte cemiterial que retrata o fim da vida. Porque no século XIX a cultura era ‘você morreu, acabou’. Isso você vê porque todos têm as chamas voltadas para baixo, como se estivesse apagando a vida. Já nos mausoléus do século XX, [as obras refletem] a continuidade da vida, a chama continua acesa, porque ainda existe algo em outro plano. […] Qual a cultura do século XXI? Você veio do pó e para o pó voltará. Por isso existe a cultura dos crematórios”, pontua.

Fonte: Varela Notícias

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