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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Sustentabilidade como Política Pública

Em um tempo de guerras, massacres, eventos climáticos extremos e crises econômicas e políticas nacionais e globais, a retomada da centralidade da sustentabilidade é uma trilha mais segura para a humanidade


Ao começar um novo ano entrega-se ao destino muitas esperanças, de que seja um período de paz, de felicidade e de muitos bons fluídos. O olhar mais cético faz retornar à crua realidade, onde a paz é apenas uma abstração e a felicidade está entregue à individualidade. No entanto, o início deste ano em especial inaugura os mandatos de uma nova leva de prefeitos no Brasil. Muitos deles chegando em cidades com graves problemas econômicos e sociais e alguns sem nenhuma experiência administrativa.

Há o risco de que se implantar políticas públicas aleatórias e desconexas se não houver um eixo de ação. Qual seria esse eixo? Para muitos a palavra-chave para a gestão pública segue sendo “sustentabilidade”. Há muita coisa a ser feita nessa área, desde os básicos gestão de resíduos e saneamento, até inovações importantes em áreas como mobilidade, saúde, habitação, educação e moradia, entre outras obrigações dos alcaides.

Basicamente sustentabilidade na gestão pública pode ser definida através da racionalidade da aplicação dos recursos de forma a economizar materiais, reduzir desperdícios, acabar com resíduos e criar condições para o bem estar, a boa saúde e para a educação. Uma gestão que tenha como eixo a sustentabilidade tende a ser uma administração com bons resultados.

A ideia não é nova, vem sendo debatida ao longo de décadas. A redução de riscos ambientais e sociais aponta para bons impactos na economia das cidades, que gastarão menos para equacionar problemas causados pela imprevidência. Na primeira semana deste ano o jornalista André Trigueiro também defendeu na Folha de S. Paulo (https://goo.gl/muIXoK) a sustentabilidade como linha mestra na gestão pública, e não apenas nas cidades, mas no país como um todo.

Pode parecer diletante retomar o tema da sustentabilidade em um momento em que o país e o mundo estão convulsionados por guerras, correntes migratórias descontroladas, massacres e crises de todos os gêneros. No entanto, esse é um guideline que pode dar sustentação a uma retomada da economia com base em muita racionalidade e inovação, isso em um momento em que não há nenhuma alternativa de planejamento público que esteja, de fato, oferecendo resultados.

Para as empresas em geral a sustentabilidade, tão apregoada em marketing e relatórios, representa basicamente economia de materiais, água e energia, redução de riscos patrimoniais, redução de resíduos e significativos ganhos de imagem. Essas são condições que podem dar excelentes resultados se aplicadas a serviços públicos em geral, seja no atendimento direto da sociedade como na gestão das obras públicas.

Durante os últimos anos os debates sobre sustentabilidade recuaram para nichos onde os temas principais foram mudanças climáticas, água e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A confluência das crises política e econômica, com seus fortes impactos sociais, que criou uma forte rispidez nas relações da cidadania, nas ruas e nas redes sociais, deixou outros temas fora da pauta e uma das pautas abandonadas foi a da sustentabilidade. É como se houvesse uma hierarquia dos problemas e as questões socioambientais cavalgassem ladeira abaixo nas prioridades.

Pontualmente alguns temas emergem na mídia, uma nova absurda lei, um novo escândalo de gestão em organismos ambientais e um novo desastre. Mesmo nas empresas consideradas líderes no tema apenas alguns soluços de comunicação mantiveram a pauta viva.

É preciso relembrar que sustentabilidade não é um nicho, um item na pauta da humanidade, uma decisão pontual. É uma transversalidade fundamental para a gestão pública, das empresas, das organizações sociais e das pessoas.

A implantação de políticas públicas que estabeleçam a centralidade da sustentabilidade pode oferecer caminhos mais seguros para a superação das crises de curto prazo e mais segurança para as metas de longo prazo. Há sempre que se lembrar que os principais diagnósticos já estão realizados e disponíveis para qualquer pessoa e na maior parte dos idiomas. (#Envolverde)

* Dal Marcondes é jornalista, diretor da Agência Envolverde, com especialização em Economia, em Ciências Ambientais (Procam/USP) e mestrando em Modelos de Negócios do Jornalismo Digital e Pós-Industrial (ESPM/SP).

Fonte: Envolverde

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