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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Biólogo da USP defende uso organismos geneticamente modificados na agricultura

Marcos Buckeridge defendeu a agricultura com organismos geneticamente modificados como método para evitar o desmatamento e criticou a ação do governo em relação ao agronegócio
Com o objetivo de relativizar os aspectos da biologia no contexto das mudanças climáticas que influem no Brasil, o professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Silveira Buckeridge defendeu durante conferência* o uso de Organismos Geneticamente Modificados (OGM).

Para o pesquisador os transgênicos são essenciais para a manutenção da agricultura no planeta e a proteção da Floresta Amazônica. O biólogo foi enfático nessa tese, afirmando que “se aplicada toda essa tecnologia, a biodiversidade vai estar na nossa mão”.

Um dos estudos atuais de Buckeridge atenta para as consequências do excesso de gás carbônico (CO2) nos vegetais, devido à alta concentração do gás na atmosfera. Segundo o biólogo, os altos índices de carbono afetam o desenvolvimento das plantas, logo interferindo na agricultura. O pesquisador afirma que não há área suficiente para plantar usando as técnicas convencionais. “Até 2040 nós teremos que a aumentar a produção de alimentos em 70% para suprir não só o crescimento populacional, mas também o equilíbrio social na terra”, diz.

Por isso, a solução dada por Marcos Buckeridge é o uso de transgênicos no país, para evitar que grandes áreas sejam utilizadas para plantações, consequentemente refreando o desmatamento. Para intensificar seus argumentos, o biólogo disse não existir evidências que confirmem males à saúde com o uso de OGM, e “não há área agricultável em região politicamente estável no planeta a não ser hoje no Brasil”. Ele ainda polemiza ao afirmar que custo para o Brasil produzir alimentos geneticamente modificados é menor do que a exploração do Pré-Sal, criticando a condução da economia pelo governo.

Questiona-se a viabilidade da produção de transgênicos por pequenos agricultores. A maioria dessas sementes hoje é feita por duas grandes empresas, que determinam os preços dos geneticamente modificados. Na opinião de Buckeridge, uma resposta seria a regulação da compra e venda via governo. “Se a tecnologia ficar mais fácil de ser colocada no mercado as pequenas empresas irão produzir sementes”, sustentou. O biólogo diz, porém, que a qualidade dessas sementes não é igual a das poderosas indústrias, mas afirma que se o Brasil implantar os OGM é possível uma orientação através do agronegócio. “O agrobusiness está sendo o salvador da pátria brasileira nos últimos anos”, completou, referindo-se ao desempenho dos outros setores da economia no país.

O pesquisador, que também é membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC – sigla em inglês)**, participa do relatório sobre as consequências dos efeitos do clima, que será lançado neste ano. O Painel, criado pela Organização das Nações Unidas, alertou no último documento lançado em 2007 para o aumento dos níveis de CO2 no planeta, e o aquecimento global.

* A conferência e entrevista coletiva com o Marcos Silveira Buckeridge foi realizada no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, e faz parte do 7º Módulo do Curso Descobrir a Amazônia, Descobrir-se Repórter, realizado pela Oboré.

**O IPCC foi criado em 1988 pela ONU e é formado por milhares de cientistas. O Painel está organizado em três grupos de trabalho, dividindo em partes o relatório sobre mudanças climáticas. O primeiro grupo se concentra no tema clima. O segundo trata dos impactos das mudanças e possíveis soluções. Já o terceiro estuda as alternativas econômicas e sociais para seus efeitos.

Gabriely Araujo, é jornalista em formação pela ECA-USP e participa do curso “Descobrir-se Repórter – Descobrir a Amazônia” pela Oboré Projetos Especiais em Comunicações e Artes

Fonte: EcoDebate

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